A invisibilidade que a noite revela

Cristina Esteche com fotos da RSN e de Caroline Bastos

Guarapuava – Só quem vê sabe em que condições subhumanas vivem os moradores em situação de rua em Guarapuava. O índice de miserabilidade física, econômica, e humana se esconde na invisibilidade social. Durante o dia eles perambulam pelas ruas da cidade à espreita da sociedade que os vê. À noite, eles saem e vão para seus 'mocós', muitos dos quais, no Centro da cidade, sob o olhar de quem os ignora.

(Foto: RSN)

Arnaldo possui família na Vila Planalto. O olhar alucinado, os farrapos que cobrem o corpo numa noite fria, a sujeira e o odor forte que exala, o afastam ainda mais. Mas ele é receptivo e só quer saciar a fome e matar o frio que dilacera o corpo franzino. Foi assim que o encontramos na noite de quarta (14). Eu, a Juliana, a Carol (Humanos de Guarapuava) e mais uma equipe do projeto Vida por Vidas. Ele dividia um colchão de solteiro com outros dois homens, numa cama improvisada com tijolos, ali no antigo posto de combustível na esquina da Avenida Moacir Silvestri com a rua Saldanha Marinho. “A gente divide tudo o que ganha. Eu moro aqui, mas não posso ver meus companheiros passando frio”, diz José. Quando vê a marmita com comida, Arnaldo se levanta e começa a comer. Os demais esperam a conversa, a oração e as roupas doadas à campanha da RSN e Humanos de Guarapuava.

(Foto: Caroline Bastos)

(Foto: RSN)

A casa improvisada num vestiário ao lado da quadra de esportes na Praça Juscelino Kubitschek, abriga seu Lourenço, 63 anos. Uma cama box e um armário que ele mesmo fez para guardar as poucas roupas que tem são os seu pertences. “Moça, eu amo Jesus Cristo e é ele que me ajuda”, diz segurando um terço que traz pendurado no pescoço. “Vai demorar pra vir a comida? Eu tenho fome”, pergunta enquanto recebe os agasalhos que levamos. “Minha família mora ali”, aponta com a cabeça. “Mas eu morava na Unicentro e agora me mudei pra cá, já faz uns sete anos”. Lá no outro lado da cidade, na Rodoviária Municipal, encontramos o Jackson, o Corvo e outro senhor que não quis falar o  nome. “Eu sou Fábio Junior Machado, conhecido como Corvo e moro no Xarquinho. Nós aqui somos parceiros. Um ajuda o outro e vocês nos ajudam”, diz.

 

(Foto: Caroline Bastos)

“Meu nome é Jackson Chaves Antunes de Souza e moro na rua porque minha família não me aceita porque sou alcoólatra. O que tenho de falar eu falo mesmo”, afirma aguardando a marmita. “Dá uma vontade de comer logo, mas vamos esperar a oração”, diz. Depois de receberem calçados e roupas, Jackson reza a oração do Santo Anjo junto com todos. Enquanto eles comem, deixamos o local e seguimos para outro ponto. Já eram quase 23h e confesso que o frio me levou para casa. Os membros do projeto Vida por Vidas e as meninas do Humanos de Guarapuava seguiram em frente em busca de outras pessoas para agasalhar e alimentar.
 
AINDA DÁ TEMPO

(Foto: Caroline Bastos)

Se você ainda não fez a sua doação na campanha “Quebre o Gelo, Doe um Agasalho”, não perca tempo. Corra e leve cobertor, calçados ou roupas no Departamento de Jornalismo da RedeSul de Notícias, no 14º andar do Edifício Araucária, no Centro de Guarapuava.

A campanha encerra nesta quarta, 21 de junho.

 

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