22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava

A pátria também é mãe!

O Brasil gosta de se chamar pátria, mas talvez devesse admitir que é mãe. Uma mãe imensa, contraditória, generosa e ferida


Imagem gerada por IA

O Brasil gosta de se chamar pátria, mas talvez devesse admitir que é mãe. Uma mãe imensa, contraditória, generosa e ferida. Uma mãe que acolhe filhos muito diferentes, que oferece terra, língua, memória, comida, música, fé e futuro. Mas que também carrega cicatrizes profundas, abertas pela desigualdade, pela violência e pelo abandono.

Como tantas mães brasileiras, a pátria sustenta mais do que recebe. Dá chão a quem corre, alimento a quem planta, beleza a quem contempla, esperança a quem insiste. Mas é explorada por aqueles que dizem amá-la. É celebrada nos discursos, usada nas campanhas, pintada nas bandeiras, cantada nos hinos. E esquecida quando precisa de cuidado real.

A pátria-mãe vê os filhos partirem cedo demais, vítimas da fome, da violência, da falta de oportunidade e da indiferença. Vê mães chorando por filhos que o Estado não protegeu. Vê crianças crescendo sem escola digna, mulheres trabalhando até o limite. Ou famílias inteiras improvisando sobrevivência onde deveria existir direito. Ainda assim, essa mãe continua de pé.

Há algo profundamente materno no Brasil: a capacidade de fazer nascer mesmo em chão difícil. O país resiste porque as mulheres resistem. Porque as mães transformam pouco em muito, medo em coragem, ausência em presença, dor em luta. Se a pátria tem rosto, ele não está apenas nos palácios. Está nas cozinhas, nos ônibus lotados, nas salas de aula, nos postos de saúde, nas casas simples onde alguém acorda antes do sol para manter a vida funcionando.

Neste Dia das Mães, talvez seja preciso olhar para o Brasil como se olha para uma mãe cansada. Com menos exploração e mais responsabilidade. Amar a pátria não é apenas cantar o hino ou vestir as cores verde-e-amarelo. É cuidar dos filhos. Proteger as mulheres. Garantir comida, escola, saúde, segurança, dignidade e futuro. Porque uma pátria que abandona as mães abandona a si mesma.

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Cristina Esteche

Jornalista

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