22/08/2023
Cotidiano Guarapuava Tecnologia

As principais tendências de inteligência artificial criativa que devem ganhar força em 2026

A IA criativa deixou de ser uma tecnologia restrita a grandes empresas e passou a influenciar marketing, entretenimento, design, comunicação e pequenos negócios

IA (Imagem: reprodução/ Freepik)

A inteligência artificial criativa deixou de ser uma tecnologia restrita a grandes empresas de tecnologia e passou a influenciar marketing, educação, entretenimento, design, comunicação e pequenos negócios. Em 2026, a expectativa é que o uso dessas ferramentas se torne ainda mais integrado ao cotidiano profissional, com recursos capazes de gerar imagens, vídeos, textos, apresentações e experiências personalizadas em poucos minutos.

O movimento já é perceptível nos números. Segundo o relatório The State of AI, da McKinsey, a adoção de inteligência artificial pelas organizações continua crescendo e a IA generativa já é utilizada regularmente por uma parcela significativa das empresas em diferentes áreas de negócio. A Deloitte também aponta que a tecnologia deixou de ser um experimento para se tornar prioridade estratégica em setores como mídia, varejo, educação e serviços.

Mas quais tendências realmente devem ganhar força em 2026? Especialistas destacam que o próximo ciclo de crescimento da IA criativa será marcado menos pela novidade e mais pela integração prática às rotinas de trabalho.

IA criativa em números

Indicador                                                                                                           Resultado
Empresas que utilizam IA em pelo menos uma função de negócios        78%

Organizações que já utilizam IA generativa regularmente                          Cerca de 70%

Empresas que pretendem ampliar investimentos em IA                            Maioria das entrevistadas

(Fontes: McKinsey The State of AI 2025 e Deloitte State of Generative AI in the Enterprise).

Os dados indicam que a inteligência artificial já está em fase de expansão operacional, e não apenas de testes. Isso ajuda a explicar por que tantas tendências para 2026 envolvem produtividade, automação e personalização.

Criação de conteúdo multimodal será padrão

Uma das principais tendências é a consolidação da produção multimodal. Em vez de gerar apenas texto ou apenas imagem, as ferramentas passarão a criar campanhas completas combinando roteiro, arte, vídeo, áudio e adaptação para diferentes plataformas.
Na prática, um profissional poderá descrever uma ideia e receber automaticamente versões para Instagram, TikTok, YouTube, apresentações e anúncios digitais.
Segundo a Gartner, plataformas de IA generativa tendem a evoluir para ecossistemas integrados, reduzindo a necessidade de alternar entre múltiplos softwares.

Vídeos gerados por IA ganharão espaço no marketing

O crescimento do vídeo curto nas redes sociais aumentou a demanda por produção rápida de conteúdo. Em 2026, ferramentas capazes de transformar textos em vídeos, criar animações e gerar narrações automáticas devem se tornar ainda mais acessíveis.
Isso não significa que produções tradicionais desaparecerão, mas que empresas de pequeno e médio porte terão mais condições de produzir conteúdo audiovisual com frequência.
Especialistas da Deloitte apontam que o setor de mídia e entretenimento está entre os mais impactados pela IA generativa justamente pela capacidade de acelerar etapas de produção.

Personalização em escala será diferencial competitivo

Outra tendência forte é a personalização automática. Em vez de criar uma única campanha para todos os consumidores, empresas poderão gerar dezenas de variações adaptadas a diferentes perfis de público.

Exemplos incluem:
* anúncios com imagens diferentes conforme a região;
* e-mails personalizados automaticamente;
* recomendações de produtos mais precisas;
* conteúdos adaptados ao comportamento do usuário.
A IDC projeta que a IA terá papel crescente na personalização da experiência do cliente, especialmente em comércio eletrônico, serviços financeiros e varejo.

IA criativa para pequenos negócios

Se nos primeiros anos a adoção ficou concentrada em grandes empresas, 2026 tende a marcar uma expansão mais forte entre pequenos empreendedores.
Ferramentas de criação de imagens, textos e vídeos estão se tornando mais simples de usar e exigem menos conhecimento técnico. Isso permite que negócios locais produzam materiais promocionais, posts e campanhas com maior frequência.
O impacto pode ser especialmente relevante para setores como restaurantes, comércio regional, serviços e educação.

Assistentes de IA especializados por profissão

Em vez de ferramentas genéricas, veremos mais assistentes treinados para tarefas específicas.
Alguns exemplos esperados para 2026:
* IA para advogados revisar documentos;
* IA para médicos organizar informações clínicas;
* IA para professores criar materiais didáticos;
* IA para designers acelerar processos criativos;
* IA para equipes de marketing produzir campanhas.
Segundo a McKinsey, a tendência é que a inteligência artificial seja incorporada diretamente aos fluxos de trabalho profissionais, funcionando como um copiloto digital.

O desafio da qualidade e da confiança

Apesar do avanço acelerado, especialistas alertam que a IA criativa ainda enfrenta desafios importantes.
Entre os principais pontos de atenção estão:
* informações incorretas geradas pelos modelos;
* direitos autorais;
* transparência sobre conteúdos produzidos por IA;
* proteção de dados;
* necessidade de revisão humana.

