22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

Moro queria ser o juiz da política, mas virou réu das próprias contradições

Moro tenta sustentar o discurso anticorrupção, mas derrotas na Justiça e problemas envolvendo aliados colocam em xeque a narrativa 'morista'

Senador Sergio Moro ( Foto: Lula Marques /Carta Capital)

Moro entrou no jogo eleitoral de 2026 carregando a bandeira que construiu a trajetória pública: o combate à corrupção. O problema é que, nos últimos dias, a realidadese mostra menos generosa com o senador. A bola não entra, as jogadas não encaixam e, quando parece encontrar espaço, a própria equipe acaba criando dificuldades.

No campo jurídico, Moro e o grupo dele acumulam tropeços. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) rejeitou duas ações apresentadas pelo PL. Miravam publicações do governador Ratinho Junior e do pré-candidato do PSD ao Governo do Estado, Sandro Alex. A Justiça entendeu que não houve irregularidade e manteve as postagens, reforçando que a divulgação de ações políticas e administrativas faz parte da liberdade de expressão.

Mas a maior derrota de Moro não está apenas nas decisões judiciais. Está no desgaste da principal marca que o levou à política: o discurso da ética e do combate aos desvios de conduta. O senador, que durante anos se apresentou como símbolo da luta contra a corrupção, agora enfrenta o desconforto de ver integrantes do próprio campo político envolvidos em denúncias e questionamentos justamente na área em que ele construiu reputação.

CONTRADIÇÃO

A contradição é evidente. Moro tenta se colocar como fiscal da política tradicional, mas precisa administrar problemas dentro da própria estrutura partidária. O discurso que servia para apontar falhas nos adversários começa a falhar internamente. A política tem dessas ironias: quem constrói uma carreira em cima da cobrança por coerência passa a ter julgamento pelo mesmo critério.

É o velho dilema do “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”. A bandeira da moralidade é poderosa quando está apontada para o adversário. Entretanto, perde força quando as explicações precisam ser dadas dentro do próprio grupo.

A eleição está chegando e política é feita de percepção. E a percepção neste momento é desconfortável para Moro. Afinal, o candidato que prometia jogar contra os velhos vícios da política agora precisa explicar por que alguns dos problemas que ele denunciava aparecem orbitando no próprio lado.

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Cristina Esteche

Jornalista

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