22/08/2023
Brasil Cotidiano Em Alta Esportes

Brasil vence Haiti e assume liderança do Grupo C

Brasil mostrou postura diferente da exibida contra os marroquinos. Ancelotti aproveitou para promover alterações e dar oportunidade a outros nomes do elenco

Brasil vence Haiti (Foto: Danilo Fernandes)

A Seleção Brasileira deixou para trás a atuação apagada da estreia e venceu o Haiti nesta sexta (19) com placar de 3 a 0, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. Com a vitória, o Brasil deixa a zona de desconforto após o empate com o Marrocos e assume a ponta da chave.

Ancelotti promoveu duas mudanças em relação ao time que enfrentou o Marrocos. Danilo entrou na lateral direita no lugar de Roger Ibañez, e Matheus Cunha ganhou a vaga de Igor Thiago no ataque. Neymar, fora dos planos por questões físicas, sequer viajou com a delegação para a Filadélfia.

Em campo, o Brasil mostrou uma postura completamente diferente da exibida contra os marroquinos. Isso porque a equipe se impôs desde os primeiros minutos, manteve presença constante no ataque e teve em Lucas Paquetá um meio-campista inspirado, conduzindo as jogadas com critério e organização.

Atuando como um falso 9, Matheus Cunha foi a grande novidade positiva. O atacante abriu o placar aos 22 minutos. Pouco depois, voltou a balançar as redes e fez o segundo gol brasileiro. Vinicius Júnior, sempre buscando espaços nas costas da defesa adversária, foi recompensado com o terceiro gol, fechando a etapa inicial em 3 a 0.

SEGUNDO TEMPO

No segundo tempo, com a vantagem já construída, o Brasil entrou em ritmo de controle. A equipe seguiu mandando no jogo, mas sem a mesma intensidade ofensiva da etapa inicial. A opção foi administrar o placar e poupar energia diante de um Haiti que, mesmo atrás no marcador, seguiu tentando levar perigo em jogadas pontuais.

Ancelotti aproveitou para promover alterações e dar minutos a outros nomes do elenco como Endrick, Rayan e Gabriel Martinelli, numa clara sinalização de gerenciamento de físico visando os próximos compromissos da fase de grupos.

DESTAQUE PARA MATHEUS CUNHA: O 9 DEFINITIVO?

Dois gols em uma única partida, num momento de pressão por uma reação depois do tropeço com o Marrocos, são argumentos difíceis de ignorar. Mas a pergunta que fica é a mesma do caso Casemiro: dois gols contra a zaga mais frágil do grupo confirmam Matheus Cunha como o centroavante titular da Seleção, ou são apenas a confirmação de que, contra um adversário recuado e tecnicamente limitado, qualquer atacante de nível encontra espaço?

O atacante já vinha sendo avaliado como alternativa a Igor Thiago ao longo da semana de treinos. E a atuação contra o Haiti reforça o caso. A função de falso 9, recuando para receber e atacando os espaços entre os zagueiros, pareceu encaixar bem no time montado por Ancelotti, criando linhas de passe que Igor Thiago, mais fixo na área, não oferece.

Ainda assim, vale a mesma ressalva, o teste decisivo vem contra zagas mais altas e agressivas, como a de Marrocos, que pode fechar justamente os espaços que Matheus Cunha explorou aqui. Por ora, ele entregou exatamente o que Seleção precisava. Mas a vaga de titular definitivo ainda depende de uma confirmação em jogos de exigência maior.

O SUBESTIMADO DOUGLAS SANTOS

Se há um nome que vem sendo ofuscado pelos holofotes do ataque, é o de Douglas Santos. O lateral-esquerdo já havia sido um dos poucos brasileiros com atuação destacada no empate com o Marrocos, liderando o time em infiltrações pelo lado do campo e neutralizando Achraf Hakimi, principal nome ofensivo da lateral direita marroquina.

Contra o Haiti, a tendência de continuidade se confirmou, mantido entre os titulares por decisão da comissão técnica, Douglas seguiu como peça de equilíbrio entre defesa e ataque, oferecendo profundidade pelo corredor esquerdo e sustentando a parceria com Vinicius Júnior, que tem se beneficiado diretamente dos apoios do lateral para explorar o um contra um.

É um tipo de contribuição que raramente aparece em destaques de gol ou assistência, mas que tem sido determinante para o equilíbrio da equipe nos dois primeiros jogos do Mundial. Enquanto os holofotes vão para quem balança a rede, Douglas Santos segue como um dos nomes mais consistentes da Seleção até aqui, e talvez o mais subestimado dela.

O Brasil volta a campo pela última rodada da fase de grupos contra a Escócia, na quarta (24), às 19h. O Haiti enfrenta o Marrocos no mesmo dia e horário.

(*Colaboração: Lucas Scotini)

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Gilson Boschiero

Jornalista

Possui graduação em Jornalismo, pela Universidade Metodista de Piracicaba (1996). Mestre em Geografia pela Unicentro/PR. Tem experiência de 28 anos na área de Comunicação, com ênfase em telejornalismo e edição. Foi repórter, editor e apresentador de telejornais da TV Cultura, CNT, TV Gazeta/SP, SBT/SP, BandNews, Rede Amazônica, TV Diário, TV Vanguarda e RPC. De 2015 a 2018 foi professor colaborador do Departamento de Comunicação Social da Unicentro - Universidade do Centro-Oeste do Paraná. Em fevereiro de 2019, passou a ser o editor chefe do Portal RSN. @gilson_boschiero

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