No quinto ano, Samu já prestou 70 mil atendimentos

Por Daiane Celso
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) está no seu quinto ano de funcionamento em Guarapuava e soma, nesse período, 70 mil atendimentos. Ao ano são realizados, em média, 16 mil atendimentos. Agora, o Samu vai passar por uma segunda fase, sua regionalização, que deve ocorrer para o próximo ano.
“Com a implantação desse processo, vamos deixar de atender somente a cidade de Guarapuava e passar a atender as 20 cidades da região, um total de 450 mil habitantes”, observa o médico coordenador do Samu, João Guerino Cato.
Atualmente, Guarapuava possui uma central de regulação e uma base, sistema que será mantido. Mas além de Guarapuava, outros municípios também vão ganhar bases de atendimento. Segundo o médico, a princípio terá uma base em Laranjeiras do Sul, uma em Candói, Pitanga e Prudentópolis. “Nessas bases vão ter equipes, geralmente de suporte básico, para atender um grupo de cidades próximas, para que possam agilizar o atendimento a esses pacientes, para que possam ser atendidos na sua cidade e se necessário encaminhados para um centro maior. O objetivo é ordenar o fluxo de atendimento”, explica Cato.
De acordo com ele, na madrugada dos finais de semana, quando acontecem casos de emergência, fica difícil para a população dos municípios menores procurar atendimento. “Então é isso que o Samu vai fazer, facilitar, ordenar, dar a chance para que qualquer paciente, em qualquer lugar, seja atendido pelo SUS”, completa.
Os custos da regionalização serão de responsabilidade do Ministério da Saúde (50%) e a outra metade pelo estado e municípios.
Atendimentos
Do total de atendimentos, 56% são clínicos (enfartados, pressão arterial, derrame, crianças com pneumonia, insuficiência respiratória), seguidos pelos traumas, com 21% (acidentes, acidentes automobilísticos, agressão física, casos com armas de fogo), e depois os atendimentos obstétricos e os psiquiátricos.
Para determinar a prioridade dos atendimentos, já que o Samu conta com duas equipes e duas ambulâncias nas ruas, é preciso avaliar a gravidade das ocorrências. “Quando a regulação é dada sobre a prioridade um (vermelho) e dentro da cidade, o tempo para chegar ao local fica entre seis e sete minutos, fora da cidade pode chegar até em uma hora. Quando baixa a prioridade para amarela ou verde, demora entre 25 a 30 minutos, ou até 40 minutos. Temos que priorizar o atendimento, por isso nós somos amados e odiados ao mesmo tempo”, define o coordenador. A cada 100 atendimentos, 20 ganham prioridade vermelha.
De acordo com uma norma do Ministério da Saúde, para cada ambulância em uso é necessário ter uma de reserva. “Estamos trabalhando sem parar há cinco anos, e para se ter uma idéia, uma ambulância chega a andar 30 mil quilômetros por mês, então em seis meses de uso o tempo de vida dela se esgota. E não dá para comprar outra, é extremamente complicado continuar atendendo, o poder público continuar repondo isso e a população entender o funcionamento. Este ano é para vir mais ambulâncias, a partir de setembro, e com a regionalização precisa vir mais”.
Segundo Cato, a entidade apresenta falhas, e cinco anos ainda é insuficiente para uma avaliação. “Muitas pessoas nos comparam ao Corpo de Bombeiros e não tem nada a ver. Eles são uma das instituições de maior crédito no Brasil, com 100 anos de existência, uma entidade técnica e nós mais profissional. A coexistência das duas entidades é fenomenal, porque possibilita coisas que jamais poderiam ser feitas sozinhas, trabalhamos em parceria. Eles são muito mais técnicos para fazer o atendimento na hora, mas também precisam de um médico tanto na finalização do atendimento como no encaminhamento, e nisso agente se entende bem”, ressalta.

Trotes atrapalham atendimento de urgência
O atendimento é feito após telefonema gratuito para o número 192, e um dos maiores problemas enfrentados pelas equipes do Samu é o trote. Desde o primeiro ano de atendimento, em 2004, os trotes ocupam um percentual considerável do total de ligações. No primeiro ano ficaram em14%, passando depois para 21% e chegou, nos últimos dois meses deste ano, para a assustadora porcentagem de 50%. Nos últimos 60 dias, apenas um número de telefone chegou a ligar 1.684 vezes. “Para a gente conseguir o bloqueio desse número não foi fácil, mas conseguimos, o Ministério Público teve que intervir no caso. Já estamos ficando amigos dessa pessoa”, conta o coordenador do Samu, João Cato.
O tempo gasto para atender os falsos chamados é de fundamental importância para salvar vidas que realmente correm perigo. “Tem gente que chama Samu, Bombeiros e Polícia e ainda fica olhando todos passar pela janela, mas mesmo com a desconfiança de ser trote a gente acaba indo verificar por precaução”.
Passar trotes pode ter consequências graves e resultar em prisão para o responsável. A atitude é considerada crime que está previsto no artigo 266 do Código Penal, com a previsão de multa e pena que pode chegar até a três anos de prisão.

Pitanga deve ser uma das bases do Samu na região

O município de Pitanga pode ganhar ainda este ano uma ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) e uma UPA – Unidade de Pronto Atendimento, para atendimento em tempo integral a pacientes crônicos, realização de procedimentos cirúrgicos emergenciais e traumas de complexidade intermediária.
A informação foi confirmada na segunda-feira (6), durante audiência do deputado estadual Artagão Junior com o Secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin. O parlamentar esteve no gabinete do Secretário acompanhado do prefeito Altair Zampier e do Secretário de Saúde de Pitanga, Valdomiro Rodrigues de Lima. Na oportunidade, o deputado formalizou pedido à Secretaria de Saúde para inclusão prioritária do município nos programas do SAMU e da UPA.
Artagão Junior também pediu ao Secretário Gilberto Martin a liberação de novos equipamentos para o Hospital Municipal, recém adquirido pela prefeitura. O Hospital deve ser reformado para atender a demanda em Pitanga e região, conforme explicou o Secretário Valdomiro Lima.
A ideia do prefeito Altair Zampier é transformar o hospital num Pronto Atendimento Municipal, com atendimento 24 horas por dia. “Percebemos que a demanda vem aumentando diariamente, o que nos obriga a buscar meios para garantir o atendimento, ao mesmo tempo em que buscamos um atendimento de qualidade”, destacou. Outro assunto em pauta foi a liberação de recursos, equipamentos e a possível implantação de UTIs no Hospital São Vicente de Paula.

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