A vida na boleia de um caminhão

Parados às margens PR-170, caminhoneiros falam da vida na estrada

Caminhoneiros parados na PR 170 (Foto: RSN)

A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Quem assistiu o seriado Carga Pesada, protagonizado pelos globais Antonio Fagundes e Stenio Garcia, vai lembrar que no dia 28 de maio de 2004, portanto, há 14 anos, os personagens Pedro e Bino, caminhoneiros, fizeram uma mobilização para bloquear uma rodovia. A reivindicação é para melhorias, segurança e manutenção nas rodovias federais.

Passado esse tempo, caminhoneiros de todo trazem esse enredo para a realidade. “Não queremos apenas a redução nos preços do óleo diesel, mas queremos manutenção das estradas, segurança”, diz o guarapuavano Jauri de Oliveira Gaspar, 51 anos, dos quais, 30 cortando as rodovias brasileiras, levando fretes. Assim como ele, motoristas sobrevivem na boleia do caminhão, cortando o Brasil do Ioapoque ao Chuí, numa das mais difíceis profissões. “A vida de caminhoneiro é solitária. Você não pode pensar. Tem que tocar em frente e não pensar em mais nada”, afirma Luiz Cesar Vasco Júnior.

Seu Jauri (Foto: RSN)

“A vida na estrada é para quem gosta e é uma profissão que vai passando de pai para filho. Eu me criei vendo o meu pai chegar e já sair de casa. Agora ele se aposentou, eu assumi e meu filho, que ainda é pequeno, também gosta da coisa”, diz Gilson de Lima.

Jauri contou que durante a sua vida de estrada, quando fazia fretes na Bahia, voltava para casa somente quatro vezes durante o ano. “Viajei no dia em que meu filho Gabriel nasceu e só fui vê-lo novamente quando ele tinha quatro meses”.

Dormindo na estrada, cozinhando à beira da rodovia, tomando banho onde dá e tendo que pagar entre R$ 10 e R$ 15 por uma chuveirada, tendo que abastecer em determinados postos para estacionar o caminhão e pernoitar com um pouco de segurança, sem ter dia e nem hora pra voltar, os caminhoneiros se consideram filhos da estrada. “Mas também temos o nosso filho, a nossa família, que é o caminhão. No momento em que estamos viajando é com ele que nos preocupamos, porque é dele que tiramos o sustento da família que deixamos em casa”, disse Luiz Cesar Vasco Júnior.

Além da manutenção das rodovias, os caminhoneiros também reivindicam a redução nos preços dos combustíveis, a queda na taxa do pedágio. Já são oito dias de mobilização que não tem data para acabar. “Se pararmos agora, nunca mais”, fazem coro os caminhoneiros que estão na PR-170, rodovia estadual que dá acesso ao município de Pinhão.

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