22/08/2023
Cotidiano Em Alta Região

Campina do Simão rompe décadas de espera e abre um novo caminho para o desenvolvimento

Investimento de R$ 31,2 milhões transforma antiga estrada de terra em novo corredor regional para produção agrícola, indústria e ligação com o Oeste do Paraná

Pavimentação da Estrada Piquiri (Foto: divulgação/Prefeitura)

Uma obra aguardada por gerações começa a mudar a paisagem e, sobretudo, as perspectivas econômicas de Campina do Simão. Na quinta (13), a pavimentação da Estrada Piquiri, ligação entre Campina do Simão e Santa Maria do Oeste, avançou para uma das etapas mais esperadas pela população. No trecho campinense serão 13,4 quilômetros de asfalto, com investimento de R$ 31.224.000, em uma estrada com pista de sete metros de largura. A execução utiliza Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), conforme o projeto.

Mais do que substituir a poeira e a lama pelo asfalto, a obra tem potencial para redesenhar a logística de uma parte importante da Região Central do Paraná. A Estrada Piquiri atende diretamente produtores rurais e propriedades agrícolas. Assim como atividades ligadas à madeira e ao reflorestamento. E também o deslocamento de trabalhadores para empresas instaladas na divisa dos municípios. O Governo do Estado destaca justamente o fortalecimento da logística rural e o escoamento da produção entre os principais objetivos do investimento.

Pavimentação beneficia dois municípios (Foto: divulgação/Prefeitura/Campina do Simão)

UMA ESTRADA PARA A PRODUÇÃO

Durante décadas, quem produz no interior da Região conviveu com uma estrada de chão sujeita às condições do tempo. De acordo com o prefeito André Junior de Paula, na época de chuva, o transporte de cargas enfrentava dificuldades; nos períodos secos, a poeira fazia parte da rotina de moradores e motoristas.

Para uma Região em que caminhões entram e saem diariamente das propriedades, melhorar a estrada significa reduzir tempo de viagem, dar maior previsibilidade ao transporte e melhorar as condições para retirar a produção no plantio e, principalmente, na colheita.

Produtores ouvidos quando houve a autorização da obra relataram justamente a dependência diária da Estrada Piquiri para transportar a produção. O impacto, entretanto, vai além da agricultura. A Região possui atividades relevantes de produção de madeira, reflorestamento e celulose.

Em Santa Maria do Oeste, trabalhadores fazem diariamente o percurso em direção a uma indústria localizada próxima à divisa com Campina do Simão. Com o asfalto, esse deslocamento tende a ganhar em segurança, regularidade e economia.

NOVO CAMINHO PARA O OESTE

Pavimentação reduz distância e beneifica escoamento da produção (Foto: divulgação/Prefeitura/Campina do Simão)

Há ainda um efeito estratégico. Quando os dois lotes estiverem concluídos, a Estrada Piquiri formará uma ligação pavimentada de aproximadamente 22 quilômetros entre Campina do Simão e Santa Maria do Oeste. O trecho de Santa Maria possui 8,3 quilômetros e investimento próximo de R$ 13 milhões. Somadas, as duas frentes representam cerca de R$ 44,3 milhões em recursos estaduais.

A expectativa é de que a nova ligação beneficie também deslocamentos envolvendo municípios como Palmital, Laranjal e Nova Cantu, além de abrir uma alternativa para quem segue em direção ao Oeste do Paraná, incluindo Cascavel e Foz do Iguaçu. Conforme  a administração de Campina do Simão, a nova rota pode evitar parte dos deslocamentos que hoje exigem passagem por Guarapuava e pela BR-277, encurtando caminhos para determinados trajetos regionais.

Essa mudança pode alterar também a própria dinâmica econômica de Campina do Simão. Uma cidade que durante muito tempo esteve no ponto final de determinadas rotas pode se transformar em local de passagem de produtores, caminhões, trabalhadores e viajantes. Mais circulação significa potencial de movimento para postos de combustíveis, restaurantes, comércio, serviços e hospedagem. Trata-se de efeitos econômicos que ultrapassam os quilômetros de pavimento construídos.

UMA ESTRADA QUE MUDA O MAPA DA REGIÃO

A pavimentação integra o programa Estrada Boa, iniciativa estadual voltada à infraestrutura das estradas rurais. O programa lançado em 2025 conta investimentos superiores a R$ 3,6 bilhões. E prevê intervenções em milhares de quilômetros de vias, conectando comunidades rurais, propriedades, cooperativas e agroindústrias à malha rodoviária.

De acordo com o prefeito André Junior de Paula, para Campina do Simão, entretanto, os números contam apenas parte da história.

São 13,4 quilômetros que representam o fim de uma espera de décadas. Uma estrada que sempre serviu para levar produção, trabalhadores e famílias agora passa a ter condições de assumir outra função: tornar-se um verdadeiro eixo de integração e desenvolvimento.

O asfalto entre Campina do Simão e Santa Maria do Oeste, portanto, não aproxima apenas duas cidades. Aproxima o produtor do mercado, o trabalhador do emprego, os municípios de novos investimentos e uma região inteira de novas oportunidades.

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Cristina Esteche

Jornalista

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