22/08/2023
Em Alta Guarapuava Segurança

Delegada detalha investigação do feminicídio de Suelen Cristina Cordeiro

Suspeito foi indiciado por feminicídio. Laudo aponta 28 lesões, sendo pelo menos 18 facadas em regiões vitais

Delegada Ana Hass (Foto: Reprodução/Instagram)

A delegada Ana Hass, titular da Delegacia da Mulher de Guarapuava, detalhou em coletiva de imprensa o andamento da investigação sobre o feminicídio de Suelen Cristina Cordeiro, de 31 anos, morta a facadas na madrugada de 28 de junho. O inquérito foi concluído nesta semana e encaminhado ao Ministério Público com o indiciamento do suspeito, companheiro da vítima.

Conforme a delegada, o suspeito foi preso em flagrante horas após o crime, em um bar onde havia retornado. A perícia apreendeu o veículo do autor, roupas diferentes das que ele usava no momento do crime e uma jaqueta que teria sido usada por Suelen para se defender. As evidências foram confirmadas por imagens de câmeras de segurança já divulgadas pela Polícia Civil.

Suelen Cordeiro (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

LAUDO PERICIAL

O laudo de necropsia aponta pelo menos 18 facadas em regiões vitais da vítima — tórax, dorso e abdômen — além de outras escoriações. No total, os peritos identificaram 28 lesões, incluindo ferimentos nas mãos compatíveis com tentativa de defesa. De acordo com a delegada, a agressão durou cerca de seis minutos. O estado da casa, com poças e respingos de sangue, indica que Suelen tentou fugir do agressor pelos cômodos do imóvel.

A delegada afirmou que o suspeito trancou a casa por dentro com um cadeado antes de iniciar as agressões, impedindo a entrada de testemunhas que tentavam socorrer a vítima. Ele deixou o local por uma janela e jogou a chave para fora, já ao final do ataque.

O QUE ACONTECEU ANTES DO CRIME

De acordo com a delegada, o suspeito, a vítima e outras duas pessoas — um primo do autor e uma amiga — estavam nas proximidades da Vila Carli antes do crime. O grupo foi até a residência do suspeito, que usava tornozeleira eletrônica e precisava retornar até um horário determinado.

A dupla que acompanhava o casal saiu para comprar bebidas e encontrou o estabelecimento fechado. Ao retornar, por volta das 23h40, encontrou a porta da residência trancada e ouviu gritos. Pelas frestas da porta, viram Suelen sendo esfaqueada e foram até a janela de um vizinho pedir socorro, gritando que o suspeito estava matando a vítima.

HISTÓRICO DO SUSPEITO

A delegada afirmou que o suspeito tem ficha criminal extensa, incluindo passagens por roubo e organização criminosa. Ela relatou ainda ter atendido anteriormente um caso de violência doméstica envolvendo o mesmo homem contra uma ex-companheira, que precisou se mudar de cidade após as agressões.

Segundo testemunho do pai dos dois filhos mais novos de Suelen, o suspeito enviava mensagens ameaçadoras à vítima e insistia para retomar o relacionamento. A delegada mencionou um episódio anterior, no Dia das Mães deste ano, em que Suelen teria sido agredida com socos, além de ter sido amarrada e molhada com água pelo suspeito.

A delegada afirmou que não havia registros policiais anteriores envolvendo o casal, apesar do histórico relatado por testemunhas. Segundo ela, a vítima temia represálias por procurar as autoridades.

PARTICIPAÇÃO DE TERCEIROS

Questionada sobre contradições atribuídas ao primo do suspeito em depoimentos, a delegada afirmou que as provas reunidas no inquérito — incluindo imagens e testemunhos — afastam a participação dele no crime. De acordo com ela, o primo tentou impedir o ataque e demonstrou desespero durante a ocorrência.

O suspeito negou a autoria do crime durante interrogatório, alegando que um terceiro homem, apontado por ele como ex-companheiro da vítima, teria cometido o feminicídio. A delegada classificou a versão como isolada e sem respaldo em provas. Ela destaca que a casa permaneceu trancada com apenas os dois dentro durante todo o período das agressões.

O indiciamento por ora recai exclusivamente sobre o suspeito. No entanto, a delegada não descartou o surgimento de novos elementos ao longo da tramitação do processo no Ministério Público.


Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar).

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 [email protected]

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