22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

Moro, Pompidou e as digitais de Ponta Grossa

A inclusão do Pompidou no plano de Moro expõe projeto já em andamento; influência de quadros de Ponta Grossa e levanta dúvidas sobre o modelo de gestão 'morista'

Ratinho Junior e Sergio Moro (Foto: Rodrigo Felix Leal/ AEN)

A inclusão do Centro Pompidou Paraná no plano de governo de Sergio Moro diz mais sobre a eleição do que parece.

Ratinho Junior reagiu lembrando que o projeto já está em andamento e que a administração dele iniciou as negociações, definiu o projeto e avançou nos contratos. Moro, ao incluir o Pompidou no programa, aposta na continuidade de uma iniciativa que já existe.

Até aí, nada de mais. O detalhe político está em outro lugar: quem ajudou Moro a escrever esse plano, além de Edson Vasconcelos, candidato a vice na chapa dele.

PASSIVOS

Integrantes da equipe da Prefeitura de Ponta Grossa participaram da elaboração das propostas. São técnicos de áreas estratégicas que agora ajudam a desenhar um eventual governo estadual.

A escolha chama atenção porque Ponta Grossa também carrega próprios passivos. A administração municipal convive com questões judiciais, problemas e questionamentos envolvendo contratos e licitações, além de uma pesada dívida de precatórios.

Isso não significa transformar processo em condenação. Mas também não significa fingir que os problemas não existem.

MODELO DE GESTÃO

Se Moro pretende apresentar uma nova maneira de administrar o Paraná, é legítimo perguntar quais experiências ele está tomando como referência. Está importando de Ponta Grossa apenas os quadros ou também o modelo de gestão?

A pergunta é especialmente incômoda porque Moro construiu uma imagem política sobre discursos de rigor, controle e combate à corrupção. Ao escolher colaboradores ligados a uma prefeitura que enfrenta sucessivos questionamentos administrativos e judiciais, ele assume também a obrigação de explicar quais lições pretende levar dessa experiência.

COPIA PROJETO DE RATINHO

E o Pompidou acrescenta uma boa dose de ironia à história.

O candidato que se apresenta como alternativa ao grupo de Ratinho começa o plano incorporando uma das principais iniciativas do atual governo. Ratinho diz: “isso nós já estamos fazendo”. Moro responde, na prática: “eu também vou fazer”.

No fundo, a disputa não é pelo museu. É pela narrativa. Ratinho quer mostrar que já entrega.

Moro quer mostrar que sabe continuar o que funciona e mudar o que considera errado.

Só que há um detalhe que o eleitor não deveria perder de vista: um plano de governo também revela quem está por trás dele.

E o plano de Moro já carrega, de maneira bastante visível, as digitais de Ponta Grossa. Agora resta saber se essa será uma vantagem eleitoral ou uma conta política a ser explicada durante a campanha.

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Cristina Esteche

Jornalista

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