Casos de raiva despertam alerta em Prudentópolis

O índice de animais infestados com raiva em Prudentópolis está preocupando os técnicos da Vigilância Sanitária Estadual, através da 5ª Regional de Saúde de Guarapuava.

O principal transmissor da raiva dos herbívoros é o morcego hematófago (morcego vampiro) da espécie Desmodus rotundus. Essa espécie é abundante em regiões de exploração pecuária, em especial a região de Prudentoplois, pelo elevado numero de abrigos naturais.

De acordo com dados da Seção de Vigilância Sanitária Ambiental e Saúde do Trabalhador da 5ª Regional de Saúde de Guarapuava (SCVSAT), no ano de 2013 foram comprovados por exames laboratoriais 12 herbívoros positivos (bovinos, eqüinos, ovinos). “Este ano já tivemos comprovados um eqüino e um morcego. Contudo, sabemos que os casos comprovados laboratorialmente só nos mostram a ponta do Iceberg, um referencial de monitoramento da distribuição da circulação viral”, explica o chefe da SCVAT, Rodrigo Ribas Martins.

 PRINCIPAIS CAUSAS DA CONTAMINAÇÃO

Conforme Rodrigo, percebeu-se que existe uma relação direta entre o aumento do número de sugaduras e o de casos positivos de raiva com o aumento da área cultivada e, conseqüentemente, a diminuição da mata nativa. “O homem recebe o vírus da raiva através do contato com as secreções do animal enfermo. Isto quer dizer que, para ser inoculado, não precisa necessariamente ser mordido – basta que um corte, ferida, arranhão profundo ou queimadura em sua pele entrem em contato com a secreção do raivoso. Há também o risco do contato com córneas e mucosas”, enfatiza.

 AÇÕES PARA CONTER O AVANÇO DA RAIVA

“Vacinar é um dos principais procedimentos do manejo sanitário, pois se trata de um ato inteligente e prudente, com boa relação custo-benefício. A função das vacinas é propiciar a proteção dos animais contra as enfermidades naturalmente ocorrentes na região onde o rebanho se encontra”, diz o especialista.

DEVE-SE EVITAR

– Tocar em animais estranhos, feridos e doentes;

– Perturbar animais quando estiverem comendo, bebendo ou dormindo;

– Separar animais que estejam brigando;

– Entrar em grutas, furnas ou forros que apresentem sinais de qualquer tipo de morcego estando eles vivos ou mortos;

– Criar animais silvestres ou tirá-los de seu "habitat" natural, Toda e qualquer agressão por animal silvestre deve ser considerada GRAVE;

– Tomar todo o cuidado com o contato com saliva de animais doentes, através de mordeduras, arranhões ou lambeduras, (não necessariamente precisa se ter a agressão);

– Deve-se informar a existência de morcegos de qualquer espécie em horários e locais não habituais (voando baixo, durante o dia, caídos…), lembrar-se de evitar qualquer contato direto com o animal.

IMPORTANTE: Nos Herbívoros há grande concentração viral no sistema nervoso, principalmente em cérebro e medula, o que leva aos riscos de quem faz o abate destes animais, por isso ressalta-se a importância do abate inspecionado, não se devendo abater animais doentes, ou com alteração de comportamento.

– Problemas para a população que a infestação pode trazer;

Em virtude do caráter letal, a raiva é considerada uma moléstia zoonótica extremamente importante.

Estima-se que a raiva bovina cause prejuízos anuais de muitos milhões, provocados pela morte de milhares de cabeças, além dos gastos indiretos que podem ocorrer com a vacinação de milhões de bovinos e inúmeros tratamentos pós-exposição (sorovacinação) de pessoas que mantiveram contato com animais suspeitos.

 AÇÕES DA 5ª REGIONAL

“A Vigilância em Saúde tem trabalhado nos municípios que apresentam animais positivos, priorizando a informação e levando o conhecimento a população agindo também na busca ativa das pessoas que tiveram contato com os animais positivos ou suspeitos. A população em geral não da a devida importância aos riscos da raiva, como por exemplo: Os acidentes ofídicos no Brasil resultam em uma letalidade em torno de 0,45% a 1,87% já a raiva apresenta geralmente 100 % de letalidade. Mesmo assim quando um morcego adentra uma residência a reação é bem diferente do que se fosse uma cobra”, acrescenta Rodrigo.

