22/08/2023
Blog da Cris Brasil

Caiado, neste momento, não quebra a polarização; ele a complica

A leitura mais plausível é que Caiado hoje ameaça mais o espaço de Flávio no primeiro turno do que a liderança estrutural de Lula no campo governista

Ronaldo Caiado (Foto: Antonio Cruz /Agência Brasil)

Com a oficialização de Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD, o quadro muda mais na arquitetura da disputa do que no placar bruto da eleição nacional. Hoje, ele entra nacionalmente num patamar ainda baixo. No levantamento da Paraná Pesquisas divulgado recentemente, Caiado aparece com 3,6% no cenário estimulado em que Lula tem 41,3% e Flávio Bolsonaro 37,8%. Na série do próprio instituto, ele vinha oscilando em torno dessa faixa. Na pesquisa Nexus/BTG, Caiado marca 4% em um dos cenários de primeiro turno, enquanto Lula aparece com 41% e Flávio com 38%.

Isso sugere, na prática, que Caiado, neste momento, não quebra a polarização; ele a complica. Isso porque, a candidatura tende a mexer mais com a centro-direita e com o eleitor conservador que procura uma alternativa ao sobrenome Bolsonaro do que com a base social de Lula. O dado mais duro contra a tese de uma “terceira via forte” é que, no segundo turno da Nexus/BTG, Lula vence Caiado por 46% a 41%, enquanto Flávio aparece empatado com Lula em 46% a 46%. A leitura mais plausível, portanto, é que Caiado hoje ameaça mais o espaço de Flávio no primeiro turno do que a liderança estrutural de Lula no campo governista.

O maior problema de Caiado talvez nem seja eleitoral, mas político-organizativo. A própria movimentação do PSD indica que a candidatura serve também para preservar a independência do partido e liberar arranjos regionais. Conforme a CNN, isso significa que Caiado não terá palanque integral do PSD em estados estratégicos como Bahia, Rio de Janeiro, Ceará e Minas Gerais. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Tarcísio de Freitas está fechado com Flávio Bolsonaro. Além disso, o partido quer priorizar candidaturas estaduais e uma bancada forte na Câmara, o que reduz a chance de uma aposta total e unificada no projeto presidencial do goiano.

Já no Paraná, o governador Ratinho Junior foi às redes sociais e declarou apoio a Caiado.

REORGANIZAÇÃO DA DIREITA

Em resumo, com Caiado o quadro fica mais embaralhado, mas não menos polarizado. Ele entra como peça de reorganização da direita e do centro. No entanto, não como favorito imediato ao segundo turno. Se crescer, pode virar a válvula de escape para um eleitor que rejeita Lula, mas não quer um bolsonarismo puro-sangue. Se não sair logo dos atuais 3% a 4%, porém, a candidatura dele tende a funcionar mais como fator de dispersão no primeiro turno do que como ruptura real do eixo principal da eleição, que continua girando em torno de Lula e Flávio Bolsonaro.

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Cristina Esteche

Jornalista

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