22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

O luto que precisamos transformar em duplicação

Tragédia na BR-373 teve 23 vidas ceifadas e dezenas de histórias de famílias inteiras foram interrompidas de forma repentina e dolorosa

Colisão deixou 23 mortos ((Foto: reprodução/Redes Sociais)

A tragédia registrada nesta quarta (19) na BR-373, em Ipiranga, deixou o Paraná em choque. Com o impacto da colisão entre um micro-ônibus da Saúde de Imbituva e uma carreta que teria invadido a pista contrária, 23 vidas foram ceifadas e dezenas de histórias de famílias inteiras foram interrompidas de forma repentina e dolorosa.

O decreto de luto oficial de três dias no estado sinaliza o respeito institucional a essa imensa dor coletiva. Entretanto, suscita uma reflexão urgente sobre o papel da gestão pública diante de episódios recorrentes no trânsito paranaense.

Cada número estatístico esconde o nome de um pai, de uma mãe, de um filho ou de um companheiro. Para quem fica, o luto não dura apenas 72 horas. A perda de um ente querido em uma rodovia marca a trajetória familiar para sempre. Por isso, embora as manifestações formais de pesar tenham valor simbólico, o sentimento que prevalece entre os cidadãos é de que o luto decreta a dor, mas não resolve o perigo estrutural das vias.

RECORRÊNCIA

A BR-373 e a BR-277, importantes artérias que cortam o território estadual, registram diariamente um alto índice de acidentes severos. A necessidade de duplicação, melhoria na sinalização e modernização do fomento de infraestrutura nessas rodovias é uma demanda histórica que atravessa diferentes administrações.

Em períodos eleitorais, propostas de expansão e investimentos viários ganham relevância nos discursos políticos. Contudo a execução dessas obras muitas vezes enfrenta entraves burocráticos e orçamentários que arrastam os prazos por anos.

A preservação da vida nas estradas exige mais do que condolências após o fato consumado. Depende de planejamento contínuo, investimentos prioritários e vontade política para tirar os projetos do papel. Enquanto houver efetivação das intervenções estruturais necessárias, a população do Paraná continuará transitando por vias que demandam atenção máxima e intervenções urgentes. O verdadeiro respeito à memória das vítimas passa pela transformação da indignação em ações concretas que garantam a segurança de quem precisa rodar pelo estado.

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Cristina Esteche

Jornalista

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