22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

Sem Alvaro, Gleisi e Curi lideram; com ele, disputa o muda de eixo no Paraná

Com 79,6% do eleitorado ainda indefinido, índices de rejeição indicam quais candidaturas têm mais espaço para crescer e quais enfrentam limites para ampliar apoios

Gleisi Hoffmann, Alvaro Dias e Alexandre Curi (Fotos: Agência Senado e Alep)

A pesquisa divulgada nesta terça (7), pelo Instituto Paraná Pesquisas, mostra Gleisi Hoffmann e Alexandre Curi numericamente na liderança no cenário ao Senado. Isso sem a presença de Alvaro Dias e Cristina Graeml. Curi aparece com 30,2% das intenções de voto, seguido por Gleisi, com 28,9%. Filipe Barros, com 27,8%, e Deltan Dallagnol, com 27,7%, vêm logo atrás, todos em situação de empate técnico dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

A ausência de Alvaro Dias, porém, é o dado que mais ajuda a explicar esse recorte. Quando o ex-senador surge na sondagem, ele aparece na liderança, com 39,7% das intenções de voto, reorganizando completamente a disputa pelas duas vagas. Nesse cenário, Gleisi registra 25,9%, Deltan 25,2%, Curi 23,5% e Filipe Barros 22,9%. Como o eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado, a soma dos percentuais ultrapassa 100%.

Isso significa que a liderança de Gleisi e Curi precisa ser lida com cautela. Eles aparecem bem posicionados no cenário sem Alvaro, mas a eventual entrada do ex-senador muda o centro da disputa. Alvaro tem recall estadual, já ocupou mandato no Senado e ainda aparece como um nome capaz de atrair voto em diferentes faixas do eleitorado paranaense. A presença dele tende a transformar a eleição em uma disputa mais intensa pela segunda vaga.

O levantamento também mostra que a rejeição pode ser decisiva. Gleisi aparece competitiva, mas registra o maior índice de rejeição entre os nomes testados, com 42,1%. Curi, por outro lado, tem rejeição de 7,3%, o que indica menor resistência inicial. Alvaro Dias aparece com 12,7%, um índice mais baixo que o de Gleisi, mas superior ao de Curi, Filipe Barros e Cristina Graeml.

INDEFINIÇÃO É ALTA

Outro ponto relevante é o alto índice de indefinição. Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, 79,6% disseram não saber em quem votar. Entre os citados espontaneamente, Deltan aparece com 4,2%, Gleisi com 2,8%, Alvaro com 2,1%, Curi com 1,8% e Filipe Barros com 1,7%. O dado mostra que, apesar da força dos nomes conhecidos, a escolha para o Senado ainda está muito pouco cristalizada no Paraná.

Na prática, Alvaro Dias funciona hoje como a principal variável da eleição. Sem ele, Gleisi e Curi aparecem numericamente à frente, em uma disputa embolada com Filipe Barros e Deltan Dallagnol. Com ele, o cenário muda de eixo e a corrida passa a ter um favorito inicial para uma das vagas, deixando os demais nomes em uma briga mais direta pela segunda cadeira. Por isso, mais do que apontar vencedores, a pesquisa revela uma eleição ainda aberta, dependente das definições partidárias, das alianças e da capacidade de cada candidatura reduzir resistências em um eleitorado amplamente indefinido.

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Cristina Esteche

Jornalista

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