22/08/2023
Cotidiano Em Alta Região

Caso de Campo Largo reacende debate ufológico, diz pesquisador de Guarapuava

Após o caso que viralizou em Campo Largo, Emmanuel Sanchez afirma que o Paraná vive uma das fases mais intensas de relatos ufológicos dos últimos anos

Emmanuel Sanchez (Foto: Arquivo pessoal)

As imagens de luzes misteriosas registradas por um influenciador digital na área rural de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, transformaram-se em um dos assuntos mais comentados da internet nos últimos dias. O caso dividiu opiniões nas redes sociais e atraiu o interesse de pesquisadores de fenômenos aéreos anômalos de diversas partes do país, incluindo Guarapuava.

O autor das imagens é Mayk Leão, de 31 anos. Ele registrou luzes em formato circular na região serrana próxima à propriedade onde mora e cria animais resgatados. Antes do avistamento, afirmou ter percebido comportamentos incomuns entre os animais, além de sons que considerou estranhos vindos da mata. As gravações foram compartilhadas em tempo real pelas redes sociais e rapidamente alcançaram milhões de visualizações.

Embora Mayk esteja convencido de que presenciou algo fora do comum, o caso segue sem conclusão. Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), informou que não houve registro de objetos desconhecidos pelos radares de defesa aérea na data do episódio.

Influenciador Mayk Leão (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Mayk ganhou mais de um milhão de seguidores em menos de três dias

REPERCUSSÃO CHEGA A GUARAPUAVA

Entre os pesquisadores que acompanham o caso está o engenheiro-agrônomo e professor guarapuavano Emmanuel Sanhez, 64, fundador da Academia das Projeções. Atuando publicamente com investigações ufológicas desde 1987, ele afirma que a repercussão do episódio se deve principalmente à forma como tudo foi registrado.

Segundo Sanhez, diferentemente de muitos relatos que chegam aos pesquisadores apenas dias ou semanas depois dos acontecimentos, o caso de Campo Largo foi compartilhado praticamente em tempo real.

“O que torna esse caso relevante é que ele não era uma pessoa envolvida com a ufologia. Ele estava vivendo a rotina dele, cuidando dos animais, e começou a registrar aquilo enquanto acontecia”, afirmou.

Para o pesquisador, a longa duração das gravações e a sequência de publicações feitas durante o evento contribuíram para o interesse despertado pelo episódio.

CONTATOS IMEDIATOS EM GUARAPUAVA E REGIÃO

Sanhez afirma que Guarapuava e municípios do entorno figuram entre as áreas do Paraná com recorrência de relatos envolvendo objetos voadores não identificados.

“É difícil passar um mês sem que recebamos vídeos ou relatos de aparições na região. Quase toda semana alguém procura a academia para contar uma experiência de avistamento”, disse.

Entre os episódios lembrados pelo pesquisador estão relatos de luzes esféricas observadas em áreas rurais, objetos luminosos registrados por moradores da região e até investigações relacionadas aos chamados agroglifos (desenhos que surgem em plantações).

Um dos casos mais conhecidos ocorreu em Prudentópolis, em 2015, quando uma formação geométrica apareceu em uma lavoura de trigo e chamou a atenção de pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

COMO FUNCIONA UMA INVESTIGAÇÃO

Apesar do interesse popular que fenômenos desse tipo costumam despertar, Sanhez afirma que uma investigação séria começa pelo descarte das explicações mais simples. De acordo com ele, o primeiro passo é ouvir detalhadamente a testemunha, reconstruir a cronologia dos fatos e avaliar todas as hipóteses possíveis.

“A prioridade é entender exatamente o que a pessoa viu, ouviu e sentiu. Depois são analisadas possibilidades como aeronaves, drones, fenômenos meteorológicos ou outras ocorrências naturais”, explicou.

A etapa seguinte envolve visitas ao local, registros fotográficos, medições ambientais e, em alguns casos, vigílias para verificar se o fenômeno volta a ocorrer. O pesquisador ressalta que nem todos os casos resultam em conclusões extraordinárias.

“Muitas vezes descobrimos que havia uma explicação natural para aquilo que parecia algo anômalo. Por isso é importante investigar antes de afirmar qualquer coisa.”

ENTRE A CURIOSIDADE E A CAUTELA

A popularização de celulares com câmeras de alta resolução e das redes sociais fez aumentar significativamente a circulação de imagens associadas a supostos OVNIs. Ao mesmo tempo, o avanço das ferramentas de edição digital e da inteligência artificial tornou a verificação ainda mais necessária. Segundo Sanhez, vídeos falsos chegam com frequência aos grupos de pesquisa.

“Hoje é preciso analisar tudo com muito cuidado. Existem montagens muito sofisticadas. Por isso a investigação não pode depender apenas de um vídeo isolado”, afirmou.

Ele destaca que, independentemente da conclusão sobre o episódio de Campo Largo, o caso tem um mérito importante: estimular o debate sobre fenômenos ainda não totalmente compreendidos.

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 thiagodeoliveirajor@gmail.com

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