Baiano fala sobre ano do futsal em Guarapuava

Guarapuava – Após um período de negociação, o técnico Eduardo Pacheco Coelho, o Baiano, renovou seu contrato com o Clube Atlético Deportivo para mais uma temporada. Em 2010, o time disputa novamente a “Chave Ouro”, principal divisão do futsal estadual. De acordo com ele, o objetivo é superar a campanha deste ano, quando o time terminou o paranaense na quinta posição, melhor colocação no estadual desde o retorno da cidade a “Chave Ouro”, em 2006. Nesta entrevista, o treinador faz uma avaliação da equipe na temporada e comenta o planejamento para o ano que vem. Baiano também fala sobre o futsal paranaense e a experiência de ter trabalhado no Japão.

Avaliação da campanha em 2009

“O ponto positivo foi o profissionalismo dos atletas, a entrega deles nos jogos. Além disso, a torcida desempenhou um papel muito importante. Foram vários os fatores positivos que fizeram com que a gente tivesse uma campanha tão boa, o que não era esperado por ninguém. Lógico que queríamos estar disputando o título, mas nosso objetivo foi traçado quando chegamos aqui e foi alcançado – que era ficar entre os oito. Acho que fizemos uma campanha muito boa, principalmente em casa. Perdemos uma partida só, mas infelizmente foi um jogo que não poderíamos perder.
Acho que o trabalho foi bem desenvolvido, começando com a diretoria, que nos deu as condições, a supervisão, a comissão técnica e os jogadores, que renderam bem, fizeram o melhor possível – dentro do ano inteiro não tivemos nenhum problemas extra-quadra, o que é algo muito importante”.

O que faltou a equipe para ter ido mais longe

“É difícil falarmos em sorte, mas acho que nós fomos melhor que a equipe de Umuarama e infelizmente não tivemos competência para colocar a bola para dentro. Foi isso que faltou, já que jogamos de igual para igual com todas as equipes. Contra a Copagril [de Marechal Candido Rondon], que está na final, jogamos três vezes, sendo que empatamos duas e ganhamos uma. Também vencemos São Miguel, outro time que está na decisão. Com Umuarama empatamos duas vezes e perdemos uma em casa, em um jogo decidido nos detalhes. Faltou um pouco de competência e tranqüilidade para marcar gols, já que jogamos melhor do que eles. Mas nem sempre o melhor vence.
Também faltou algo a mais nas partidas contra o Paraná Clube e Marechal Rondon, quando perdemos até pênalti. Se tivéssemos somado mais pontos poderíamos ter ficado em outra posição, evitando o confronto com Umuarama”.

O início do trabalho nesta temporada

“Estava fora do país, mas acompanhei, até pelas amizades que eu tinha aqui, o time ano passado. Já sabia que as coisas não dariam certo com os jogadores que estavam em Guarapuava. Meu objetivo foi, justamente, moldar a equipe de uma forma diferente para tirar essa imagem negativa que o time tinha. Sofremos bastante, tivemos algumas coisas cortadas ou limitadas, justamente por tudo o que aconteceu ano passado. Mas soubemos lidar com isso e montar uma equipe competente e profissional.
De forma geral conseguimos fazer aquilo que pretendíamos que era mudar a cara da equipe – muito mal falada na cidade para um time bem falado, que dá saudade no torcedor. A gente encontra o pessoal na rua e eles perguntam quando a equipe vai voltar, se os jogadores vão ficar. Conseguimos mudar o pensamento do torcedor sobre o time. Isso foi muito satisfatório”.

A adaptação à cidade

“Encontrei aqui uma estrutura boa, nos deram condições de trabalho e em 2010 a gente tende a montar uma equipe tão boa como à deste ano. Outro fator é que estamos muito bem na cidade, minha esposa está trabalhando e gostamos muito de Guarapuava. O reconhecimento da torcida no último jogo fez com que desejássemos demais permanecer aqui. Em todos os jogos o público lotou o ginásio, mas na última partida, o que chamou muito a atenção, foi que mesmo na derrota eles nos aplaudiram e incentivaram. Em um momento de muita tristeza tivemos uma ponta de alegria, que foi o reconhecimento da torcida”.

O time para 2010

Nós começamos o contato com os atletas nesta semana. Conversamos com alguns que estavam aqui conosco. Também tivemos contato com outros de fora. Estamos procurando fazer uma equipe competitiva, que tenha pelo menos 12 ou 13 atletas em condição de ser titulares para que a gente possa durante o ano inteiro trazer o público e tê-lo do nosso lado, com muito trabalho, profissionalismo e capacidade de jogo, buscando um passo a mais do que foi dado esse ano.
No dia primeiro de fevereiro devemos começar os trabalhos, até porque não temos nenhuma competição antes de março. Vamos ter uma preparação boa como à deste ano, para suportar a temporada, com os jogadores tendo todas as condições de fazer seu melhor em quadra. Mas ainda vamos definir isso, estamos tendo reuniões, é conversando que vamos nos entender”.

O estágio atual do futsal paraense

“O futsal está crescendo no Paraná. Maringá fez uma boa campanha na Taça Brasil, Umuarama foi o terceiro na Liga [Campeonato Brasileiro], Copagril fez uma bela campanha [foi eliminado nas quartas de final do brasileiro], Foz vai disputar a Liga ano que vem… O Campeonato Paranaense esse ano foi muito bom e a tendência é melhorar em 2010. As equipes estão cada vez mais profissionais e buscando melhores condições para poderem ser campeãs”.

A experiência no futsal japonês

“O Japão foi o local mais diferente em que eu trabalhei. É estranho, a cultura, a alimentação, a língua. Tentei me adaptar, fazer o melhor possível. Fizemos uma boa temporada no primeiro ano. Já na segunda tive alguns problemas particulares – minha esposa não conseguiu se adaptar lá, o que fez com que eu voltasse antes do tempo previsto, já que a minha idéia era ficar pelo menos três anos no Japão.
Uma característica interessante é que, quando estão em quadra, as vozes de comando deles são em português. Eles são todos japoneses – a minha equipe na primeira temporada tinha um brasileiro só –, mas na hora de gritar uma voz de comando eles falam em português, coisas do tipo ‘fica’, ‘atrás’, ‘defende’, ‘marca’. Achei bastante estranho porque eram todos japoneses usando nossa língua para se comunicarem. Além dos brasileiros que trabalharam por lá, alguns jogadores japoneses realizaram estágios aqui e começaram a pegar a linguagem do futsal em português, o que talvez explique essa situação”.

Foto: técnico Baiano confirma sua permanência em Guarapuava para o ano quer vem (Blog Clique Esporte)

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