Fabio Menarim volta ao banco dos réus nesta terça (31)

Da Redação

Guarapuava – O bancário Fabio Menarim retorna ao banco dos réus às 9h desta terça feira (31) para novo julgamento pelo Tribunal do Júri. Ele é acusado de ter executado a tiros os jovens Sandro Esteche e Henry Franciosi, há mais de 22 anos, no mercado São Vicente, na Avenida Aragão de Mattos Leão, no bairro Cascavel, em Guarapuava. Menarim já foi julgado e condenado a 27 anos de prisão em regime fechado. O júri, porém, foi anulado porque a promotora Leandra Flores, que atuou na acusação, pediu a absolvição do réu. Ela alegou ter dúvidas quanto a autoria do duplo assassinato qualificado.

Sandro e Henry foram executados na noite de 20 de março de 1995, nos fundos do extinto mercado. De acordo com as 200 páginas que formam o processo judicial, o denunciado pelo crime, Fábio Menarim Rocha, amigo de Sandro e Henry, passou horas junto com Sandro no mercado. No final da tarde Henry chegou. Tão logo o mercado foi fechado e o pai de Sandro, João Quilhano Esteche, foi para casa, os dois foram assassinados. Um casal que morava em frente ao mercado ouviu o disparo de “quatro ou cinco tiros”. Edevaldo Augusto Pereira disse que foi até a frente do mercado enquanto o tiros estavam sendo disparados. Terezinha Parezino Moss, outra testemunha, assistia televisão quando também ouviu os disparos. Foi até a janela e retornou à tevê, ouvindo um último tiro. Ela também disse que só viu Fabio saindo do local, indo até a casa da testemunha para pedir socorro.

A versão de Fabio é de que uma terceira pessoa chegou com Henry no mercado e começou a atirar, tendo, inclusive, desferido contra ele (Fabio), mas o tiro pegou na barriga, de raspão. Em seguida o suposto assassino teria saído pela frente do mercado.

Os depoimentos das testemunhas, porém, contradizem a versão do acusado. Nenhuma das pessoas envolvidas viu uma terceira pessoa saindo do local, a não ser Fabio.

Tanto a reconstituição do crime quanto laudos periciais, de acordo com o processo, mostram que o tiro contra Fabio foi à queima roupa, já que o local atingido apresentou resquícios de pólvora, ao contrário de Sandro e Henry. A suspeita é de que Fabio atirou contra si mesmo. O policial José Ademir de Paulo estranhou o fato de somente Fabio apresentar pólvora no corpo e os outros não. O advogado de defesa Elcio Melhem afirma no processo que a cicatriz no corpo do seu cliente, que também é seu afilhado, não apresenta características de "tiro encostado".

O pivô das duas execuções seria uma dívida de R$ 5,1 mil. Fabio deu um cheque a Sandro como garantia. O cheque nunca foi encontrado e nem descontado no banco. O cofre da família Esteche estava aberto e havia papéis picados pelo chão. Num trecho do processo, há a afirmação de que o denunciado teria dito: "esses dois já estão feitos. Agora só falta o cabeludo", numa referência ao irmão de Sandro, que hoje mora no Mato Grosso.

Um cunhado de Fabio, em depoimento, disse que estranhou o fato deste não ter reagido contra a terceira pessoa já que costumava andar sempre armado.

Fabio chegou a ser preso, mas foi liberado por habeas corpus. Em depoimento que consta no processo o réu acusa policiais de tê-lo torturado na prisão.

EXUMAÇÃO

Em dezembro de 2013, a   juíza da 1ª. Criminal Carmen Mondin solicitou a exumação dos corpos para a retirada dos projéteis. A intenção foi comparar as balas com o calibre do revólver Taurus 38 encontrado pela polícia. Um projétil foi encontrado no crânio de Sandro.  Na noite do crime, a arma não foi encontrada e o local foi descaracterizado, antes da polícia chegar.

O pedido de exumação dos corpos e a retomada do processo fazem parte da Meta Prioritária 2 do CNJ (Conselho Nacional da Justiça) que tem por objetivo julgar todos os processos de conhecimento distribuídos (em 1º grau, 2º grau e tribunais superiores) até 31/12/2006 e, quanto aos processos trabalhistas, eleitorais, militares e da competência do Tribunal do Júri, até 31 de dezembro de 2007.

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