22/08/2023
Em Alta Guarapuava Saúde

Hospice e Casa de Apoio ampliam acolhimento em Guarapuava

Estrutura do São Vicente reúne leitos para cuidados paliativos e espaço de apoio a pacientes e familiares, com foco em acolhimento, dignidade e humanização

Hospice e Casa de Apoio: acolhimento humanizado (Foto: reprodução/Freepik)

A implantação do Hospice e da Casa de Apoio representa mais do que uma nova estrutura de saúde. Simboliza um novo olhar sobre o cuidado, especialmente nos momentos mais delicados da vida. As duas unidades surgem como braços do Hospital São Vicente Unidade 2, na Cidade dos Lagos, em Guarapuava.

A primeira etapa da obra entregue nesta quinta (16), teve investimento de R$ 27 milhões da Itaipu Binacional. O recurso, conforme o presidente do Conselho Gestor do São Vicente, Odacir Antonelli, contou com a articulação do deputado federal Zeca Dirceu. A proposta une assistência especializada, acolhimento e suporte humano para pacientes e familiares que enfrentam a dura rotina do câncer.

Parte da estrutura do Hospice (Foto: Vittor Guimarães/RSN)

Ao todo, a estrutura terá 60 leitos. Desse total, 27 serão destinados ao Hospice, voltado ao atendimento paliativo de pacientes com câncer em estado terminal. Os outros 33 integrarão a Casa de Apoio, em anexo. Estrutura preparada para acolher familiares de pacientes internados no Hospice e também pessoas em tratamento no São Vicente, como quimioterapia, radioterapia e outros procedimentos que exigem permanência em Guarapuava por mais tempo. O projeto alcança os 20 municípios da 5ª Regional de Saúde.

Uma equipe multidisciplinar vai acolher o paciente com o tratamento necessário para amenizar a dor, tanto física quanto emocional. É justamente essa lógica, conforme Antonelli, que sustenta o projeto em Guarapuava. Ou seja: assegurar que, nos últimos momentos de vida, o paciente não seja reduzido à doença, mas acolhido na integralidade. Ao mesmo tempo, a família também passa a receber suporte, escuta e acompanha em uma travessia marcada por dor, medo e despedidas.

POLÍTICA PÚBLICA

Obras do Hospice (Foto: Vittor Guimarães/RSN)

Em 2024, o governo federal instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos no SUS. Essa política pública surge com previsão de implantação de equipes multiprofissionais. Assim como a ampliação do acesso a medicamentos, insumos e assistência humanizada. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 625 mil pessoas no Brasil precisam desse tipo de cuidado.

Mais do que erguer paredes, o novo complexo do São Vicente busca, portanto, construir uma rede de dignidade.

O Hospice e a Casa de Apoio nascem com a missão de garantir que pacientes em fase terminal e seus familiares encontrem acolhimento, respeito e cuidado em uma das travessias mais difíceis da existência.

CASA DE APOIO

Hospice em obras (Foto: Vittor Guimarães/RSN)

A Casa de Apoio responde a outra ferida silenciosa da jornada do câncer: a solidão de quem sai de outro município para tratar a doença e precisa enfrentar deslocamento, custo, cansaço e incerteza. Em vez de corredores improvisados, bancos desconfortáveis ou a angústia de não ter onde ficar, a nova estrutura pretende oferecer abrigo, descanso e suporte para acompanhantes e também para pacientes em tratamento ambulatorial.

Na formulação original apresentada pelo hospital, o complexo foi pensado justamente para acolher pacientes em cuidados paliativos e pessoas vindas de outras cidades que necessitam permanecer em Guarapuava por conta de procedimentos oncológicos.

Conforme Odacir Antonelli, presidente do conselho gestor do São Vicente, uma segunda etapa já está em andamento, com a liberação de outros R$ 20 milhões, também via Itaipu, para a compra de equipamentos e mobiliário. A expectativa é de que a estrutura entre em funcionamento nos próximos 60 dias, completando um ciclo que vai transformar a obra civil em atendimento efetivo.

Professor Humberto, Celso Fracaro, Odacir Antonelli, Dr. Frederico, Marisa de Fátima Chemeres de Lima, Deputado Dr. Antenor, Deputado Zeca Dirceu e vereadora Cris Wainer (Foto: Vittor Guimarães/RSN)

De acordo com o deputado Zeca Dirceu, a importância desse investimento ultrapassa a engenharia e alcança um debate mais profundo sobre saúde pública e humanidade.

Em um país onde os cuidados paliativos ainda avançam de forma desigual, projetos como este ajudam a romper o tabu de que cuidar é apenas curar.

Para o deputado estadual Dr. Antenor, em muitos casos, cuidar significa aliviar a dor, preservar a autonomia possível, proteger a subjetividade do paciente e permitir que ele esteja cercado de afeto, e não apenas de aparelhos.

VOLUNTARIADO

Voluntariado São Vicente (Foto: Vittor Guimarães/RSN)

Nesse contexto, o trabalho voluntário ganha um valor ainda mais decisivo. Em estruturas como o Hospice e a Casa de Apoio, o grupo de mulheres voluntárias do São Vicente,  não ocupa um lugar periférico. Ele ajuda a sustentar o ambiente de humanidade que a técnica, sozinha, não alcança.

É o gesto de escuta, a palavra serena, a companhia em uma espera difícil, o apoio à família exausta, a mão estendida quando o medo se instala.

Conforme a vice-presidente do Voluntariado do São Vicente, Inês Antonelli, em espaços de finitude, o voluntariado se torna presença concreta de solidariedade. “Muitas vezes é essa presença que ajuda a transformar um momento de dor em uma travessia menos solitária”.

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Cristina Esteche

Jornalista

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