22/08/2023
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IA do Google revoluciona tratamento do câncer no Hospital São Vicente em Guarapuava

Ferramenta do Google usada desde abril no Hospital São Vicente, em Guarapuava, e no Hospital do Câncer de Londrina busca acelerar terapias oncológicas personalizadas

Paraná é o primeiro estado do Brasil a usar IA da Google para ajudar médicos no tratamento do câncer (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

O Hospital São Vicente Unidade II – Cidade dos Lagos, em Guarapuava, e o Hospital do Câncer de Londrina são as duas instituições pioneiras no Brasil a utilizar a ferramenta Capricórnio. Trata-se de uma Inteligência Artificial desenvolvida pelo Google em parceria com um hospital da Holanda. Em funcionamento desde abril, a tecnologia acelera a identificação de terapias oncológicas personalizadas para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A ferramenta cruza dados clínicos individuais com milhões de artigos científicos globais em poucos minutos.

A solução inovadora no combate ao câncer, nunca antes testada no Brasil, acabou adotada pelo Governo do Paraná e implantada nos dois hospitais de referência. Dois meses depois, os resultados começam a aparecer e podem transformar tratamentos no Estado. O impacto no atendimento e no diagnóstico é direto. Com a ferramenta, o médico consegue organizar e relacionar informações do paciente em tempo significativamente menor do que os processos tradicionais de revisão manual da literatura científica.

Na prática, o profissional cruza as informações obtidas por meio do PubMed com dados do paciente, como histórico clínico, mutações genéticas, testes de sensibilidade a medicamentos e respostas anteriores ao tratamento. Depois, o Capricórnio levanta métricas e indicadores de artigos científicos e apresenta possibilidades terapêuticas personalizadas para aquele caso.

NOVA ROTA DE TRATAMENTO

Em Guarapuava, um estudo de caso chamou a atenção, de um paciente atendido há mais de um ano no Hospital de Caridade de São Vicente. Com um câncer de origem desconhecida, o caso desafiou a equipe médica desde o início, porque foram encontradas metástases nos linfonodos, ossos e pleura.

O oncologista Nelson Morozini explica que a plataforma do projeto Capricórnio foi fundamental para a tomada de decisão médica, tanto no cruzamento de dados moleculares como da otimização do suporte e manejo de complicações no Sistema Único de Saúde (SUS).

“A ferramenta identificou que esse padrão atípico frequentemente está associado à instabilidade genômica, o que acendeu o alerta para solicitar um painel genético focado. Se confirmado, isso abre as portas para o uso de imunoterapia no futuro. Para ele, a IA funciona como um segundo cérebro da reunião multidisciplinar. “Ela não substitui o médico, mas acelera o acesso a dados científicos complexos, garantindo que um paciente com um tumor raríssimo no SUS receba uma conduta altamente personalizada, comparável aos melhores centros privados do mundo”.

Conforme as informações médicas, a pesquisa em bancos de dados durava, em média, uma semana antes da chegada da tecnologia. Essa análise precisava ser feita nos intervalos dos atendimentos ambulatoriais. Hoje, esse tempo caiu para apenas uma hora. Depois do levantamento científico, os profissionais envolvidos no cuidado, do manejo clínico até a radioterapia e fisioterapia, se reúnem para tomar uma decisão. Até agora, o balanço da experiência é unânime: o processo ganhou assertividade, celeridade e personalização.

ONCOLOGIA

A Oncologia é uma das áreas que evoluem mais rapidamente na medicina. Por meio do Capricórnio, os profissionais de saúde têm acesso às atualizações em todo o mundo. Essas informações são fundamentais para reduzir o intervalo entre a descoberta científica e o tratamento oferecido à população.

A escolha dos dois hospitais paranaenses ocorreu pelo histórico de referência na área, pela integração ao Sistema Único de Saúde (SUS) e pela oportunidade de ampliar o acesso ao atendimento de qualidade no Interior, fortalecendo a descentralização da saúde no Estado.

PROJETO CAPRICÓRNIO

Desenvolvido em parceria com o Princess Máxima Center, situado na Holanda e considerado o maior centro de Oncologia Pediátrica da Europa, o Carpicórnio otimiza a pesquisa clínica ao reunir dados do PubMed – banco de dados global mantido pela Biblioteca Nacional de Medicina do National Institutes of Health.

Trata-se da principal agência do governo dos EUA responsável por pesquisas biomédicas e de saúde pública. A agência contém mais de 35 milhões de artigos biomédicos e cresce de 1,5 milhão a 1,7 milhão de novos artigos biomédicos publicados por ano.

Todos os arquivos são disponibilizados no BigQuery, plataforma de armazenamento e gerenciamento de dados do Google Cloud, onde, por meio de busca vetorial, os médicos conseguem fazer pesquisas de maneira semântica, indo além do cruzamento de palavras-chave exatas. Na prática, a ferramenta processa em minutos uma extensa literatura e cruza aos dados individualizados e anonimizados do paciente.

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Gilson Boschiero

Jornalista

Possui graduação em Jornalismo, pela Universidade Metodista de Piracicaba (1996). Mestre em Geografia pela Unicentro/PR. Tem experiência de 28 anos na área de Comunicação, com ênfase em telejornalismo e edição. Foi repórter, editor e apresentador de telejornais da TV Cultura, CNT, TV Gazeta/SP, SBT/SP, BandNews, Rede Amazônica, TV Diário, TV Vanguarda e RPC. De 2015 a 2018 foi professor colaborador do Departamento de Comunicação Social da Unicentro - Universidade do Centro-Oeste do Paraná. Em fevereiro de 2019, passou a ser o editor chefe do Portal RSN. @gilson_boschiero

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