22/08/2023
Cotidiano Economia Em Alta

Preço da Cesta básica recua em Guarapuava após quatro meses de alta

Mesmo com a queda, o custo da cesta comprometeu 47,82% do salário mínimo em junho, contra 44,32% no início do ano

Seis produtos ficaram mais baratos em junho e sustentaram o recuo da cesta (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

O custo médio da cesta básica em Guarapuava caiu para R$ 775,21 em junho, recuo de 1,58% em relação a maio, quando o conjunto de alimentos custava R$ 787,68. É a primeira queda depois de quatro meses seguidos de alta, aponta levantamento do Núcleo de Estudos e Práticas Econômicas (Nepe), do Departamento de Ciências Econômicas (Decon) da Unicentro.

O ano começou com queda acentuada em janeiro (-7,67%), seguida por altas em fevereiro (+0,47%), março (+4,99%), abril (+1,43%) e maio (+2,49%). Junho interrompeu essa sequência.

FEIJÃO AUMENTA MAIS DE 11%

O destaque negativo do mês foi o feijão, com alta de 11,70%. A quebra de safra, condições climáticas adversas e a busca por grãos de maior qualidade pelas indústrias alimentícias pressionaram o preço. Os baixos valores pagos ao produtor no ano anterior também desestimularam o plantio, reduzindo a área cultivada no primeiro semestre. Também subiram: manteiga: +2,83%; leite: +2,48% e banana: +1,72%.

AÇÚCAR PUXA AS QUEDAS

Seis produtos ficaram mais baratos em junho e sustentaram o recuo da cesta. O açúcar liderou a queda, com −11,75%, influenciado pela ampla oferta global com o início da grande safra de cana-de-açúcar 2026/27 no Centro-Sul do país. Também caíram:

  • Batata: −8,21%
  • Farinha de trigo: −7,70%
  • Óleo de soja: −6,27%
  • Café: −5,37%
  • Pão francês: −3,35%

Ao todo, três dos 13 itens da cesta ficaram mais caros em junho — o que o estudo chama de Índice de Difusão de 38%. As quedas foram proporcionalmente maiores que as altas, resultando no recuo final do valor da cesta.

PODER DE COMPRA SEGUE MENOR QUE EM JANEIRO

Quem recebe um salário mínimo (R$ 1.621) precisou dedicar 47,82% da renda à cesta básica em junho, o equivalente a 98,42 horas de trabalho. Apesar da queda mensal, o percentual segue mais alto do que em janeiro, quando o comprometimento era de 44,32%. O reajuste do salário mínimo, de R$ 1.518,00 para R$ 1.621,00, perdeu parte do efeito ao longo do semestre.

Na série histórica, o comprometimento de 2026 é o menor desde 2023: em 2025 chegou a 51,22% e em 2024, a 51,29%.

IMPACTO MAIOR EM QUEM GANHA MENOS

Para trabalhadores com renda de até três salários mínimos, a cesta compromete em média 29,22% do salário, variando de 15,94% a 47,82%. Para cobrir alimentação e outras despesas essenciais — moradia, transporte, saúde e educação —, o salário mínimo necessário em Guarapuava foi estimado em R$ 5.503,78.

A variação de preços também depende de onde se compra. Em junho, o valor total da cesta oscilou entre R$ 450,30 nos estabelecimentos com produtos de menor preço e R$ 1.095,89 nos mais caros, com média de R$ 775,21. Os produtos de menor preço (classe C) foram os que mais subiram no mês. O Nepe destaca a pesquisa de preços como estratégia para reduzir o impacto no orçamento.

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 [email protected]

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