22/08/2023
Blog da Cris Brasil Política

O Brasil independente que ainda não pertence a todos

Entre bandeiras, polarização, desigualdade e instituições sob desconfiança, a data expõe uma pátria que continua dividida entre privilégios e sobrevivência

Brasil (Imagem: reprodução/ redes sociais)

O Brasil acorda neste 7 de Setembro mais uma vez coberto de verde e amarelo. Bandeiras nas janelas, discursos sobre soberania, independência, pátria. Tudo muito bonito no protocolo. O problema é que basta sair da cerimônia oficial e olhar para o país real para perceber que a independência brasileira continua incompleta.

Somos, portanto, uma pátria dividida. Dividida entre quem tem tudo e quem luta pelo básico. Entre quem atravessa gabinetes sem bater à porta e quem espera meses por uma consulta. Entre quem fala em mérito depois de herdar patrimônio e quem acorda cedo, pega dois ônibus e ainda precisa ouvir que não se esforçou o suficiente. O Brasil independente de 1822 ainda convive, em 2026, com dependências bastante modernas.

Também estamos divididos politicamente de um jeito quase doentio. Já não se discute apenas projeto de país; discute-se inimigo. Metade grita contra a outra metade e, nesse barulho, desaparecem perguntas mais simples: quem melhora a escola, quem reduz a desigualdade, quem entrega saúde, quem enfrenta a fome, quem faz o Estado funcionar para além da propaganda?

Há ainda outra fratura: a das instituições. Congresso, Supremo, governos, partidos, empresários, influenciadores, todos disputam poder e narrativa enquanto o cidadão tenta entender em quem confiar. Quando a política vira torcida organizada, a democracia empobrece. E quando cada lado só enxerga escândalo no adversário, a moralidade deixa de ser princípio e vira arma de ocasião.

DIFÍCIL É NÃO AMAR!

Mesmo assim, é difícil não amar este país. Talvez justamente por isso a crítica seja tão necessária. Amar o Brasil não é fingir que está tudo bem. É recusar a naturalização da miséria, da desigualdade, do privilégio e do cinismo. Patriotismo de verdade não cabe apenas numa camisa da seleção. Ele aparece quando se defende um país em que a lei valha para todos e em que nascer pobre não seja uma sentença.

Então, neste 7 de Setembro, que se comemore a Independência, sim. Mas sem fantasia. O Brasil é belo, enorme, contraditório e profundamente desigual. É uma pátria que ainda precisa aprender a ser de todos. Talvez essa seja a independência que ainda falta: libertar o país da ideia de que alguns nasceram para mandar, outros para obedecer e milhões apenas para sobreviver.

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Cristina Esteche

Jornalista

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