Psicólogo deixa rotina e embarca no estilo mochilão para o Chile

"Silvio se jogou de cabeça em uma viagem sozinho para o Chile, levando na bagagem apenas o espírito aventureiro e itens estritamente necessários

Silvio passou sete dias em uma viagem pelo Chile (Foto: Reprodução/Facebook)

Deixar a zona de conforto, enfrentar barreiras de passar alguns dias em um país com outra cultura, com gastronomia completamente diferente e ainda com outro idioma foi o desafio de férias do psicólogo Silvio Luiz Ortiz neste início de 2020. Em uma viajem sozinho para o Chile, no estilo mochilão, o principal objetivo foi desafiar os limites, superar as expectativas e por fim, se reinventar.

Assim, após verificar que algumas milhas do cartão do crédito iam expiram em 2020, o psicólogo, decidiu encarar uma viagem sozinho, no estilo mochilão, para o Deserto do Atacama no Chile. Juntou apenas os itens estritamente necessários para os sete dias de viagem, e seguiu de carona até Curitiba com uma amiga, a ida demorou 25h.

No mochilão você tem que aprender a estar com menos, tudo o que levar de mais cria dificuldades de locomoção, de transporte, aumenta os custos, devido à isso uma postura mais minimalista se faz importante. E sempre é uma lição de que não precisamos de tanta coisa, que pode se estar bem com menos, muitas vezes até melhor. A sensação de liberdade, de leveza, de desprendimento é uma marca do estilo mochilão.

O aventureiro levou apenas o estritamente necessário (Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre a falta de conforto do estilo escolhido pelo aventureiro, ele afirmou que descobriu, que em uma próxima oportunidade, levará menos itens. Para contar a experiência Silvio fez um diário de bordo em suas redes sociais. Ele descreveu a viagem e os desafios de estar sozinho.

A capacidade de estar bem quando se está sozinho é considerada uma das mais desejáveis e também difíceis pela psicologia. Encarar a si mesmo por longos períodos é sempre desafiador.

PRIMEIRO DIA 

Quatro horas de carro, outras sete de voo (em três voos distintos). Uma hora e meia de van e um total de 13h de espera em aeroportos. Passadas mais de 25h, enfim cheguei ao destino base. Dessa vez sem companheiros de viagem, sendo minha primeira sozinho nesse estilo. Do avião já dava pra ter uma ideia da grandiosidade e aridez que encontraria por frente. As temperaturas no deserto passam facilmente de 30° durante o dia e determinados passeios chegam a ter – 10° agora no verão. Múltiplos atrasos de voo, devido ao mau tempo, mas todos se salvaram… Hehehe… Daqui a pouco começa a diversão, logo mando novas notícias.O Deserto do Atacama é o lugar mais árido do planeta.

A viagem de ida se estendeu por 25 horas (Foto: Reprodução/Facebook)

SEGUNDO DIA

Depois de 25h após sair de casa, cá estou eu, em pleno Deserto do Atacama. Comecei meu dia desbravando essa pequena e pitoresca cidade, precisava fazer câmbio e fechar os passeios pra não perder tempo, isso custou o restante da manhã e início da tarde. No meio da tarde vamos para o Vale de la Muerte, o lugar mais incrível que vi até hoje, as fotos e vídeos não dão a menor ideia do que se contempla pessoalmente, um calor escaldante e muita, muita subida. De cara já conheci e entrosei com uma turma de brasileiros muito bacana, o que tornou ainda mais divertido o passeio. Ao fim contemplar o pôr-do-sol. O corpo já reclamava, 36h de correria, mas ainda teria uma atividade noturna, o tour astronômico. Foi o tempo de um banho e de engolir meio sanduíche, já que o almoço havia caído no esquecimento e lá tava embarcado de novo, novamente com outros brasileiros que inclusive haviam visitado Guarapuava ainda em Dezembro. Após algumas explicações muito interessantes, feitas por um astrônomo, já na área do observatório, fomos aos telescópios fazer as observações, apesar da lua já não estar ajudando tanto. Por fim uma confraternização com uns quitutes e vinho pra fechar a noite, já próximo à 1h da manhã. Dia incrível por aqui. 

Segundo dia foi marcado pelo eclipse (Foto: Reprodução/Facebook)

TERCEIRO DIA

Hoje novamente um grupo quase só de brasileiros, fomos conhecer a Laguna Céjar e Piedra, sendo que nesta última foi possível nadar. As lagunas tem concentração de sal semelhante a do Mar Morto e é impossível afundar nelas, o que torna uma experiência muito curiosa e divertida. A Laguna Piedra chega a 18m de profundidade. Seguimos para Ojos del Salar que apesar de não ser muito atrativo, tinha uma vista bacana pra cordilheira e uns drinks e petiscos e, por fim, o salar de Tebinquinche para ver o pôr-do-sol. É muito bacana, visto que sem água em boa parte, ficava apenas a cobertura de sal em evidência. Outra vez uma turma bem animada de brasileiros e um ótimo guia.

