22/08/2023
Blog da Cris Londrina Política

“Novo Tempo”, velhos problemas: Tiago Amaral coleciona crises em Londrina

Trocas na equipe, indefinição na comunicação e a controvérsia sobre o Fundo Municipal do Meio Ambiente aumentam a pressão sobre a gestão em Londrina

Tiago Amaral (Foto: reprodução/ redes sociais)

Tenho vivido Londrina mais de perto porque minha neta mora na cidade para estudar Direito na UEL. Essa convivência acabou me aproximando também da política local, dos personagens, dos bastidores e das tensões de uma administração que ainda tenta consolidar sua identidade.

Foi nesse contexto que me chamou atenção a gestão do prefeito Tiago Amaral (PSD). O slogan prometia “Um Novo Tempo para Londrina”, mas o governo segue enfrentando dificuldades para estabilizar a equipe. A vaga no comando do Núcleo de Comunicação, por exemplo, continua aberta desde a saída de César Makiolke, no início de agosto.

Conforme o blog ‘Paçoca com Cebola’, o prefeito teria recorrido a uma consultoria para ajudar na escolha do substituto. Um contraste curioso com a formação inicial do secretariado, que não passou por processo semelhante. O episódio, porém, está longe de ser o único ruído. Tiago Amaral também enfrenta um embate com o Ministério Público do Paraná por causa do uso de recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente.

A 20ª Promotoria de Justiça considerou irregular a utilização de valores do fundo em despesas de outras áreas da administração e recomendou a devolução dos recursos. Reportagens locais apontam que o montante discutido pelo MP ultrapassa R$ 20 milhões. A prefeitura, por sua vez, sustenta que a operação tem respaldo jurídico, inclusive na Emenda Constitucional 136/2025.

A controvérsia ganhou dimensão política porque o caso também chegou à Câmara Municipal. Vereadores passaram a discutir a possibilidade de uma comissão de investigação para apurar a utilização dos recursos, enquanto o Ministério Público sinalizou que, se a recomendação não fosse atendida, o assunto poderia ser judicializado.

E TEM MAIS

Somam-se a isso trocas de secretários, remanejamentos e uma reforma administrativa ainda em construção. A própria mudança recente no comando do Ippul mostra que o governo continua redesenhando peças importantes da máquina. Nesse cenário, a cadeira vazia na comunicação deixa de ser apenas um problema de nomeação. Ela acaba simbolizando uma gestão que ainda procura organizar internamente aquilo que precisa explicar para fora.

Conhecendo Londrina mais de perto, vejo uma cidade politicamente atenta e pouco tolerante a improvisos prolongados. Talvez por isso a pergunta sobre quem comandará a comunicação seja hoje apenas parte de uma questão maior. Ou seja: quando o “Novo Tempo” deixará de parecer um governo em montagem e passará a ter uma identidade suficientemente clara para enfrentar, ao mesmo tempo, os problemas administrativos, o desgaste político e os questionamentos institucionais? Olha só, e a oposição está com olhares atentos, ávidos, esperando os próximos desdobramentos.

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Cristina Esteche

Jornalista

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