22/08/2023
Cotidiano Em Alta Guarapuava

Cidade dos Lagos completa 12 anos e redefine o mapa urbano de Guarapuava

Cidade dos Lagos consolida uma aposta urbana que nasceu do reflorestamento e reúne moradia, saúde, educação, negócios, tecnologia e novos vetores de crescimento

Vilso Dubena e Odacir Antonelli (Foto: divulgação)

Há 12 anos, quando a Cidade dos Lagos começava a sair do papel, talvez fosse difícil visualizar tudo o que viria depois. Nesta quarta (9), o aniversário do bairro permite olhar para trás com outra perspectiva. O que surgiu a partir de uma área de reflorestamento acabou se transformando em um dos movimentos mais significativos de expansão urbana de Guarapuava.

Antes dos hospitais, universidades, edifícios, empresas, parques e grandes avenidas, havia eucaliptos e uma conversa entre dois empresários. Odacir Antonelli atuava no setor florestal e possuía áreas destinadas ao plantio. Vilso Dubena, com experiência em diferentes segmentos empresariais e também no cultivo de eucalipto, enxergou naquele terreno outra possibilidade. A pergunta era simples: por que limitar aquela área ao reflorestamento se ela poderia ter um futuro urbano?

Dubena e Antonelli (Foto: divulgação)

De acordo com Dubena e Antonelli, dessa provocação nasceu uma ideia ainda imprecisa, mas já carregada de ambição: criar um loteamento diferente. O diferencial, no entanto, não estaria apenas no tamanho das ruas ou na qualidade da infraestrutura. Eles perceberam que repetir a lógica tradicional, como parcelar a terra, vender lotes e encerrar o ciclo, seria pouco para uma área com potencial de interferir diretamente no crescimento da cidade.

A partir daí, o planejamento ganhou outra escala. Avenidas de 33 metros, grandes rotatórias, parques lineares, áreas verdes e espaços de convivência foram pensados não apenas para a demanda daquele momento. Se pensou para um fluxo urbano que ainda nem existia. Entre 2011 e 2012, o desenho inicial incorporou outros pilares: saúde, educação, segurança, sustentabilidade, conhecimento, geração de emprego e inclusão. Com o passar dos anos, inovação e tecnologia passaram a ocupar posição central nessa equação.

MUITO MAIS DO QUE RESIDENCIAL

Hospital São Vicente Unidade 2 (Foto: Hospital São Vicente)

O resultado é que a Cidade dos Lagos deixou de funcionar apenas como bairro residencial. A presença de shopping, hospitais, instituições de ensino, comércio, serviços, empreendimentos empresariais e diferentes padrões de moradia criou uma dinâmica própria. O Cilla Tech Park, de acordo com os empreendedores, acrescentou outra camada ao projeto, ao aproximar universidades, empresas, startups, pesquisa e tecnologia e reforçar a tentativa de transformar a região também em polo de conhecimento e negócios.

Há, ainda, uma característica que ajuda a explicar a dimensão do projeto: a diversidade de ocupação. Ao reunir empreendimentos ligados ao Minha Casa Minha Vida e imóveis de padrão mais elevado, a proposta busca evitar a construção de um território restrito a apenas uma faixa econômica. Em projetos urbanos dessa escala, esse talvez seja um dos maiores desafios: transformar diversidade prevista no planejamento em integração efetiva no cotidiano.

A LONGO PRAZO

Reserva dos Lagos (Foto: Vitor Malok)

Os idealizadores, conforme disse Odacir Antonelli, nunca trataram a Cidade dos Lagos como empreendimento de conclusão rápida.

Desde o começo, nós não queríamos simplesmente abrir ruas, dividir a área e vender terrenos. Queríamos construir um lugar que tivesse vida, que pudesse crescer junto com Guarapuava e continuar se transformando ao longo dos anos.

Doze anos depois, essa talvez seja a principal medida para avaliar o projeto. Não apenas pelo que já existe, mas pela capacidade de continuar atraindo investimentos e atividades capazes de sustentar a ocupação. Hoje, integrantes das novas gerações das famílias fundadoras já estão ligados ao empreendimento, enquanto os planos avançam para horizontes de 20 ou 30 anos, como diz Dubena.

Quando começamos, sabíamos que não era um projeto para terminar em cinco ou dez anos. Ainda temos muito para fazer. Queremos que a Cidade dos Lagos continue atraindo empresas, gerando empregos, trazendo conhecimento e melhorando a vida das pessoas.

A Cidade dos Lagos, portanto, nasceu de uma escolha incomum. Diante de uma área praticamente em branco, Dubena e Antonelli decidiram não reproduzir simplesmente a cidade que já existia. Doze anos depois, a questão deixou de ser apenas por que fazer diferente. O desafio agora é maior: provar, ao longo das próximas décadas, que aquilo que foi planejado como cidade do futuro conseguirá acompanhar as transformações da cidade real.

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Cristina Esteche

Jornalista

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