22/08/2023
Economia Em Alta exportação Guarapuava Paraná

Tarifa dos EUA coloca Guarapuava e municípios do Paraná em zona de risco

Nova taxação pressiona a indústria madeireira, reduz a competitividade das exportações e acende alerta para empregos, investimentos e arrecadação municipal

Porto de Paranaguá (Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná)

A tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros amplia a pressão sobre a indústria paranaense. O impacto não se limita à queda das exportações. A medida pode reduzir investimentos, comprometer empregos. E também enfraquecer economias municipais fortemente dependentes do mercado externo. A taxação começou a valer em 22 de julho deste ano.

Baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, a taxa atinge milhares de produtos brasileiros e deve afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, conforme levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Campo Largo aparece como o município paranaense mais exposto. A cidade ocupa a sétima posição no ranking nacional de 10 municípios mais afetados. Soma US$ 184,1 milhões em exportações afetadas.

O dado revela a exposição de setores importantes da economia local, como a indústria metalmecânica e a produção de cerâmica. Conforme avalia o superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, João Arthur Mohr, a estrutura produtiva do município explica o alto grau de vulnerabilidade.

ZONA DE RISCO

Guarapuava, União da Vitória e Bituruna também entram na zona de risco, principalmente pela presença da indústria madeireira e pela dependência de compradores norte-americanos. De acordo com levantamento, publicado pelo Estadão, 906 municípios brasileiros devem sentir os efeitos da nova tarifa. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Amcham Brasil.

A avaliação da Fiep mostra que o problema vai além do volume exportado. Empresas que construíram relações comerciais de longo prazo com compradores dos Estados Unidos podem perder espaço para concorrentes de outros países. Com a tarifa, os produtos brasileiros chegam mais caros ao mercado americano.

Esse aumento reduz a competitividade e pressiona as margens das indústrias. As empresas terão de decidir entre absorver parte do custo, elevar os preços ou buscar novos mercados. Nenhuma dessas alternativas oferece uma solução imediata.

MADEIRA COLOCA GUARAPUAVA SOB PRESSÃO

A indústria da madeira está entre as cadeias mais expostas no Sul do Brasil. A nova cobrança, que vigora desde 22 de julho, ocorre em um cenário em que parte das exportações brasileiras já estava submetida a outras tarifas impostas pelos EUA, principalmente nos setores de aço e alumínio

No Paraná, o impacto alcança municípios como Jaguariaíva, Guarapuava, Palmas e Telêmaco Borba. A tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros coloca Guarapuava e Bituruna entre os municípios paranaenses sob maior pressão econômica. Guarapuava aparece no levantamento entre as cidades afetadas pela dependência da indústria madeireira, embora a publicação não detalhe a posição exata no ranking. Bituruna ocupa o 54º lugar nacional, com US$ 18,9 milhões em exportações expostas à medida.

A cadeia madeireira possui peso relevante nas economias do interior. Ela movimenta transporte, serviços, comércio, produção florestal e atividade industrial. Por isso, uma queda nas vendas externas tende a provocar efeitos em várias etapas da economia regional. De acordo com o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr os Estados Unidos ocupam uma posição difícil de substituir nesse mercado.

A cadeia madeireira, que sustenta a economia de diversos municípios de médio e pequeno porte do Paraná, também enfrenta um cenário delicado, já que os Estados Unidos são o único mercado com escala para absorver o sistema construtivo ‘Wood Frame’.

EMPREGOS E INVESTIMENTOS ENTRAM NO RADAR

A Fiep avalia que a tarifa pode gerar uma reação em cadeia. A queda das encomendas afeta a produção. A redução da produção limita novos investimentos. Com menos atividade, cresce o risco de cortes de postos de trabalho.

As consequências incluem perda de empregos, fuga de investimentos para países vizinhos e redução da competitividade das empresas brasileiras frente aos concorrentes internacionais.

A eventual transferência de investimentos para outros países representa um dos cenários mais preocupantes. Empresas exportadoras podem buscar locais com acesso comercial mais favorável ao mercado norte-americano. Esse movimento reduziria a capacidade industrial do Paraná e afetaria municípios que dependem de poucas cadeias produtivas. Em cidades menores, a retração de uma grande indústria costuma atingir rapidamente o comércio, os serviços e a arrecadação municipal.

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Cristina Esteche

Jornalista

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