Ex-jogador Serelepe relembra histórias do futebol guarapuavano

por Cleyton Lutz

Marcial Pereira Aponte fez parte de um período em que um futebol de Guarapuava foi temido. Mas talvez ninguém o conheça pelo nome de batismo. Já Serelepe, ponta-direita do Grêmio Esportivo do Oeste, esse sim, é bem mais conhecido. O ex-jogador, nascido no Paraguai, chegou a Guarapuava em 1960 para defender a equipe do Pavão e desde então se tornou personagem onipresente no futebol da cidade.

Em seu país de origem, Serelepe jogou, como juvenil, por Sol de América e San Lorenzo. Com 18 anos na época e acompanhado por mais três irmãos, o atleta em início de carreira chegou a Guarapuava para atuar como semi-profissional. A rapidez com que desenvolvia as jogadas pelo lado direito do campo logo lhe valeram o apelido pelo qual ele é conhecido hoje. “Na época fiquei bravo [com o apelido]. Aí pegou mesmo”, comenta.

Depois de jogar pelo Pavão, onde conquistou o amador de 1963, Serelepe se transferiu para o Grêmio Esportivo do Oeste, então uma equipe amadora. O bom futebol apresentado resultou em uma ida ao Coritiba, em 1965. O jogador ficou um ano na capital paranaense, conquistando o vice-paranaense, e retornou a Guarapuava para participar da melhor fase do Grêmio. Disputou a Taça Paraná, o estadual de amadores, e após a profissionalização do clube participou do acesso da equipe à divisão principal do paranaense.

Em 1968, o Grêmio venceu a “zona Sul” da segunda divisão ao bater o Tuiuti de Cascavel e garantiu uma vaga na elite do futebol profissional paranaense. Da época sobraram o reconhecimento, uma porção de amigos e várias histórias, já que os salários dos atletas no período eram bem diferentes dos de hoje, mesmo para os profissionais.

No mesmo ano em que conseguiu o acesso no paranaense, o Grêmio recebeu, e venceu, o Atlético Paranaense – que contava com jogadores consagrados como Djalma Santos, Bellini, Dorval e Nair – com o campo do estádio Bororó coberto de neve. Na época, o Grêmio possuía jogadores como Sebastião Lapolla, ex-diretor do Palmeiras, e Manoelito, pai do ex-lateral-esquerdo da Seleção Brasileira, Dida.

Mas a melhor fase do clube foi em 1970. Em seu segundo ano no paranaense, o Grêmio, integrante do grupo A da competição, conseguiu classificação ao hexagonal final do estadual. Na fase decisiva, o time brigou pelo título com Atlético e Coritiba. Depois de um jogo controverso contra o Coxa, em Guarapuava, o Grêmio terminou o paranaense na terceira posição, atrás apenas da dupla Atletiba.

Na partida, os times empatavam em 1 a 1 até que o árbitro marcou um pênalti para os visitantes. “A torcida revoltada invadiu o campo, do mesmo jeito que aconteceu domingo passado em Curitiba. O pênalti não foi cobrado e o Coritiba se beneficiou disso”, conta. Ele explica ainda outro detalhe importante daquele jogo. “Na época não existiam muitos policiais na cidade. Então, o Coxa trouxe vários seguranças para fazer pressão no árbitro” – algo que adiantou, já que no final o Atlético ficou o título.

Serelepe participou ainda da campanha do Grêmio em 1971, última na primeira divisão, e retornou ao Paraguai para jogar mais um ano pelo San Lorenzo. Como técnico, ele conquistou o vice-campeonato da Taça Paraná com o Batel nos anos 1980. O trunfo impulsionou a entrada do clube no futebol profissional no final da década. Pela terceira vez Guarapuava tinha um time no paranaense (leia mais no box abaixo).

Depois de encerrar a carreira, Serelepe estabeleceu residência em Guarapuava. Casou, teve três filhos, trabalhou como taxista e administrou uma mercearia. Hoje ele possui uma empresa de transportes e mora no bairro Morro Alto. Seu irmão Artêmio, que também atuou pelo Grêmio, assim como Serepele, segue em Guarapuava.

O futebol em Guarapuava: 90 anos de História

Em 2009, o futebol completa 90 anos em Guarapuava. É que em 1919 foram fundadas as três primeiras equipes dedicadas ao esporte na cidade, casos de Paraná Esporte Clube, Operário Futebol Clube (ambos não existem mais) e Guarapuava Esporte Clube. Após passar por um período de ostracismo nos anos 1930, o futebol renasceu na cidade na década seguinte com a reativação do Guarapuava e a fundação do Grêmio Esportivo do Oeste, dando origem a rivalidade “Gre-Gua”, a maior do futebol local e que teve seu auge nos anos 1950.

Na década seguinte, a cidade começou a se projetar no cenário estadual. Primeiro com o vice do Grêmio na Taça Paraná de 1966. Depois o clube foi o terceiro no paranaense profissional de 1970. Campanhas mais discretas realizou o Guarapuava nos estaduais dos anos 1970. Apesar de disputar o paranaense por apenas dois anos, o clube conseguiu bater Atlético e Coritiba jogando na capital.

No começo da década de 1990 foi a vez do Batel surgir no cenário estadual. O clube – que já havia conquistado o vice da Taça Paraná em 1985 – realizou boas campanhas como a de 1994, quando o clube ficou a um ponto do quadrangular final do paranaense. No mesmo ano o time disputou a Série C do Brasileiro. Com altos e baixos, o Batel seguiu no futebol profissional até 2002, retornando agora para a disputa da terceira divisão.

No futebol amador, destaque para a Madeirit, campeã da Taça Paraná em 2004. O título inédito veio depois de três derrotas em decisões – além de Grêmio e Batel, o Danúbio tinha sido vice-campeão em 1998 – e recolocou o futebol gauarapuavano no cenário estadual.

Foto: Serelepe, destaque do Grêmio Oeste, mora há 49 anos em Guarapuava (Nagel Coelho – Jornal Tribuna Regional do Centro-Oeste)

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