Venda de armas dobra em Guarapuava

Processo que autoriza compra de arma demora entre 6 e 10 meses

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou no dia 15 de janeiro deste ano, um decreto flexibilizando a posse de armas no Brasil. De acordo com o texto, não haverá mudança na lei atual, já que o decreto trata apenas da posse e não do porte.

Assim sendo, o cidadão com idade superior a 25 anos, que tenha ocupação lícita, endereço fixo, ficha policial limpa, capacidade técnica e psicológica comprovadas, poderá ter arma em casa para defesa pessoal e da família.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Em Guarapuava quem trabalha com o comércio de armas, sentiu o reflexo desde o decreto. Os irmãos Marcus e Júnior Rosengarth, possuem há 16 anos uma loja de artigos para pesca, camping, náutica, piscina e lazer em geral. E há 10 anos também começaram a vender armas. Em entrevista ao Portal RSN, eles disseram que desde o início do governo Bolsonaro, a procura por armas dobrou na loja.

“O Presidente falou que eu poderia comprar”, dizem alguns clientes que chegam com dinheiro no balcão. “Existe muita gente desinformada e acha que é só chegar com o dinheiro e comprar uma arma. E não é assim”, afirmou Marcus.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Os irmãos contam que o gosto pela venda de armas é antiga. “Isso vem de família, tá no nosso DNA, já que a nossa família sempre gostou e trabalhou com comércio de armas. Com o estatuto do desarmamento em 2003, que tornou o processo de compra e venda mais rígido, muitos comerciantes pararam com esse comércio. Em 2009, começamos a trabalhar com armas e munições”, explica Marcus.

“Eles [tios e avós] tinham comércio e buscavam diretamente no Porto de Santos/SP, para vender aqui em Guarapuava e Região. Isso lá pelos anos de 1960”, afirma Júnior que além de comerciante participa do Clube de Caça e Tiro de Guarapuava há cerca de 20 anos e pratica ‘tiro ao prato’.

De acordo com Júnior, a partir de 2009, houve uma demanda maior devido aos clubes de tiro, e muitas pessoas passaram a procurar a loja para praticar o esporte.

Segundo Marcus, essa pistola é uma das armas mais procuradas para defesa pessoal (Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Mensalmente 100 pessoas entram na loja e pedem por informações ou querem comprar uma arma. Em 90% dos casos, a procura é por armas para defesa pessoal. Mas segundo os comerciantes, apenas 10% acabam fazendo todo o processo de aquisição, que dura em média de 6 a 10 meses, e custa entre R$ 600 e R$ 800, sem contar o valor da arma.

Uma Pistola Taurus 380 custa R$ 4.400 (Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Os irmãos vendem armas longas e curtas. Até o último decreto, de 7 de maio, que facilita o acesso a munições, o transporte de armas e com isso beneficia colecionadores, atiradores esportivos e caçadores, as armas longas (rifles e carabinas) autorizadas para venda eram os calibres 22, 38 e 44. Para as armas curtas o comércio poderia vender pistolas calibres 380, 6.35, 7.65 e 22mm, e no caso de revólveres, os calibres autorizados eram 22 e 38.

“A partir desse novo decreto, para arma longa, foi incluído o calibre 357 que era de uso restrito das forças armadas e de profissionais de segurança, além de atiradores e caçadores. Agora a venda está liberada. Já para as armas curtas, o novo decreto incluiu pistolas calibres 9mm e .40; e revólveres calibres 357 e 44mm”.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

A maioria das armas são nacionais, algumas específicas são importadas e outras podem ser adquiridas pelo processo de importação. Este último apenas para atiradores esportivos. Quem pretende comprar uma arma precisa percorrer um longo caminho. Além de dinheiro, é necessário ter paciência e atender muitos requisitos legais.

“Na prática não mudou praticamente em nada com a nova legislação. Hoje uma pessoa que atenda aos requisitos que a lei impõe, está habilitada a comprar uma arma.”

Revólver Taurus Ultra Light calibre 38 custa R$ 2.700 (Foto: Gilson Boschiero/RSN)

PROCESSO

O processo tem várias etapas. A primeira é passar por uma avaliação psicológica com profissional credenciado junto à Polícia Federal e ao Exército. A segunda etapa é ser aprovado no Teste de Capacitação Técnica (curso de tiro), também com profissional credenciado na PF e no Exército. O preço do curso, lembram os comerciantes, varia de acordo com o calibre da arma a ser comprada, e fica em torno de R$ 200. O curso é composto por prova escrita de conhecimento e legislação, e das características da arma que pretende-se comprar. Também existe a parte prática, que são os disparos feitos com instrutor.

Por fim, Marcus afirma que após retirar as certidões negativas em todas as esferas criminais, e reunir comprovante de residência e informe de rendimento do interessado na compra da arma, monta-se o processo.

“É um requerimento feito no site da PF, protocola-se e aguarda o deferimento. Com a autorização da PF em mãos, a pessoa pode ir até uma loja em qualquer lugar do Brasil, e comprar a arma. Mas essa autorização tem validade de 90 dias”.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Quando o interesse pela compra não é defesa pessoal, mas a prática de esportes, todo o processo é igual, mas não pela Polícia federal, e sim por meio de autorização do Exército.

“O comprador da arma precisa estar associado a um clube de tiro, para ter liberada a prática do tiro esportivo, e também a Guia de Tráfego de Treinamento e Competição, que dá o direito de transporte da arma da residência até o clube ou onde estiver ocorrendo a competição”.

QUANTO CUSTA

De acordo com os comerciantes, os homens sempre foram quase que a totalidade do público comprador de armas. Mas o cenário mudou. “Hoje de 100 pessoas que entram na loja, 85 são homens e 15 são mulheres”.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Uma arma curta custa entre R$ 2.500 e R$ 5.500 em média. “Para importar uma pistola Glock, por exemplo o valor fica em aproximadamente R$ 10 mil”. Já para as armas longas, os valores variam de R$ 1 mil a R$ 15 mil em média.

“Mas quem pretende importar uma Perazzi italiana, vai ter que desembolsar entre 4 mil e 30 mil euros, algo em torno de R$ 20 mil até R$ 150 mil”.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

Para os comerciantes, o comércio legal autorizado não tem ligação com aumento da criminalidade. “Existe um lobby negativo com arma de fogo, que o cidadão de bem comprando uma arma com autorização vai aumentar a violência. E isso não é verdade. Ele só quer proteger seu comércio e sua família. Um ladrão vai pensar duas vezes em assaltar uma pessoa que tenha uma arma em casa”.

Pelo decreto de janeiro de 2019 do Presidente Bolsonaro, cada pessoa pode ter até quatro armas. O decreto mexe apenas na permissão do cidadão que quer ter uma arma em casa. Para sair de casa com o armamento, é preciso ter autorização para o porte.

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