22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava

Caso Sofia expõe urgência de projeto de Cristina na CCJ da Alep

Projeto de Cristina Silvestri que determina a fixação adequada de traves, segue em análise na CCJ da Alep, sem avanço

Sofia morreu no local (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A morte da pequena Sofia Iaciuk, de três anos, atingida por uma trave de futebol que caiu em um colégio de Prudentópolis, não pode ser tratada como fatalidade isolada. O caso ocorreu na tarde dessa quinta (16), mobilizou equipes de resgate e terminou da pior forma possível: uma criança perdeu a vida, e a cidade ficou em luto.

Mas o ponto mais duro é outro: esse não é o primeiro alerta ignorado. Em Guarapuava, um acidente semelhante marcou a vida de Vinicius Bail. Em 2014, ainda menino, uma trave caiu sobre ele. Também num dos colégios da cidade. Ele sofreu fraturas no crânio, hemorragia interna e perdeu totalmente a visão. A história dele virou símbolo de como a negligência com estruturas esportivas cobra um preço alto demais. Outros casos se espalham por aí afora.

É justamente por isso que a política não pode aparecer apenas na hora do pesar, da nota de solidariedade ou do discurso emocionado. Política séria também é prevenção. É agir antes da tragédia. Em 17 de março deste ano, a deputada estadual Cristina Silvestri (PP) apresentou na Assembleia Legislativa do Paraná o Projeto de Lei nº 199/2026. O texto estabelece regras obrigatórias para instalação, fixação e manutenção de traves de futebol e futsal em espaços públicos e privados de uso coletivo. A proposta prevê ancoragem segura, contrapeso quando necessário, manutenção preventiva, inspeção técnica semestral e até retirada de uso de estruturas irregulares.

A própria justificativa da proposta já apontava o óbvio que, no Paraná, ainda parece precisar ser repetido: “acidentes envolvendo a queda de traves já causaram ferimentos graves e até mortes”. Não se trata, portanto, de exagero legislativo nem de preciosismo burocrático. Trata-se de uma resposta concreta a riscos conhecidos, documentados e absolutamente evitáveis.

PROJETO AINDA ESTÁ NA CCJ

O problema é que, enquanto projetos preventivos esperam, a realidade corre. De acordo com a divulgação oficial da Alep, o texto foi encaminhado para análise da Comissão de Constituição e Justiça. E é aí que mora a crítica necessária: quando a política demora para reagir ao que já está diagnosticado, ela também se torna parte do problema. Não basta reconhecer a gravidade depois que mais uma família é destruída. A prevenção não pode continuar perdendo para a lentidão institucional.

Há uma diferença brutal entre obra pública e política pública. A primeira aparece. A segunda protege. Fixar uma trave pode parecer detalhe para quem enxerga a segurança como assunto menor. Não é. É o tipo de medida simples que separa uma tarde comum de uma tragédia irreversível. Quando o poder público falha em exigir o básico, ele normaliza o improviso onde deveria impor responsabilidade.

LUTO E VERGONHA

Entretanto, a morte de uma criança em Prudentópolis impõe luto, mas também impõe vergonha. Vergonha por saber que os riscos eram conhecidos. Por saber que já houve outros casos devastadores. Vergonha por saber que existe proposta apresentada para enfrentar o problema. E que, ainda assim, a resposta institucional segue aquém da urgência que a vida exige.

Que essa dor não seja transformada em mais um episódio passageiro do noticiário. Porque quando uma estrutura cai sobre uma criança, não é só ferro que tomba. Cai também a ilusão de que o poder público pode continuar tratando prevenção como assunto secundário.

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Cristina Esteche

Jornalista

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