22/08/2023
Cotidiano Em Alta Paraná

Simepar explica critérios para confirmar a ocorrência de um tornado

Órgão detalha como radar, relatos da população e vistorias em campo definem a classificação oficial dentro da Escala Fujita

Análise do tornado que atingiu Reserva em julho (Foto: Fernanda Deslandes/Simepar)

Vídeos de fenômenos climáticos viralizam quase todos os dias nas redes sociais, mas nem todo vendaval registrado em celular vira, oficialmente, um tornado. O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) explica que a confirmação do fenômeno segue uma metodologia própria, com etapas técnicas que vão do radar meteorológico à vistoria dos danos no local.

O processo começa com as imagens de radar, que mostram aos meteorologistas se há rotação dentro da tempestade e detritos arremessados na atmosfera. Mas a confirmação depende também dos relatos da população e da Defesa Civil, cruzados com dados de satélite.

Só depois dessa validação começa a etapa de classificação. Os meteorologistas analisam os danos causados pelo fenômeno para estimar a força dos ventos, dentro da Escala Fujita, que varia de F0 a F5.

Nem todo estrago tem origem em tornado. Ventos de downbursts ou de correntes descendentes de supercélulas, por exemplo, deixam um padrão de dano diferente — mais espalhado e com direção parecida. Já os danos causados por tornados costumam mostrar convergência e mudanças de orientação no espaço atingido.

VISTORIA EM CAMPO E IMAGENS DE SATÉLITE

Para fechar a análise, equipes do Simepar vão a campo, conversam com moradores e registram os danos em árvores, construções, postes e estruturas metálicas. O trabalho conta ainda com mapeamento por drones e, quando necessário, sobrevoos com aviões ou helicópteros.

Imagens de satélite feitas antes e depois da passagem do fenômeno completam o levantamento, incluindo a comparação do índice de vegetação da área. Depois do retorno da equipe, a integração dos dados entre os setores de meteorologia, infraestrutura e geointeligência ainda leva alguns dias, até a definição da trajetória completa e o fechamento da classificação.

O resultado final é um laudo técnico, assinado por profissionais habilitados, usado por órgãos públicos e de pesquisa — inclusive para embasar políticas públicas e mapear as regiões mais propensas a esse tipo de fenômeno.

POR QUE É DIFÍCIL PREVER UM TORNADO?

Tornados nascem de tempestades severas, principalmente supercélulas, quando a rotação interna da nuvem se intensifica até tocar o solo. Apesar de gerarem ventos que podem superar os de um furacão, costumam ter poucos quilômetros de extensão e duram apenas minutos — o que torna a previsão exata praticamente impossível com antecedência.

Conforme o Simepar, é possível identificar horas antes um ambiente favorável a tempestades severas com potencial para formar tornados. Mas saber se uma tempestade específica vai realmente gerar o fenômeno, e onde, só é possível em tempo real.

ESTRUTURA DE MONITORAMENTO E ALERTAS

O órgão opera hoje 204 estações hidrológicas, 103 meteorológicas e 35 pluviométricas, além de dez inclinômetros, três radares, seis sensores de raios e equipamentos autônomos como drones e mini barcos.

Monitoramento do Simepar (Foto: Yuri A. F. Marcinik/Simepar)

Quando o risco de tempestade é identificado em alguma região do Paraná, o Simepar aciona o Centro de Gerenciamento de Risco e Desastre da Defesa Civil Estadual, responsável por emitir os alertas à população. Os avisos seguem uma escala progressiva: primeiro um Aviso de Tempo, com horas de antecedência; depois um alerta laranja, se o risco aumenta; e por fim o alerta vermelho, na iminência do fenômeno.


Quem quiser receber os alertas por SMS pode se cadastrar enviando mensagem para o número 40199. Em casos extremos, o aviso chega mesmo sem cadastro, pela tecnologia Cell Broadcast, com som sobreposto a qualquer outra função do celular.

*Com informações do Simepar

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 [email protected]

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