22/08/2023
Cotidiano Educação Em Alta

Fieg 2026 reúne mais de 50 projetos no Colégio Estadual Rui Barbosa

Feira itinerante do NRE de Guarapuava mais que dobra o número de inscrições em relação a 2025 e leva estudantes da região ao Colégio Estadual Rui Barbosa

Projeto do 'Velozes e Curiosos' sobre abelhas venceu a categoria Clubes de Ciências (Foto: Mathias Trindade)

A segunda edição da Feira Itinerante das Escolas do Núcleo Regional de Educação de Guarapuava, a Fieg, movimentou o Colégio Estadual Rui Barbosa nesta sexta (3). Estudantes de escolas públicas apresentaram 55 projetos, distribuídos nos eixos de robótica, programação e clubes de ciências.

Em 2025, a primeira Fieg havia recebido 98 inscrições e selecionado 45 projetos. Neste ano, a comissão organizadora teve de escolher entre 229 inscritos. O salto reflete menos um esforço de divulgação e mais um amadurecimento do próprio formato, de acordo com os professores Thalles Horn e Pablo Saldanha da Luz, que idealizaram a feira.

“A comunidade abraçou a feira. É isso que a gente quer mostrar: cada escola apresenta a realidade da sua comunidade e de seus estudantes, provando que em todos os cantos do nosso núcleo existem alunos desenvolvendo projetos magníficos”, afirma Thalles.

“E até em relação à qualidade de projetos, nós conseguimos perceber a evolução e o amadurecimento do estudante em comparação com o ano passado”, complementa Pablo.

O tema deste ano foram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com os projetos organizados em torno de cinco eixos: Fome Zero e Agricultura Sustentável, Educação de Qualidade, Energia Acessível e Limpa, Indústria, Inovação e Infraestrutura, e Ação Contra a Mudança Global do Clima.

ANO DA CONSOLIDAÇÃO

Thalles lembra que a primeira edição foi um projeto-piloto, montado em dois meses por uma comissão de quatro pessoas. “Foi um caos generalizado, a gente teve diversas dificuldades por ser a primeira vez”, admite. Desta vez, com uma comissão mais estruturada e quase um ano de antecedência, o resultado apareceu. Empresas locais se aproximaram por conta própria, sem que a organização precisasse procurá-las.

Um dos pilares da Fieg, conforme os professores, é o retorno que a organização dá aos estudantes depois da inscrição. Todo projeto recebe uma devolutiva da banca avaliadora, seja de aperfeiçoamento, de reconhecimento ou de reformulação, com mais de 20 dias de antecedência em relação à feira. É tempo suficiente para ajustar hipóteses, revisar dados e chegar ao dia da apresentação com o trabalho mais maduro. Projetos vencedores de 2025 já avançaram para feiras estaduais e nacionais, entre elas a Jornada Educatec, a FICiências e a FECCI, e dois deles seguem em processo de validação em universidades depois de premiações em São Paulo.

Thalles e Pablo projetam consolidação da Fieg (Foto: Mathias Trindade)

O VALOR DE VER O TRABALHO DO OUTRO

Para Elisa Aguayo, professora e uma das coordenadoras dos Clubes de Ciências na Unicentro, a feira resolve um problema que os clubes carregam ao longo do ano: o isolamento. “O estudante já vem fazendo suas atividades dentro dos clubes, muitas vezes isoladamente. Agora tem essa oportunidade de trocar ideias, compartilhar, treinar para as próximas feiras”, disse. Ela destacou o encontro entre projetos de temática parecida, como as pesquisas sobre abelhas apresentadas por escolas diferentes, como um dos pontos mais ricos da programação: estudantes que dificilmente teriam contato entre si passam a comparar métodos e resultados na mesma sala.

O diretor do Rui Barbosa, Cleto Rudinei Chiquito, associou o evento ao modelo de tempo integral da escola anfitriã. “Hoje colocamos na prática um princípio da educação integral, que é o protagonismo. Os projetos demonstram isso”, afirmou.

FEIRA MARCA A EVOLUÇÃO

Entre os trabalhos em exposição, o Clube de Ciências Ecotransformadores, do Colégio Estadual Vereador Heitor Rocha Kramer, mostrou o andamento de um projeto de rua sustentável no bairro Vila Colibri. A estudante Fernanda Ferreira Prestes, de 16 anos, contou que a proposta saiu do papel desde a última apresentação do clube. “Já temos as plantas, as mudinhas para a gente já começar a plantar e também já temos algumas mudanças no bairro, onde a gente já está implantando tudo bem certinho.”

Já o Colégio Estadual Professor Amarílio levou o “Corrente do Bem”, que une arte e sustentabilidade. Os estudantes coletam tampinhas de garrafa e plástico para montar obras de arte efêmeras, depois desmontadas e doadas a uma instituição de apoio a idosos, que troca o material por fraldas e produtos de higiene pessoal. “A gente pensou nessa questão da construção, um ciclo que vai servir para outras situações, outro contexto de reciclagem”, explicou o professor Doacir Domingos Filho, orientador do clube. Em paralelo, os alunos produzem um documentário sobre o próprio processo do grupo, projeto que deve continuar mesmo depois do fim do ciclo letivo do clube.

O QUE VEM DEPOIS DA FIEG

Os projetos que mais se destacarem seguem para o Espaço Maker do NRE, onde recebem mentoria e acompanhamento técnico para virar soluções mais estruturadas. A aposta dos organizadores é que o modelo passe a ser replicado em outros núcleos regionais. “A gente tem uma comunidade científica muito boa, professores muito bons e, sobretudo, nossa joia, que são os estudantes”, resumiu Thalles.

A programação seguiu das 8h às 16h, com exposição e avaliação dos projetos pela manhã e à tarde, seguidas de cerimônia de premiação.

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 [email protected]

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