"Não devo, não ameacei, não roubei", diz padre Sercio em entrevista

Jonas Laskouski

Guarapuava – Padre Sercio Catafesta, ecônomo administrador da Diocese de Guarapuava e principal envolvido na Operação Sacrilégio, falou pela primeira vez desde que as denúncias de desvio de dinheiro na reforma da Casa de Formação de Líderes Nossa Senhora de Guadalupe, foram apresentadas ao Ministério Público que, com o auxílio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) nas investigações, ofereceu denúncia à Justiça.

A entrevista coletiva aconteceu na manhã desta sexta (03), nas dependências da própria Casa de Líderes, pivô das denúncias, que fica localizada no bairro Santana, em Guarapuava. Logo no portão, dois seguranças privados, mais um funcionário que pedia identificação. Somente a imprensa estava autorizada.

Durante 20 minutos, e de forma bastante sucinta, padre Sercio respondeu as perguntas dos jornalistas e repórteres presentes. Informações recebidas pela RedeSul de Notícias nesta semana contradizem algumas explicações dadas pelo padre Sercio, durante depoimento dado ao Ministério Público no dia 26 de janeiro (veja mais AQUI), como por exemplo, quando Sercio diz que a diocese passava por dificuldades e que estava vendendo terrenos para sobreviver. Fontes disseram que o Padre Reonaldo, antecessor de Sercio na função desempenhada, deixou um caixa com saldo positivo, inclusive com uma quantia considerável – cerca de R$ 600 mil – e que apenas um terreno havia sido vendido, dois anos antes de Reonaldo deixar o cargo. ‘Como então a diocese poderia estar então com dificuldades e como terrenos (no plural) haviam sido vendidos?’, questionei.

Outra contradição diz respeito ao controle do que as paróquias recebiam em dízimos, coletas, capelinhas e doações, cuja determinada porcentagem é repassada à diocese. Padre Sercio afirmou em depoimento, não haver nenhum tipo de controle anteriormente e voltou a afirmar na coletiva. Segundo informações, havia sim um programa instalado nas paróquias da diocese, chamado ‘Cleros’ e que, uma vez lançada a entrada, não era possível alterações. Tal afirmação, inclusive, colocou em xeque a honestidade de padres e secretários. ‘Então havia controle com o programa Cleros?’, foi outra pergunta minha.

Também questionei os salários dos mestres de obra contratados para a reforma, além de perguntar o porquê de não ter havido nenhuma resposta, no início das suspeitas, quando o primeiro grupo de padres pediu explicações em março de 2014, o que no meu entendimento, teria evitado todo esse desgaste e todo o escândalo que manchou a imagem da Igreja Católica, em Guarapuava.

As respostas para essas e outras perguntas feitas pelos colegas dos demais veículos de comunicação presentes você assiste na íntegra da coletiva, disponível na RedeSul TV, com imagens gentilmente cedidas pelo repórter Alcione Ribas e pelo cinegrafista Rafael Ribas, do programa Patrulha na Cidade, exibido pela TV Humaitá.

Ao final da entrevista, a imprensa foi convidada a visitar as demais dependências da Casa de Líderes e ver a reforma feita, fruto das suspeitas e denúncias que deflagraram a Operação Sacrilégio. Um dos contratados para fazer a reforma acompanhou a visita, ao mesmo tempo em que explicações eram dadas sobre o que tinha havia sido refeito. 

 

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