22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava

Campanha eleitoral ainda é tímida nas ruas de Guarapuava

Josiel Lima levou maior número de pessoas ao Calçadão; propaganda ainda é discreta nas principais avenidas de Guarapuava

Josiel movimenta o centro da cidade (Foto: divulgação)

A campanha eleitoral de 2026 já começou, mas quem circulou pelas principais ruas de Guarapuava no último sábado (5) encontrou um cenário bem diferente daquele registrado em eleições anteriores. O tradicional Calçadão da XV de Novembro, que em outros pleitos chegou a ser disputado quadra a quadra por candidatos, cabos eleitorais, bandeiras e distribuição de material, apresentou uma movimentação ainda discreta.

Josiel Lima (Foto: divulgação)

Entre os grupos que apareceram no centro estavam apoiadores de Cristina Silvestri e Professora Terezinha, ambas candidatas a deputada federal. Cristina, atualmente deputada estadual, disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Progressistas. Já Professora Terezinha, vereadora de Guarapuava, concorre pelo PT.

Quem conseguiu produzir maior impacto visual no Calçadão foi Josiel Lima. Candidato a deputado estadual pelo MDB, o guarapuavano levou um grupo maior de apoiadores e registrou, entre os nomes observados no sábado, a movimentação mais significativa no centro da cidade. Josiel concorre pela primeira vez a uma cadeira na Assembleia Legislativa, depois de ter disputado uma vaga de deputado federal em 2022. Ainda assim, o quadro geral é de uma campanha tímida quando comparada a outros períodos eleitorais.

PESA NO BOLSO

A explicação passa, em parte, pelo bolso. Coordenadores de campanha ouvidos nos bastidores apontam que colocar equipes permanentemente nas ruas tornou-se uma operação cara. Material gráfico, bandeiras, estruturas de apoio, pessoal e logística pesam nas contas, levando os comandos eleitorais a selecionar melhor onde e quando concentrar seus recursos.

Essa redução é percebida também em algumas das avenidas de maior circulação. Na Manoel Ribas e na avenida Prefeito Moacyr Júlio Silvestri, os tradicionais ‘wind banners’ começaram a aparecer, mas ainda de forma esparsa. Entre os que chamam mais atenção está a propaganda de  Cristina Silvestri, candidata a deputada federal  e Cesar Filho (estadual). Também há presença visual da campanha do ex-vereador de Guarapuava Joel Estefano Iatskiu, o Amigo Joel, candidato a deputado estadual pelo PL. Janaína Naumann, candidata a federal, também marca presença perto do Chafariz da XV. Outras candidaturas de fora da cidade também surgem ao longo das avenidas.

CENÁRIO MUDOU

O cenário, portanto, sugere uma mudança importante na forma de fazer campanha. Se antes a demonstração de força passava necessariamente por ocupar os principais cruzamentos, pintar a cidade com bandeiras e reunir grandes equipes em áreas comerciais, agora boa parte das campanhas parece apostar em ações mais direcionadas.

O voto está sendo procurado dentro dos bairros, nas reuniões com pequenos grupos, nas visitas a lideranças comunitárias e nos tradicionais arrastões. É uma estratégia menos visível para quem apenas atravessa o centro, mas potencialmente mais eficiente para quem precisa transformar exposição em voto.

NOVO TERRITÓRIO

As redes sociais completam esse novo território eleitoral. Vídeos curtos, agendas de campanha, encontros com apoiadores, pedidos de voto e registros de visitas passaram a ocupar diariamente Instagram, Facebook e outras plataformas. Para campanhas com estruturas menores, o ambiente digital oferece alcance sem exigir a mesma quantidade de pessoas espalhadas fisicamente pelas ruas. Mas a internet também impõe um desafio: muito alcance não significa necessariamente voto.

Em uma eleição com vários candidatos locais e outros tentando conquistar espaço eleitoral em Guarapuava, a capacidade de criar vínculo pessoal continua sendo considerada decisiva. Por isso, mesmo com a campanha digital cada vez mais profissionalizada, o velho corpo a corpo permanece no centro das estratégias. Talvez seja justamente essa a principal característica desta fase da eleição: menos barulho nas ruas não significa necessariamente menos campanha. Significa que a disputa mudou de endereço.

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Cristina Esteche

Jornalista

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