71ª fase da Lava Jato é deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta (18)

Evidências indicam que funcionários da Petrobras apadrinhados pelo ex-Ministro de Minas e Energia angariavam propina em negócios da área comercial

Polícia Federal cumpre 11 mandados de busca e apreensão nesta fase (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Foi deflagrada, nessa quinta (18), a 71ª fase da operação Lava Jato. Conforme o Ministério Público Federal houve o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro. Desse modo, as medidas objetivam aprofundar as apurações relacionadas ao envolvimento de operador financeiro ligado a ex-Ministro de Minas e Energia em esquemas de corrupção na área comercial da Petrobras. As investigações analisam especialmente no comércio externo de asfalto e de produtos escuros.

De acordo com o Ministério Público, com as diligências, também se almeja aferir se são procedentes os indícios de que a atuação de tal operador financeiro teria se estendido para outros negócios da área comercial da Petrobras e também para negócios da área petroquímica da estatal.

Dentre as provas colhidas na investigação, destacam-se mensagens de e-mail e planilhas que demonstram que, ao menos de 2008 a 2014, representando o ex-Ministro, o operador financeiro intercedia para que funcionários da Petrobras apadrinhados fossem alçados e mantidos em cargos estratégicos.

Conforme as investigações a finalidade era desenvolver esquemas de geração de propina, a exemplo dos implementados nas importações de asfalto e nas importações e exportações de produtos escuros, os quais já foram parcialmente denunciados pelo Ministério Público Federal em ações penais que tramitam perante a 13ª Vara Federal de Curitiba.

INVESTIGAÇÕES

Ainda de acordo com o MP, as apurações caminham para confirmar o montante total de recursos ilícitos recebidos pelo operador financeiro investigado. E ainda, já há indícios de que, após os rateios de propina nos mais variados esquemas de corrupção em que teria tomado parte, as cifras que lhe couberam alcançariam a casa dos milhões de dólares.

Além do operador financeiro ligado ao ex-Ministro, também são alvos das medidas de busca e apreensão o seu irmão, que o auxiliava no recebimento das vantagens indevidas. Além disso, quatro doleiros responsáveis pela internalização de ao menos US$ 1.9 milhão em recursos ilícitos no Brasil por meio de operações financeiras ocorridas entre outubro de 2011 e agosto de 2016.

Dois deles utilizados pelo citado operador financeiro e outros dois utilizados por um ex-trader de produtos escuros da Petrobras à época lotado no escritório de Houston, no Texas, o qual hoje colabora com as investigações.

Esta fase se insere na frente da Lava Jato destinada a investigar ilícitos praticados em negócios da área comercial da Petrobras, composta por várias gerências subordinadas à Gerência Executiva de Marketing e Comercialização, que por sua vez está situada imediatamente abaixo da Diretoria de Abastecimento.

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