22/08/2023
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Serginho da Matta: a música como vida, movimento e autoconhecimento

Produtor, músico e incentivador de artistas, Serginho da Matta fala de música com a franqueza de quem passou décadas dentro dela

Serginho da Matta (Foto: Reprodução/Raízes Sonoras)

Sérgio da Matta, o Serginho, tem 59 anos e uma preferência clara: ficar do lado de cá das câmeras. Produtor audiovisual, músico e incentivador de artistas em Guarapuava, ele construiu a carreira assim, gravando jornal, produzindo televisão, apoiando bandas que precisavam de alguém que acreditasse antes do dinheiro aparecer. Quando o convite para o Raízes Sonoras chegou, a resposta instintiva foi de recuo.

O que mudou a decisão de participar do programa foi o nome de Orlando Silva. Os dois carregam histórias em comum, muitas delas não contadas, e o reencontro, para Serginho, vale mais do que qualquer palco. “Só de olhar para ele e falar ‘ô Orlando’, aquilo já é satisfatório”. “O tempo vai tirando isso [a convivência] da gente. Eu não via ele faz um tempão. E falar de música com ele é legal porque remete a gente ao tempo que a gente viveu.”

Esse senso de urgência sobre o que o tempo leva e o que a memória consegue guardar atravessa toda a conversa que abre o primeiro episódio do projeto. Serginho fala da música com a franqueza de quem passou décadas dentro dela. Para ele, a música “é vida, é alegria, é trabalho”, e também “o que move as coisas”. Mas ele olha para ela sem romantismo fácil.

“Ela é uma faca de dois gumes. Tem o poder de te levar à presença de Deus, mas tem o poder de te tirar a sua vida. Você tem que saber utilizar ela da melhor forma possível.” Cita, sem nomear, artistas que admira e que não resistiram ao peso dessa equação. O que ele diz ter aprendido, com o tempo, foi usar a música para se transformar.

Fazer com que ela transforme o meu pensamento para que eu seja uma boa pessoa. Um bom pai, um bom filho, um bom marido.

ORGULHO DA CARREIRA

Sobre Guarapuava, Serginho é criterioso. Conhece o período em que não havia instrumento nem infraestrutura, e acompanhou a cena crescer. Hoje, aponta um obstáculo diferente: “O problema está em você focar. Com tanta informação, o desafio é você disponibilizar o seu tempo para praticar um instrumento, para sonhar em ter uma banda.”

Ainda assim, segue produzindo e incentivando quem aparece com vontade de gravar. “Eu gravo se você tem dinheiro ou se você não tem dinheiro”. A lógica vem de um lugar pessoal: ele mesmo já esteve nessa posição. O maior orgulho da carreira, Serginho não localiza em nenhum disco ou produção específica. Está no momento em que alguém se aproxima e diz que se inspirou nele.

“Uma pessoa chegar e falar assim, ‘puxa, me inspirei em você’… você já pensou que maravilhoso que é?” E acredita que o Raízes Sonoras pode provocar o mesmo em quem assistir. “Esse programa vai despertar em alguém a vontade de aprender a tocar um instrumento, de gravar. As pessoas precisam de uma oportunidade.” É com esse olhar, experiente e ainda curioso, que ele aparece na frente das câmeras do Raízes Sonoras pelo tempo que a conversa pede.


Serginho da Matta é convidado do primeiro episódio de Guarapuava em Frequência — Raízes Sonoras da Terra. O projeto, financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, tem estreia prevista para junho ou julho, com exibição nas redes do Portal RSN e no perfil próprio do projeto no Instagram.

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 thiagodeoliveirajor@gmail.com

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