22/08/2023
Em Alta Guarapuava Segurança

Guarapuava tem 150 inquéritos e 800 ações penais por crimes sexuais

Campanha “Guarapuava está de olho em você” mira abusadores e reforça a rede de proteção contra abuso infantojuvenil

Abuso sexual (Foto: Pixabay)

Guarapuava entrou de forma direta e contundente na luta contra o abuso sexual de crianças e adolescentes. Uma campanha liderada pela Secretaria de Comunicação Social do Município, em parceria com a 12ª Promotoria de Crimes Sexuais, com apoio de entidades e veículos de comunicação, já ganha visibilidade na cidade com uma mensagem clara: “Guarapuava está de olho em você”. O recado não é dirigido às vítimas. É direcionado aos abusadores.

A proposta, conforme o secretário municipal de Comunicação Social, Rafael Markus, nasceu em maio, mês nacional de combate ao abuso e à exploração sexual infantil. Markus afirma que a campanha busca romper com a sensação de impunidade e deixar evidente que o município não tolera esse tipo de violência.

O abusador é um covarde. Basta falar com rigor para que ele se acovarde.

A frase dura traduz o tom da campanha: tirar o agressor da zona de conforto, ampliar a vigilância social e estimular denúncias. Mas o enfrentamento ao abuso sexual infantojuvenil exige mais do que peças publicitárias. Exige rede, escuta qualificada, investigação, proteção da vítima e coragem coletiva para encarar uma violência que, muitas vezes, acontece dentro de casa.

De acordo com o promotor Diego Barros, Guarapuava já amargou a posição de uma das cidades com maior índice de crimes sexuais do país. A partir da formação de uma rede de proteção, os números passaram a mudar, mas a realidade ainda preocupa.

Conforme ele disse, há atualmente cerca de 150 inquéritos em tramitação na Polícia Civil e aproximadamente 800 ações penais no Ministério Público relacionadas a crimes sexuais.

O dado mais brutal, porém, está no perfil dos agressores. Conforme o promotor, na maioria dos casos, o abusador faz parte do convívio familiar ou comunitário da vítima.

Geralmente é o padrasto, o companheiro da avó, o vizinho, o tio.

Ele também alerta que o abusador costuma agir de forma manipuladora e persuasiva. Antes da violência se tornar evidente, muitas vezes ele já conquistou espaço dentro da família, ganhou confiança e se aproximou da vítima sem levantar suspeitas. O promotor observa ainda que, embora o imaginário social costume associar esse crime apenas a homens, também há casos envolvendo mulheres.

MENSAGEM ALÉM DA MÍDIA

A campanha tem, portanto, um papel simbólico e prático: dizer ao agressor que ele está sendo observado e dizer à sociedade que a omissão também protege o crime. O abuso sexual infantojuvenil cresce no silêncio, no medo, na dependência emocional e na dificuldade de acreditar na palavra da criança ou do adolescente.

Por isso, a mensagem de Guarapuava precisa ir além do cartaz. Ela precisa chegar às escolas, às famílias, às igrejas, aos serviços de saúde, aos vizinhos e aos espaços onde crianças e adolescentes convivem. Uma cidade que está “de olho” precisa também estar preparada para ouvir, acolher e agir.

O enfrentamento ao abuso não se faz com medo da denúncia. Faz-se com responsabilidade, proteção e compromisso público. E, nesse ponto, a campanha acerta ao inverter o foco: quem deve sentir medo não é a vítima. É o abusador. Para denunciar, disque 100.

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Cristina Esteche

Jornalista

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