Deputados relembram trajetória política de Carli Filho na Assembleia

Curitiba – O deputado estadual Plauto Miró foi o primeiro parlamentar a fazer pronunciamento tão logo o presidente da Assembleia, deputado estadual Nelson Justus (DEM) leu o termo de renúncia de Fernando Carli Filho na sessão de hoje, segunda-feira, dia 1º de junho.
Uma série de apartes se seguiram cujo teor comum foi enaltecer o caráter e a conduta do ex-deputado dentro da Assembleia; o acidente como lição; a solidariedade às famílias envolvidas na tragédia e a evocação à Justiça Divina.
Tio de Carli Filho, Plauto Miró traçou a breve trajetória política do sobrinho na Assembleia, lembrando que era o deputado mais jovem na AL e membro de 12 comissões da Casa. Enalteceu a atitude do sobrinho em renunciar ao mandato perdendo, desta forma , o foro privilegiado.
Plauto Miró lembrou os princípios éticos e religiosos de Carli Filho e a conduta como político e como cidadão comum.
Finalmente, o parlamentar se solidarizou com as famílias que perderam seus filhos no acidente que envolveu também o ex-deputado na madrugada do dia 7 de maio e fez um apelo às famílias para que conversem com seus filhos.
O deputado Luiz Carlos Romanelli (PMDB) pediu a palavra e lamentando o episódio foi solidário com Plauto Miró e o prefeito licenciado de Guarapuava, Fernando Ribas Carli, também lembrando a participação do ex-deputado durante os três anos que atuou na Assembleia.
“Lembro perfeitamente do jovem que sentava aqui nesta fileira e que pertencia ao bloco de oposição, embora se auto-denominasse independente e que agora vai ter que responder na justiça comum pelo ato que cometeu. No tempo em que convivemos com ele aqui pudemos extrair o que tinha e melhor e mesmo sendo muito jovem apresentava uma maturidade muito maior. É com profunda tristeza que estamos vivendo este momento e tenho a certeza de que para ele (Carli Filho) este momento está sendo ainda pior”, afirmou.
Outro deputado a ser solidário com Carli Filho foi o democrata Durval Amaral. Ele também enalteceu a atuação do ex-parlamentar durante o tempo de cumprimento do mandato. “Por
diversas vezes Carli Filho se empenhou para exercer tal mandato e tive a oportunidade de recebê-lo em meu gabinete quando discutíamos projetos de leis e matérias que seriam defendidas por ele. Em outras vezes, fiz uma dobrada em discussões e emendas apresentadas por ele”, lembrou.
Para o democrata, o caso envolvendo o ex-deputado e os dois jovens que morreram foi uma fatalidade. “Tenho filhos com a idade do ex-deputado e nenhum pai gostaria de vivenciar uma situação destas – nem aqueles que perderam seus filhos na tragédia e nem o prefeito Carli. Temos que ter equilíbrio agora e ver que a tragédia nos deixa um exemplo muito forte de caráter e de dignidade por parte do ex-deputado que renuncia seu mandato quando muitos buscam foro privilegiado”, observou.
O deputado criticou a forma como a sociedade, em torno de uma comoção pública, pré-julgou o ex-parlamentar.
“Até a última sexta-feira Carli Filho não havia sido julgado, mas já estava condenado. Penso que a partir da renúncia o ex-deputado passa a ter o sagrado direito de defesa. Vivemos a comoção do deputado entre a vida e a morte como indigente durante horas logo após o acidente tinha uma repercussão normal como um simples acidente de trânsito, quando souberam que ele era deputado o caso tomou essa ampla repercussão”, afirmou.
O petista Tadeu Veneri, que foi o primeiro deputado a se pronunciar na Assembleia logo após a tragédia, defende que esse seja um marco no Paraná para que estatísticas de mortes no trânsito sejam reduzidas.
“Não é possível que continuemos perdendo vidas, que pais e mães chorem por perderem seus filhos no trânsito, que muitas não são acidentes, mas ações impensadas que podem resultar em tragédias. É preciso que nós tenhamos uma efetiva ação”, defendeu.
O deputado Artagão de Mattos Leão Junior (PMDB), que também é de Guarapuava, resumiu seu pronunciamento em duas passagens bíblicas que, segundo ele, lhe foram lidas por sua mãe (Cleri) na tarde de sábado. A primeira é do Livro de Profetas capítulo 24, versículo 17 e que diz para não se alegar quando o seu inimigo cai; a segunda é extraída de Provérbios, capítulo 16, versículo 1 e que fala de esperança. Para o deputado, é preciso esperar em Deus a justiça dos fatos.
Artagão Junior defendeu que fofocas e interesses políticos sejam deixados de lado e externou o seu carinho, a sua amizade e o seu reconhecimento a Carli Filho, até então, desafeto político do deputado em Guarapuava.
Nelson Justus, por sua vez, lembrou que a Assembleia, contrariando notícias veiculadas em alguns veículos de comunicação, em nenhum momento contatou o ex-deputado e nem o pressionou para a renúncia do mandato.

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