A UNESCO defende que o desenvolvimento dessas tecnologias seja acompanhado por princípios de ética, transparência e responsabilidade.
Integração entre criatividade humana e inteligência artificial

Ao contrário das previsões de substituição em massa de profissionais criativos, especialistas apontam que a tendência para 2026 é de colaboração entre pessoas e inteligência artificial. A tecnologia tende a assumir tarefas repetitivas e operacionais, enquanto decisões estratégicas, identidade visual, narrativa e direção criativa permanecem sob responsabilidade humana.

Esse modelo já é observado em áreas como publicidade, design, audiovisual e produção editorial. Em vez de criar um projeto completo de forma totalmente automatizada, profissionais utilizam a IA para gerar rascunhos, explorar diferentes conceitos visuais e acelerar revisões, reduzindo o tempo entre a ideia inicial e a entrega final.

Ferramentas criativas devem se tornar mais completas

Outra tendência apontada por analistas é a consolidação de plataformas que concentram diferentes recursos em um único ambiente. Em vez de utilizar vários programas separados para criar imagens, editar vídeos, desenvolver apresentações e ajustar documentos, os usuários passam a trabalhar em ecossistemas integrados.
Nesse contexto, soluções baseadas em Adobe IA representam um exemplo da evolução dessas plataformas, reunindo recursos de inteligência artificial para apoiar a criação de imagens, edição de conteúdos, preenchimento generativo e otimização de fluxos criativos. A proposta é aumentar a produtividade sem eliminar o controle criativo do usuário, permitindo que profissionais revisem, personalizem e adaptem cada material conforme suas necessidades.
Essa integração reduz etapas operacionais e facilita a colaboração entre equipes de marketing, design, comunicação e produção audiovisua

IA será cada vez mais integrada ao ambiente de trabalho

Uma mudança importante prevista para 2026 é que a inteligência artificial deixará de ser utilizada apenas em plataformas independentes. Em vez disso, ela será incorporada aos softwares utilizados diariamente por empresas.
Isso significa que profissionais poderão acessar recursos inteligentes durante atividades como:
* edição de documentos;
* criação de apresentações;
* produção de campanhas;
* organização de arquivos;
* reuniões virtuais;
* análise de dados;
* gestão de projetos.

Segundo a Gartner, a IA generativa evolui rapidamente para se tornar um recurso nativo das plataformas corporativas, reduzindo a necessidade de alternar entre diferentes aplicações.
Governança e uso responsável ganharão ainda mais importância

À medida que a inteligência artificial se torna parte da rotina das organizações, cresce também a preocupação com aspectos relacionados à governança.

Empresas deverão investir em políticas voltadas para:

Transparência

Informar quando determinado conteúdo foi criado ou significativamente modificado por inteligência artificial tende a fortalecer a confiança do público.

Direitos autorais

O uso responsável de imagens, vídeos e textos continuará sendo um dos principais desafios da IA criativa, especialmente diante das discussões sobre treinamento de modelos e propriedade intelectual.

Proteção de dados

A manipulação de documentos corporativos, informações pessoais e dados estratégicos exigirá plataformas que atendam requisitos de segurança e conformidade com legislações de proteção de dados.

Capacitação das equipes

Outro movimento esperado é o aumento dos investimentos em treinamento. Não basta disponibilizar ferramentas; será necessário desenvolver competências para que profissionais saibam formular boas instruções, interpretar resultados e revisar conteúdos gerados pela IA.

O que esperar para os próximos anos?

Embora previsões tecnológicas sempre envolvam algum grau de incerteza, existe consenso entre consultorias como McKinsey, Deloitte, Gartner e IDC de que a inteligência artificial continuará ampliando sua presença em praticamente todos os setores da economia.

Ao mesmo tempo, especialistas destacam que o diferencial competitivo deixará de ser simplesmente utilizar IA. O foco passará a ser a capacidade de integrar essas ferramentas aos processos internos, preservar a criatividade humana e gerar valor real para clientes e usuários.

Empresas que combinam tecnologia, estratégia e qualificação profissional tendem a aproveitar melhor os benefícios dessa transformação.

As tendências de inteligência artificial criativa para 2026 apontam para uma tecnologia cada vez mais madura, integrada e orientada à produtividade. A criação multimodal, a personalização em escala, os assistentes especializados e a incorporação da IA aos ambientes de trabalho indicam que essas ferramentas deixarão de ser diferenciais para se tornar parte da rotina de profissionais e empresas.

Os estudos da McKinsey, Gartner, Deloitte e IDC mostram que a adoção corporativa continua acelerada, impulsionada pelos ganhos de eficiência e pela possibilidade de ampliar a produção de conteúdo sem comprometer a qualidade. No entanto, também cresce a necessidade de estabelecer práticas responsáveis relacionadas à transparência, proteção de dados e respeito aos direitos autorais.

O cenário para 2026 indica que a inteligência artificial criativa continuará evoluindo como uma ferramenta de apoio. As organizações que conseguirem equilibrar automação, criatividade e supervisão humana estarão mais preparadas para aproveitar as oportunidades desta nova etapa da transformação digital.

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Cristina Esteche

Jornalista

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