IML recebeu vítima de morte violenta que testou positivo para covid-19

Indígena morto após agressão física, testou positivo para covid-19. Mesmo sem barreira de risco biológico, IML de Guarapuava recebeu o corpo

IML recebeu vítima de morte violenta que testou positivo para covid-19 (Foto: Matheus Buongermino/RSN)

O Instituto Médico Legal (IML) de Guarapuava recebeu no último dia 2 de julho, o corpo do indígena Edson Kovemkag Pereira. De acordo com informações do IML ao Portal RSN, o indígena foi vítima de agressão física no mesmo dia. Além disso, a vítima esteve internada no Hospital São Vicente de Paulo e não resistiu aos ferimentos.

Até aí, nada chama a atenção quando se trata de uma reportagem policial. O corpo deu entrada no IML às 21h40. Entretanto, um fato que só agora foi divulgado, mostra a vulnerabilidade do Instituto em tempos de pandemia do novo coronavírus.

De acordo com o órgão, após a morte, o hospital avisou ao Instituto que o indígena que morreu devido agressões físicas, tinha testado positivo para o novo coronavírus.

A equipe médica avisou aos servidores da Polícia Científica de Guarapuava que o paciente testou positivo para covid-19. A situação foi comunicada aos superiores da direção estadual do IML. E os agentes foram orientados a colocar um “saco” na cabeça do cadáver. E que isso seria o suficiente para prevenir os servidores da transmissão do vírus.

Conforme a denúncia, os servidores então removeram o corpo do indígena até o Instituto, seguindo as orientações dos superiores da direção estadual do órgão. Todavia, a chefe do IML em Guarapuava, Tatiane Prussak disse que é uma recomendação do Ministério da Saúde.

“Os cuidados na manipulação deste cadáver foram redobrados porque o hospital avisou que era covid positivo. Contudo, todos os cadáveres estão sendo tratados como suspeitos”.

Entretanto, conforme, um funcionário, o necrotério do IML de Guarapuava não tem nenhuma barreira de risco biológico.

“Apenas uma porta de madeira e algumas janelas que sempre estão abertas separam o necrotério da parte externa e interna do recinto. Isso coloca em risco a vida dos servidores que ali trabalham, e consequentemente coloca em risco todo o Município de Guarapuava”.

Isso porque segundo o IML, os servidores continuam em as atividades normalmente, inclusive atendendo ao público. Ainda conforme informações repassadas ao Portal RSN, esse não seria o primeiro caso em que isso teria ocorrido. “Já teria sido admitido outro caso [cadáver] com confirmação para covid-19, sendo uma criança”.

Ainda de acordo com o servidor, o corpo do indígena passou por exames de DNA. “Esse material coletado logicamente contaminado, estava rodando por aqui pra cima e pra baixo. Um hospital ou pronto socorro com confirmação da covid-19 em paciente, passa por desinfecção imediata. Aqui [IML] nada foi feito”.

Por fim, conforme o IML de Guarapuava, essa prática ocorre em outras unidades do IML do Paraná. O Portal RSN tentou contato com a órgão em Curitiba, porém, sem êxito.

CHEFE DO IML DIZ DESCONHECER DENÚNCIA

Já a chefe do IML em Guarapuava, Tatiane Prussak disse ao RSN que o órgão segue todas as determinações da Direção Estadual. “Estamos obedecendo os critérios de atendimento adotados, com utilização de Epi’s, mudanças com relação aos procedimentos de necropsia, inclusive, sendo estas de forma minimamente invasivas para preservar os profissionais, tudo de acordo com as normas do Ministério da Saúde”.

Ela diz ainda que o prédio será reformado e anuncia o retorno de dois auxiliares de necropsia em plantão de 24 horas a partir de 1 de agosto. “Hoje as liberações e necropsia são até às 20 horas”.

(Imagem: IML/Guarapuava)

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