Empresário tece a transformação social no local onde trabalha

Cristina Esteche

Guarapuava – O zootecnista Gustavo Serpa se especializou na criação do bicho-da-seda e hoje crava o seu nome em eventos internacionais como a São Paulo Fashion Week, em desfiles das grifes Osklen, Cantão e Ronaldo Fraga. Mas o que existe por trás desse empreendimento de sucesso, criado pelo guarapuavano, em Maringá, é uma história de amor ao que faz, de sensibilidade, de olhar voltado ao lugar onde vive e, principalmente, do desejo de transformar a vida de vidas, apostando e dando oportunidade ao capital humano.

Quando formou nova família em Maringá, após uma viuvez precoce, Gustavo escolheu para morar um lugar de pouca concorrência imobiliária. Embora seja muito próximo ao Centro da cidade, o bairro Santa Felicidade ficava perto da lagoa de estabilização do esgoto. As 350 famílias que ali residiam tinham sido transferidas pela Prefeitura de uma ocupação irregular no entorno da ferrovia que corta a “Cidade Canção”. E foi ali que Gustavo Serpa, que também é professor universitário, montou a sua empresa, a Casulo Feliz. Começava então um projeto de transformação do bairro e da vida de pessoas, incluindo a sua, num lugar onde não havia creche, escola ou emprego e com índices mais altos de criminalidade no município.

 

Encantado com a produção do bicho-da-seda e com o que seria possível fazer, começou a produzir peças em teares, tecendo a sua própria indústria. E qual foi a mão-de-obra escolhida? As pessoas, homens e mulheres, que moravam na favela. “Eu queria a indústria dentro da favela, porque quem vai trabalhar para você, e se relacionar com você são seus vizinhos. Isso gera comprometimento entre os envolvidos”, diz Serpa à revista Indústria em Revista.

Para transformar empregadas domésticas e catadores de papel em tecelões, o empresário realizou cursos de capacitação, inicialmente, para 40 “vizinhos”. Os familiares tinham ao seu dispor cursos de música. José Fabiano é um deles. Aos 14 anos de idade foi “absorvido” por Gustavo Serpa e começou a trabalhar na separação de casulos. Hoje é gerente de produção.

Anos depois, a estação de tratamento de esgoto foi transferida e o bairro cresceu, assim como os negócios de Gustavo Serpa.”Hoje é um bairro de classe média e emprego 25 pessoas”.

A criatividade do zootecnista que virou estilista/artesão transforma de forma artesanal tudo o que bicho-da-seda produz, sem descartar absolutamente nada. “O artesanato nos dá a liberdade de criar. Em cima da simplicidade a gente resplandece a beleza”. São peças têxteis (moda e de decoração). Segundo Gustavo, há 25 anos, a Casulo Feliz nasceu totalmente sustentável, ecológica e sócio responsável.

Para se ter uma ideia, os fios de seda, são elaborados por processos naturais, com mínima intervenção de maquinário . “Nossa fiação é feita de forma a não haver praticamente nenhum resíduo dos fios e casulos ao final do processo”. As cores destes produtos são feitas de forma natural, com tingimento vegetal proveniente de plantas e compostos. Esse processo de tingimento promove a reciclagem e remuneração extra para pequenos empresários e agricultores. “Sou eu que crio e copio”, diz.

Para ele é simples, por exemplo, criar uma blusa confeccionada em crochê usando apenas os resíduos do tear de seda. A peça é de arrasar! 

 

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