22/08/2023
Cotidiano Em Alta Esportes

Conheça Marrocos, primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo

Os 'Leões do Atlas' chegam a Nova Jersey não como surpresa, mas como potência. Entenda por que o Brasil não pode subestimar a seleção africana no jogo desta tarde

(Foto: Amr Abdallah Dalsh)

Neste sábado, 13 de junho, o Brasil estreia na Copa do Mundo de 2026 contra uma seleção que, quatro anos atrás, deixou o mundo em choque. Marrocos, ao contrário do que muitos pensam, não é mais azarão, é candidato. E qualquer torcedor verde-amarelo que pensar diferente vai se surpreender.

Os “Leões do Atlas” entram em campo como a seleção mais bem ranqueada da África, atualmente na 7ª posição do ranking da FIFA, divulgado na última atualização antes da Copa, na frente de seleções como Senegal, Nigéria, Argélia e Egito, carregando na bagagem a melhor campanha da história do futebol africano numa Copa do Mundo. E mesmo com desfalques importantes para o confronto de hoje, seguem sendo apontados como um dos times mais perigosos do torneio.

A CAMPANHA QUE MUDOU O FUTEBOL AFRICANO

No Catar 2022, Marrocos fez algo que nenhuma seleção do continente africano jamais havia conseguido: chegou às semifinais de uma Copa do Mundo. Eliminou a Espanha nas oitavas, afastou Portugal nas quartas e só parou diante da super França de Mbappé.

A campanha encerrou o debate sobre se as equipes do continente podiam competir de igual para igual com europeias e sul-americanas. Para esta Copa, sete jogadores daquele grupo retornam, entre eles Bounou, Amrabat e a estrela Hakimi.

UMA EQUIPE RECONSTRUÍDA COM AMBIÇÕES AINDA MAIORES

Marrocos chega a 2026 com mudança no comando técnico. Walid Regragui, o técnico da campanha histórica no Catar, deixou o cargo após a final da Copa Africana de Nações de 2025 contra o Senegal — decisão que terminou em polêmica, com a CAF acabando por declarar Marrocos campeão por W.O. depois de jogadores senegaleses deixarem o campo antes do fim. Em seu lugar, assumiu Mohamed Ouahbi, de 49 anos.

Na coletiva de imprensa às vésperas do jogo, Ouahbi adotou um discurso de confiança e respeito, sem demonstrar qualquer sinal de intimidação diante da pentacampeã. Ele destacou que a seleção marroquina tem seus próprios valores e princípios e acredita neles, e que o respeito pela história do Brasil não significa medo. Sobre Ancelotti, o treinador chegou a brincar dizendo já ter lido todos os livros do italiano e conhecer cada detalhe sobre ele.

COMO MARROCOS JOGA

Marrocos chega ao jogo de hoje abaixo de sua força máxima. A federação confirmou o corte de dois titulares por lesão: o zagueiro Nayef Aguerd, peça-chave no Catar 2022 e o ponta Abde Ezzalzouli, do Real Betis, sofreu entorse no joelho contra a Noruega e deu lugar a Amine Sbaï.  Completam a lista de ausências nomes do grupo de 2022 que não entraram na renovação do técnico, como En-Nesyri, Ziyech, Saïss e Boufal. São baixas que pesam, mas o elenco continua sendo apontado como uma das equipes mais organizadas e perigosas do grupo.

A identidade marroquina é clara, um time muito compacto sem a bola, e explosivo com ela. O time se fecha em bloco, protege os espaços centrais e explode em transições pelas laterais, especialmente pelo lado direito, onde Achraf Hakimi joga.

O esquema base oscila entre um 4-2-3-1 e variações com três zagueiros, dependendo do adversário. Na última Copa Africana, Brahim Díaz e o centroavante Ayoub El Kaabi foram responsáveis por oito dos nove gols marroquinos juntos. Bilal El Khannouss, meia do Stuttgart, é outro nome a monitorar.

OS DESTAQUES QUE O BRASIL PRECISARÁ CONTER

Achraf Hakimi é o nome mais importante do time. Lateral-direito do Paris Saint-Germain, capitão e maior referência marroquina, terminou a temporada do clube com três gols e nove assistências em 31 partidas entre Ligue 1 e Champions League, e foi bicampeão europeu pelo PSG. Suas arrancadas pelo corredor direito são a principal arma ofensiva de Marrocos, e sua qualidade em cobranças de falta adiciona perigo constante.

Yassine Bounou volta para sua terceira Copa do Mundo aos 35 anos. Goleiro do Al-Hilal, da Arábia Saudita, é considerado um dos mais confiáveis do mundo em grandes competições. Foi ele quem defendeu as penalidades que eliminaram a Espanha em 2022.

Este pode muito bem ser o “teste de realidade” da nova era Ancelotti. A expectativa em cima da Seleção é abismal, como sempre, mas se Marrocos conseguir tirar pontos logo na estreia, as dúvidas sobre se este Brasil está de fato pronto para o sexto título só vão aumentar.

Para Marrocos, o jogo de hoje também é uma prova de maturidade. A seleção já não pode mais ser vista como apenas uma bonita história de Copa, precisa mostrar que evoluiu para um futebol mais ofensivo e ambicioso, capaz de competir de igual para igual com as grandes potências, e não só de surpreender uma vez.

Marrocos também busca algo inédito: avançar de fase em Copas do Mundo consecutivas, o que nunca conseguiu fazer antes. Do lado brasileiro, o próprio Ancelotti parece levar isso a sério. Em entrevista recente, o treinador disse que o medo é parte importante da vida e que, se o time não estiver alerta, pode “ver um leão e pensar que é um gato”. Ele reforçou ainda que Marrocos é uma equipe muito forte, organizada e com qualidade em todas as linhas, e que no futebol moderno não existem mais seleções “pequenas”.

O QUE ESTÁ EM JOGO NO GRUPO C

Além de ser uma grande partida por si só, este jogo tem implicações diretas na classificação. Brasil e Marrocos são amplos favoritos para avançar da chave C, que conta ainda com Haiti e Escócia. Quem vencer hoje praticamente garante a liderança do grupo.

O apito inicial está marcado para as 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.

*Colaboração de Lucas Scotini.

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