22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

Sandro Alex precisa encontrar uma causa

Pesquisa mostra crescimento, mas a consolidação depende de transformar apoio político em identidade própria, narrativa de futuro e conexão direta com o eleitor

Sandro Alex (Foto: assessoria)

O que falta para Sandro Alex se consolidar não é apenas conhecimento popular, nem agenda no interior, nem mais uma foto ao lado de Ratinho Junior. Isso tudo ajuda, mas não resolve o problema principal: Sandro ainda não encontrou uma causa. Ele tem padrinho, tem estrutura, tem governo para defender e agora tem pesquisa para apresentar. Mas candidatura majoritária não cresce só com currículo; cresce quando o eleitor entende qual briga aquele nome representa.

A fala de Ratinho sobre o crescimento de Sandro Alex  tenta produzir um efeito político imediato: convencer o sistema de que o escolhido já é competitivo. A pesquisa IRG divulgada nesta segunda (15) mostra que Sandro sobe quando aparece vinculado ao governador, chegando a 27,5% no cenário com apoios, enquanto Sergio Moro aparece com 39,1% e Requião Filho com 20,8%. Sem a moldura dos apoiadores, Sandro registra 14,4%, atrás de Moro e Requião Filho.

Mas o dado mais importante não é o crescimento. É a dependência da moldura. Sandro cresce quando o eleitor recebe uma legenda junto com o nome: “o candidato de Ratinho”. O problema é que eleição se decide quando essa legenda deixa de ser necessária. Enquanto precisar ser explicado pelo governador, Sandro será forte dentro do governo, mas ainda incompleto diante do eleitor.

O que ninguém parece dizer é que Sandro precisa escolher uma tensão. Toda candidatura forte tem um conflito central. Moro representa a política nacionalizada, a memória da Lava Jato e a direita de confronto. Requião Filho tenta ocupar o espaço da oposição social e do eleitor anti-Ratinho. Ratinho representa gestão, obras e estabilidade. E Sandro? Por enquanto, Sandro representa a continuidade. Mas continuidade, sozinha, não emociona. Ela tranquiliza, mas não necessariamente mobiliza.

A GRANDE VIRADA

Para ‘ir para a cabeça’, Sandro precisa dizer qual Paraná ainda não foi entregue pelo próprio grupo que ele representa. Esse é o ponto delicado. Ele não pode romper com Ratinho, mas também não pode parecer apenas uma extensão administrativa do atual governo. Precisa ter coragem de afirmar: “o governo avançou, mas agora a próxima etapa é outra”. Sem essa segunda etapa, a candidatura corre o risco de virar apenas uma prestação de contas com novo rosto.

A grande virada virá quando Sandro deixar de pedir voto pela aprovação de Ratinho e passar a pedir voto por uma urgência própria. Pode ser moradia, infraestrutura urbana, desenvolvimento regional, segurança nas cidades médias, industrialização do interior ou proteção da classe média produtiva. Mas precisa ser algo que tenha dono, frase, imagem e conflito. O eleitor precisa associar Sandro a uma missão, não apenas a um governo.

Ratinho já fez sua parte ao empurrar a candidatura para dentro do jogo. Agora, paradoxalmente, o próximo passo depende de Sandro se descolar sem se afastar. Ele precisa continuar sendo o nome de Ratinho para herdar a estrutura, mas precisa deixar de ser apenas o nome de Ratinho para ganhar a eleição. Essa é a fronteira entre crescer e se consolidar. Pesquisa abre a porta; narrativa faz o candidato atravessar.

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Cristina Esteche

Jornalista

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