Ela saiu de Guarapuava e faz sucesso em Londres

Flávia exibindo livro que é fruto do projeto em conjunto com a escola o The Art of Cooking

Morar fora do país é um desafio em todos os sentidos. A dificuldade do idioma, a diferença de cultura, e aí inclui a culinária, os usos, os costumes, o clima. Mesmo assim Flávia Brisola Paiva, resolveu deixar a casa onde morava, ali pertinho da Lagoa das Lágrimas; o trabalho como juíza conciliadora e na Slaviero; o curso de Direito para morar na Inglaterra.

Hoje casada, mãe dos gêmeos, a guarapuavana, é uma profissional de destaque na área de mídia e comunicação, curso que escolheu em Londres. É especialista em produção de revistas e designer visual; é fotógrafa; e já se destacou na área gastronômica.

Mas a história internacional de Flávia começa lá em 2006. “Eu nunca imaginei sair de Guarapuava, mas em 2006 surgiu a vontade de visitar amigos que há dois anos haviam saído de Guarapuava e estavam morando em Birmingham”.

Muito ligada à família, Flavia conta que resolveu morar na Inglaterra, mas vim com os pés no chão. Sempre fui muito ligada à minha família e sabia que caso não conseguisse me virar sozinha eu teria prá onde voltar”.

O primeiro ano foi um desafio e tanto. “Meu inglês, até então o americano, era básico. Meus estudos aqui na Inglaterra de nada valiam sem uma equivalência e um inglês fluente”. Para superar essa fase ela teve a seu favor o gosto pela cozinha. “Em Londres fiz uma entrevista para o posto de Pastry Chef em uma das melhores delicatessens da cidade, a Elizabeth King. Fui aceita mesmo não tendo cursos no ramo, mas por conhecer e saber elaborar as principais receitas. Quem me conhece sabe que minha mãe, Cleide, sempre amou cozinhar e fazer jantares em nossa casa desde quando o meu pai era vivo”. Nessa época Flavia conheceu aquele que seria o seu marido, Vitor. Brasileiro de Sorocaba morava em Guildford, a 20 minutos de Londres.

Um ano se passou e em 2017 ela resolveu voltar a Guarapuava, mas o então amigo Vitor a convenceu de retornar à terra londrina. Por mais dois anos trabalhou como Pastry Chef enquanto o Vitor trabalhava num ramo semelhante gerenciando uma rede de padarias no Norte de Londres, a Tregeser.

“Em 2009 mudamos pra Birmingham. Um ano depois nos casamos no Brasil. Voltamos por um tempo a Guarapuava, mas uma vez que se mora fora tudo muda. A saudades dos amigos e nossa vida no Reino Unido era muito grande. Voltamos, mas com a intenção de ser permanente. Em 2011 decidimos voltar aos estudos”.

Flávia e Vitor durante a formatura da guarapuavana em Mídia e Comunicação (Foto: arquivo pessoal)

Ele já era formado em inglês tinha um inglês impecável, segundo Flávia. Decidiu cursar Relações Internacionais e Política. Foram quatro anos de universidade. “Nesse meio tempo ele também trabalhava como oficial de imigração de uma instituição de ensino. Estudou na melhor universidade da China por alguns meses e se formou com distinção, a nota máxima aqui na Inglaterra. Ganhou uma premiação entre os formandos de Relações Internacionais do mundo todo e com isso uma bolsa de estudos para mestrado em Terrorismo, Crime Organizado e Segurança Global”.

Enquanto isso Flávia percebeu que continuar com o curso de Direito seria muito complicado e optou por Mídia e Comunicação. Durante os três anos de curso em período integral me destaquei e me superei em vários aspectos. Me graduei com distinção, nota máxima do meu curso. Fui indicada ao prêmio de destaque em mídia fotográfica entre 307 alunos, pelo meu trabalho em fotografia gastronômica. Me especializei também em produção de revistas e designer visual”.

Ela também escreveu durante três anos para a revista NUBI Magazine, sobre turismo e culinária com fotos suas também.  Como fotógrafa cobriu shows de beleza. Em Nova York foi assistente de direção do documentário sobre cinema mudo. Looking for  Charlie será lançado no Amazon Prime. Fui assistente de diretor, câmera e fotografia”.

Flávia e os gêmeos Murillo e Octávio na primeira neve de 2017 (Foto: Arquivo pessoal)

Nos últimos meses de vida acadêmica, entre um projeto fotográfico em uma escola de culinária de Birmingham e a tese, Flávia descobriu que estava grávida de gêmeos. Mesmo assim ela concluiu tudo o que tinha começado.

“Pela minha tese fui convidada ao mestrado já com um promissor doutorado e a posição de pesquisadora na área de Mídia e Guerra.

Dos 307 alunos fui a única a escrever quase todos os meus trabalhos acadêmicos sobre política, fotojornalismo, guerra e conflito, mas tive que adiar as propostas e a carreira com a vinda dos gêmeos”.

Hoje Murillo e Octávio estão com 14 meses e Flávia confessa que  os projetos futuros começaram a voltar a ocupar seus pensamentos. “Retomar as propostas e também embarcar em projetos novos na área de segurança global junto ao meu marido que é hoje é especialista”.

Sentindo saudades das pessoas, dos amigos de Guarapuava, Flávia tenta estar aqui a cada dois anos. Pensar em voltar para o Brasil? “Não sei se penso em voltar. Eu o Vitor amamos viajar e depois de viajar mais de 20 países acho que pensamos talvez em nos aventurar em outras bandas e quem sabe voltar quando a gente se aposentar”. Enquanto isso não acontece ela sonha em poder ter o melhor dos dois países. “Morar aqui, mas ter o calor do Brasil. Ter meus amigos na mesma cidade, mas também ter Londres a uma hora de casa. Mas isso é um sonho impossível”.

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