22/08/2023

Gerson Küster: a magia da sonorização após quatro décadas em bandas

Aos 70 anos, Gerson Küster já esteve tanto no palco quanto nos bastidores. E garante que ama o que faz

Para ele, a sonorização valoriza ainda mais o trabalho do artista que está apresentando (Foto: Reprodução/Raízes Sonoras)

Após uma carreira de cerca de quatro décadas como músico, Gerson Luiz Gomes Küster, de 70 anos, fica agora nos bastidores. Cada painel e botão deve ser manuseado com precisão e experiência para que o espetáculo seja impecável. A sonorização é um trabalho pelo qual Gerson se apaixonou. “Vivo minha vida dessa forma: trabalhando com som, levando alegria para as pessoas, que eu acho que é muito importante”.

DOS INSTRUMENTOS PARA A MESA DIGITAL

Ele ama a área em que trabalha, seja atuando diretamente na música ou atrás dos palcos, com o som. Começou a atuar em bandas em 1974, quando se uniu com um grupo de vizinhos. Durante aproximadamente 40 anos, tocou em bailes, festas, festivais e demais tipos de eventos.

“Chegou uma época que se cansa de mexer com música, porque música às vezes é meio complicado de mexer. Aí eu comecei esse lado da sonorização, que é uma coisa que eu gosto muito de fazer: mexer com os botões”.

Sobre a longa experiência com a música, ele brinca em bom humor: “Rico eu não fiquei”. “Mas acho que a riqueza maior de tudo isso que eu consegui é o conhecimento de pessoas, amizades. Eu viajei bastante, dentro do Brasil e fora do Brasil. E eu acho que é essa bagagem, os mais novos têm um respeito muito grande por mim. O que me trouxe foi isso, essa realização pessoal. Eu gosto muito do que faço e sou muito feliz com isso”.

OS DESAFIOS DA SONORIZAÇÃO

Gerson passou de tocar os instrumentos para clicar em uma tela. Ele reconhece que essa transição não é fácil. “Essa migração é difícil, porque é totalmente diferente o analógico do digital. Então você precisa de estudo, precisa de conhecimento, você tem que buscar isso. Fiz cursos, várias videoaulas. Mas é muito bacana, é muito legal”.

Ele buscou por cursos e videoaulas, se adaptando às tecnologias da sonorização. “Te desafia. O desafio está ali toda hora. Numa mesa digital, você tem vários parâmetros e páginas, e de repente você não conhece aquilo. Você vai ter que pesquisar, entrar lá, ver como funciona realmente e aprender. Porque na hora do show, você não pode errar”.

Apesar dos desafios e adaptações, Gerson é muito grato pelo trabalho que faz, pois além do próprio sucesso também colabora no espetáculo de quem está apresentado à uma multidão. “Eu sinto muito prazer, mesmo trabalhando nos bastidores, porque eu sei que estou tentando proporcionar para o músico o melhor pra ele, para que ele mostre o talento dele. Eu tenho acompanhado muitos shows, e eu vejo o quanto o músico sofre quando o técnico de som é ruim, como isso prejudica. Então a gente, com a experiência que tem, procura ajudar ao máximo o músico e a banda para desempenhar bem o papel deles”.

PARTICIPAÇÃO NO RAÍZES SONORAS

Durante a conversa que teve com Orlando Silva na gravação do videocast “Guarapuava em Frequência – Raízes Sonoras da Terra”, Gerson destaca que precisa-se muito estudo e esforço para desempenhar a sonorização, além de contar diversas histórias da carreira. “A gente lembrou de muitas coisas lá do passado, engraçadas até. E foi muito bacana”.

Para quem gostaria de seguir na área, ele aconselha buscar conhecimento, acima de tudo. “Tem que aprender, tem que saber com o que e como vai mexer. Porque não dá para entrar numa sonorização sem ter conhecimento de nada das funções”.


Gerson Küster é convidado do sexto episódio de Guarapuava em Frequência — Raízes Sonoras da Terra. O projeto, financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, tem estreia prevista para agosto, com exibição nas redes do Portal RSN e no perfil do projeto no Instagram.

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