Desafios do EaD: como está sendo a adaptação do ensino a distância

Professores e alunos tentam driblar as dificuldades em aulas on-line. Mas, falta de acesso, de contato pessoal e a qualidade da internet ainda são barreiras

A falta de acesso e a qualidade da internet ainda são barreiras (Reprodução/Pixabay)

Com a chegada do coronavírus ao Brasil e a necessidade de evitar aglomerações, a educação a distância (EaD) passou a ser uma boa oportunidade, ou a única, para que alunos e professores continuem trabalhando e aprendendo durante o isolamento social.

Porém, o EaD tem movimentado a vida daqueles que nunca utilizaram plataformas virtuais para a educação ou fizeram uso poucas vezes. Esse é o caso da professora de graduação Raquel Rodrigues, que atua há mais de 25 anos e só teve uma prévia em 2009, na pandemia do H1N1.

“Já trabalhei nesse período com o ensino a distância, mas vou dizer que nem nos meus maiores pesadelos imaginei algo como o que está acontecendo agora”. Para ela, ainda há uma dificuldade em avaliar a situação atual. Afinal, estamos fora da nossa normalidade.

A adaptação e a tecnologia são os menores problemas encontrados por Raquel, o medo e a insegurança dos alunos e profissionais somam e dificultam a adaptação, o que dá outra ordem ao cenário. De acordo com a professora, o que realmente entra em questão são os fatores sociais.

O acesso dos alunos as tecnologias e a internet também deve ser levado em consideração. Nem todas as pessoas têm computadores, celulares e uma boa navegação. O mundo virou virtual nos últimos três meses, o cansaço está pesando, o trabalho invadiu a nossa vida pessoal, já que ultrapassa a carga horária. Isso é muito perigoso.

As mesmas dificuldades encontradas pela profissional, estão presentes na vida da estudante de direito Kamila Dib Kaminski. Assim, conciliar os horário de aula com os afazeres pessoais tem sido uma tarefa árdua.

“Está sendo muito difícil, os problemas com a internet também afetam a vida, como assistir as videoaulas? Sem contar que a falta de contato direto com os professores para tirar dúvidas é o que torna mais difícil”.

EDUCAÇÃO ESPECIAL E ANOS INICIAIS

Apesar da modalidade de ensino estar crescendo no país, a educação a distância afeta diretamente os alunos do ensino especial, que precisam de um profissional ao lado estimulando e auxiliando nas atividades. De acordo com a professora Elide Ferrari, profissional na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) este é um momento de readaptação.

A adaptação para as aulas on-line para o nosso setor não é fácil. Os alunos precisam do nosso acompanhamento em todas as atividades, eles encontram uma dificuldade maior. Alguns deles são de famílias que não tem acesso ao computador e a internet, boa parte mora no interior.

Pensando nisso, a opção encontrada é o planejamento de atividades que são enviadas por e-mail para a escola. Assim, a secretária da Apae imprime, coloca em uma pasta e a equipe do Sistema Único de Saúde (Sus) leva diretamente às famílias, já que faz visitas semanais aos alunos. Na visita seguinte, a equipe retorna com as atividades e os alunos recebem presenças nas aulas.

Elide, também é mãe de uma menina de 5 anos, que está nos anos iniciais do ensino. Ela comenta que auxilia tranquilamente as tarefas com a filha. Ser professora e ter acesso ao material auxilia nesse processo, mas reconhece que nem todos os pais têm essa opção.

Eu consigo adaptar as atividades, elas chegam por Whatsapp. Eu acho que para ela não é difícil fazer o que é mandado, mas sim estar longe da sala de aula. Ela pede todos os dias da professora, dos colegas e diz que está com saudades. Apesar de tentar suprir essa demanda, nunca será a mesma coisa.

MESTRADO

Após a graduação, algumas pessoas decidem fazer o mestrado, que é um grau acadêmico concebido pelas instituições de ensino superior, as universidades. Esse modelo é considerado um curso de pós-graduação e possui dois anos de duração.

Andrieli Heupa é estudante do mestrado em letras da Universidade Estadual do Centro-Oeste. Ela conta que está organizando a vida para as aulas on-line, mas afirma a falta que sente do contato. “As aulas on e ao vivo auxiliam bastante, mas falta o contato humano, a troca de conhecimento presencial”.

Para ela, a adequação do mestrado ao EaD está tentando, de todas as formas, suprir a necessidade dos alunos. “Todo mundo está tentando fazer o melhor possível, mas ainda têm pessoas que não conseguem acompanhar”.

De acordo com o professor Edson Santos Silva, docente no mestrado, são novos tempos e novas possibilidades.

Eu tenho 51 anos, ensino desde os 13 anos e nunca passei por essa experiência antes. Acredito que não temos a mesma força que ao ensinar na sala de aula. Falta o afeto presencial, dar apoio ao aluno quando ele está em um dia ruim. As aulas perdem a força, mas precisamos achar um meio termo. O novo carrega temor, mas é a hora de se apossar das tecnologias e enfrentar.

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