Terceiro dia foi dia de conhecer Lagunas (Foto: Reprodução/Facebook)

QUARTO DIA

Às 6:15h já tava na rua, pra um dia fantástico em termos de paisagens, lagunas, vulcões e animais típicos. Interessante o contraste para o restante do grupo com relação ao frio… kkkkkkkkkk… O único do sul do país no grupo, o dia de camiseta e bermuda, enquanto o pessoal usava diversas calças e jaquetas, cachecol, gorro e luvas. Dia de calor eles tiram de letra, no frio eu saio na vantagem… hehehe… Lidar também com os 4.200 metros de altitude e o baixo nível de oxigênio, mas foi um dia incrível em termos de belezas naturais, sem contar com o fato de pegar uma chuvinha na aridez do Atacama. Daqui 4:30h tem atividade novamente, provavelmente oscilando entre temperaturas negativas e também muito calor no decorrer do dia.

O quarto dia foi na Cordilheira dos Andes (Foto: Reprodução/Facebook)

QUINTO DIA

Hoje o dia começou muito cedo, já que o período de maior atividade dos geysers é ao amanhecer. Às 4h eu já estava embarcado na van rumo ao desconhecido… hehehe.. Quase amanhecendo deu um vislumbre do que tornaria o dia ainda mais incrível, nevou a noite na cordilheira e isso deixava tudo muito mais fascinante. Conhecer os geysers foi uma experiência muito bacana, mas o que me ganhou foi o visual do dia. Parece que passamos por uns 10 cenários daqueles de filme de cowboy, cada qual extremamente diferente dos demais – vilarejos, desertos, lagos ricos em vida animal, lhamas, vicunhas, extensos espaços onde predomina a lava solidificada, vegetação desértica e por aí vai. O dia foi um festival de cores e contrastes, dessa vez com poucos brasileiros à bordo, mas novamente a facilidade em conhecer pessoas, típico do clima mochilão. Amanhã, ao fim do dia, me despeço mas já com vontade de voltar. E pra Luísa que brinca que onde vou encontro um amigo, já topei com 3 por essas bandas… kkkkkkkkkk.

*Geyser é uma nascente termal que entra em erupção periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor de ar. São fenômenos razoavelmente raros.

No quinto dia, Silvio relatou se sentir em um filme de cowboys (Foto: Reprodução/Facebook)

SEXTO DIA

Pra hoje abandonei a ideia de subir o vulcão pelo horário apertado, nível da atividade e, principalmente porque desde a saída de San Pedro até a chegada em Guarapuava eu levarei 32h devido às diversas conexões. Para substituir o vulcão foi escolhida uma atividade que esteve desde o início nos planos mas quase não aconteceu devido a otimização do tempo, às Lagunas Escondidas de Baltinache. E põe escondidas nisso, sacolejamos mais de uma hora no meio do deserto totalmente árido até chegar ao local. São sete lagunas salgadas e se pode tomar banho na primeira e na última, a flutuação é incrível, como foi na Laguna Cejar, mas o visual era ainda muito mais bonito, na volta o tradicional desayuno no meio do nada e encerrava aqui a parte turística. Depois uma breve ida no centrinho comer algo e comprar umas coisas, por fim uma tentativa quase desumana de fechar a mala… Tudo aqui é realmente incrível, desde o estilo totalmente rústico da cidade até a variedade incrível de paisagens e atividades. Agora é pensar na próxima.

No sexto dia rolou passeio de última hora (Foto: Reprodução/Facebook)

SÉTIMO DIA

Fechando a saga, sem muitas novidades interessantes pra postar por aqui. Embarquei no transfer de San Pedro do Atacama ao Aeroporto de Calama ontem (8 de janeiro) às 18h. Espera. Voo pra Santiago. Espera.  Voo hoje (9 de janeiro) antes do início da manhã pra SP. Espera muito. Voo pra Curitiba. Por fim, saindo em breve pra minha querida Guarapuava quase 32h após deixar o Atacama. Viajar é muito bom, mas voltar pra casa é sempre excepcional. Não foram tantos dias mas o suficiente pra dar saudades de muita coisa, principalmente da minha pequena Luísa. O Deserto do Atacama me proporcionou paisagens e vivências incríveis, além de novos amigos, tendo sido minha primeira viagem de mochilão sozinho, o que só por isso já foi um barato, te tirando da zona de conforto. Quero agradecer minha queridíssima @suegvian por ter me feito companhia na minha longa espera pelo meu voo em Guarulhos, faltou tempo pra colocar o papo em dia, ao fim das contas. Essa semana faço um resumo da experiência e das melhores fotos pra fechar a experiência… Obrigado à todos que curtiram junto comigo. 

Entre um aeroporto e outro a viagem de volta durou quase 32 horas (Foto: Reprodução/Facebook)

Por fim, o psicólogo afirma que já está planejando a próxima aventura, porém ainda não definiu o destino.

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