Todas as espécies de morcegos, hematófagas ou não, são susceptíveis ao vírus da raiva, podendo transmitir a doença e apresentar sinais e sintomas da raiva, cursando para a morte. Não são, portanto, "portadores sãos", como antigamente se acreditava. Todos os morcegos são crepusculares ou noturnos, pois só voam ao anoitecer ou à noite. Durante o dia repousam, em seus caseiros, pendurados pelas garras e de cabeça para baixo. Sendo assim qualquer morcego encontrado durante o dia ou pelo chão tende a ser considerado doente, possivelmente acometido por RAIVA, devendo ser evitado o contato, cuidar o acesso dos animais domestico a estes. O vírus está sendo liberado na saliva e a incubação da doença pode levar até um ano.

“Contudo não devemos esquecer que os morcegos são capazes de realizar, com eficiência, o controle populacional de diversas espécies, inclusive daquelas capazes de nos transmitir doenças ou causar prejuízos econômicos, como ratos, mosquitos e pragas de plantação em geral. Além disso, graças a eles, há a polinização eficiente de diversas plantas e a dispersão de sementes, auxiliando também na recomposição de ambientes destruídos”, explica, acrescentando que “ressalta-se a importância do trabalho em parceria com a SEAB”.

IMPORTANTE

– Cabe ao proprietário notificar imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial a suspeita de casos de raiva em herbívoros, bem como a presença de animais apresentando mordeduras por morcegos hematófagos, ou ainda informar a existência de abrigos desses morcegos. A não-notificação coloca em risco a saúde dos rebanhos da região, podendo expor o próprio homem à enfermidade.

– Sendo a raiva uma enfermidade de notificação compulsória, caberá sanção legal ao proprietário que não cumprir com esta obrigatoriedade.

 – Os primeiros sintomas apresentados pelos bovinos infectados são: perda de apetite, inquietação e mudança de hábitos (procuram esconder-se, mantêm-se imóveis ou deitados em um só local). Quando estimulados, os animais apresentam dificuldade em se deslocar, devido à paralisia dos membros posteriores. O andar cambaleante agrava-se à medida que a doença evolui. Devido à paralisia da mandíbula e dificuldade de deglutição, os animais podem apresentar salivação intensa, aparentando estarem engasgados. Observam-se tremores musculares, diminuição dos movimentos ruminais e altera-se o mugido. A defecação torna-se difícil e as fezes apresentam-se secas, escuras, cobertas de muco e sangue. Os bovinos podem ficar ocasionalmente agressivos. Na fase final, o animal permanece em decúbito ventral ou lateral, não consegue levantar-se, apresenta contrações musculares e movimentos de pedalagem. Os bovinos geralmente morrem entre 4 e 6 dias após o início dos sintomas.

– Em eqüinos e ovinos, a sintomatologia é semelhante à observada nos bovinos.

 – Qualquer doença que cause sintomatologia nervosa pode ser confundida com os sintomas da raiva. Nos bovinos, a raiva pode confundir-se com botulismo, enterotoxemia, babesiose, intoxicações entre outras com sintomatologia nervosa. Nos eqüinos, deve-se confundir com  encefalomielite, rinopneumonite e intoxicações.

O que fazer quando for agredido por um animal?

– Lavar imediatamente o ferimento com água e sabão.

 – Procurar com urgência o Serviço de Saúde mais próximo.

 – Não matar o animal (cão e gato), e sim deixá-lo em observação durante 10 dias, para que se possa identificar qualquer sinal indicativo da raiva.

 – O animal deverá receber água e alimentação normalmente, num local seguro, para que não possa fugir ou atacar outras pessoas ou animais.

 – Se o animal adoecer, morrer, desaparecer ou mudar de comportamento, voltar imediatamente ao Serviço de Saúde.

 – Quando um animal apresentar comportamento diferente, mesmo que ele não tenha agredido ninguém, procure um veterinário.

RAIVA

Nomes populares:

Doença do Cachorro Louco, Hidrofobia

 

Sinais clínicos nos animais:

Inquietude, prurido no local da inoculação do vírus, tendência a atacar objetos, pessoas e animais. Alterações da tonalidade do latido (latido / mugido bitonal) e dificuldade para engolir.

 

Agente causador:

Lyssavirus, da familia Rhabdoviridae .

 

Formas de transmissão:

Através do contato com secreções do animal infectado, em geral por mordida, e mais raramente por arranhaduras ou lambeduras de mucosas.

A transmissão da raiva se convencionou classificar em ciclos de transmissão : urbana, rural, silvestre (aéreo outerrestre).

 

Espécies acometidas:

Enfermidade de caráter infeccioso, que acomete todos os animais de sangue quente.

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