Suicídio é caso de saúde pública, alerta psiquiatra

Morte prematura da adolescente Amanda Andrade em Guarapuava reacende a urgência de debate sobre depressão

Cleber Ferreira, psquiatra (Foto: Faculdade Guairacá)

A morte da adolescente Amanda Andrade, 18 anos, na manhã desta sexta (17), no bairro Alto da XV em Guarapuava, reacende a urgência em se debater as causas que levam à depressão e, em muitas vezes, à decisão de se tirar a própria vida.

De acordo com o psiquiatra Cleber Ferreira, o suicídio é uma questão de saúde pública por causa do crescentes acontecimentos que vem ocorrendo e já é a segunda causa de mortes entre 15 e 23 anos de idade. De acordo com a Organização Mundial de Saúdem, a primeira é a violência.

“Porém, estudos nos mostram claramente que a cada 10 pessoas que se matam, nove tem doenças mentais, passíveis de tratamento”.
Segundo o psiquiatra, as causas mais comuns são quadros de depressão e do uso de substâncias psicoativas como o álcool. “Temos observado que os jovens, por conta da sobrecarga, da ausência de limites, apresentam quadros de ansiedade muito intensos, tendo acesso mais fácil à drogas, como álcool, maconha e outras mais sérias”.

É preciso que os pais fiquem atentos a qualquer mudança de comportamento e imediatamente busquem atendimento especializado 

Além disso, continua o especialista, os quadros de depressão, muitas vezes, tem como início o histórico familiar, que leva a esse momento de desespero. Portanto, o suicídio é a consequência final de um processo. “Ninguém acorda, levanta e se mata”.

Mais uma vez, o psiquiatra alerta que esse ponto final na vida é passível de intervenção e pode ser evitada na maioria das vezes. A receita preventiva que é prescrita pelo psiquiatra é a atenção pela mudança de comportamento. “Hoje esse aviso não vem mais por uma carta. Os jovens dão as pistas nas redes sociais, em mensagens, no compartilhamento de textos, por imagens . Por isso, os pais devem monitorar o comportamento dos filhos”.

As pistas estão nas redes sociais, em mensagens ou em imagens

Outro ponto que deve ser levado em consideração pelos pais, de acordo com o especialista, é a intuição. “Pai e mãe sabem quando alguma coisa não está bem e quando houver essa preocupação há urgência que se procure atendimento. Hoje temos psicólogos, psiquiatras que possuem locais de atendimento às pessoas que estão padecendo”.

Para o psiquiatra o jovem não se mata porque quer, mas pela impulsividade. “Muitas vezes ele quer chamar a atenção e acaba morrendo”.
Outro grupo vulnerável ao suicídio é composto por idosos. “As pessoas de idade estão no grupo de risco por problemas clínicos causados pela mudança de neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar. Outra causa é o isolamento. “Eles se sentem sozinhos, sem projeto de vida”.

De acordo com o psiquiatra, profissões específicas, como polícia, bombeiro, também são vulneráveis, por terem uma sobrecarga maior. “Há também uma grande incidência entre estudantes de medicina”.

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