22/08/2023
Brasil Mário Luchetta Política

A importância do 1º turno

Se você estivesse prestes a construir a casa da sua vida, aquela que abrigará seus filhos e garantirá o futuro da sua família, qual critério usaria para contratar o engenheiro?

Luís Mário Luchetta (Foto: divulgação)

Se você estivesse prestes a construir a casa da sua vida, aquela que abrigará seus filhos e garantirá o futuro da sua família, qual critério usaria para contratar o engenheiro responsável? Escolheria aquele cujo projeto possui as fundações mais sólidas, a melhor técnica e os valores alinhados aos seus, ou contrataria impulsivamente quem as pesquisas de opinião da vizinhança apontam como o mais popular?

Essa analogia permite uma reflexão sobre a nossa política nacional. Ao longo das últimas décadas, o eleitor brasileiro foi sutil e perigosamente viciado a transformar a festa da democracia em um páreo de hipódromo. Fomos induzidos a olhar para o processo eleitoral não como a construção de um Projeto de País, mas como uma aposta em uma corrida de cavalos, onde a escolha deixa de ser aquilo que julgamos ser o melhor e passa a ser o mero cálculo utilitário de quem “tem mais chance de ganhar”.

Com a aproximação das eleições deste ano, precisamos resgatar com urgência a verdadeira importância do 1º Turno.

O primeiro turno não existe para chancelar atalhos pragmáticos, tampouco para nos render a um utilitarismo tacanho. Ele é, por excelência, o momento sagrado da convicção, da liberdade de consciência e da afirmação de princípios. Quando renunciamos à nossa convicção para votar no “menos pior” e “com mais chances” no primeiro turno, capitulamos antes mesmo de lutar.

A polarização estéril que domina o debate público funciona como uma prensa hidráulica da inteligência crítica: ela achata as alternativas, tenta exterminar a pluralidade e lança o desprezo e o descrédito sobre qualquer proposta fora do espectro maniqueísta. O resultado disso é a paralisia do Brasil. Uma nação que nega a reflexão e ridiculariza o surgimento de novas lideranças condena a si mesma ao atraso perpétuo.

É hora de desmistificar a grande falácia do debate eleitoral: a ideia de “voto perdido”. Como nos alertava o filósofo e pensador político Alexis de Tocqueville, a tirania das maiorias se consolida quando os indivíduos renunciam ao direito de pensar por si mesmos em nome da conformidade social. Voto perdido não é aquele dado a um candidato numericamente menor nas pesquisas. Voto perdido é aquele depositado sem convicção, alinhado a um projeto em que você desacredita, apenas por medo ou contaminação pelo rebanho.

No 1º turno, a regra deve ser a avaliação criteriosa. Cabe a nós analisar o histórico de vida, a capacidade de gestão, as propostas concretas e a firmeza de princípios de cada candidato. Respeito profundamente os cidadãos que, após esse filtro, já se posicionaram com convicção por outros projetos. Porém, dirijo-me especialmente aos indecisos e àqueles insatisfeitos com a mesmice: olhem para o cenário sem as viseiras da pesquisa indutiva.

Nesse horizonte de busca por eficiência, responsabilidade e integridade, a candidatura de Romeu Zema para a Presidência da República, acompanhada pelo senador Eduardo Girão como vice-presidente, surge como uma alternativa que merece a mais séria e ponderada consideração do eleitorado brasileiro.

Zema provou em Minas Gerais que é possível governar com austera gestão pública, cortar privilégios e gerar oportunidades sem recorrer ao populismo estridente. Girão traz ao seu lado a firmeza de princípios, a coragem no combate aos privilégios e a defesa intransigente das liberdades no Senado, além de sua defesa da vida. Trata-se de uma composição pautada em entregas reais, ética e governança, qualidades indispensáveis para quem deseja recolocar o Brasil no rumo do desenvolvimento sustentável.

Entretanto, de nada adiantaria escolhermos o melhor maestro se a orquestra for incapaz de harmonizar os acordes. Por isso, a reflexão sobre o 1º turno exige de nós um olhar igualmente atento e prioritário para o Poder Legislativo. É no Congresso Nacional, entre deputados federais e senadores, que o destino das reformas estruturantes é decidido. O Legislativo detém uma força descomunal na política moderna; é ali que se barra o arbítrio e se constrói a estabilidade institucional. Precisamos promover uma renovação qualificada no Parlamento, elegendo homens e mulheres comprometidos com a ética e a liberdade, e não com feudos eleitorais.

O voto está longe de ser uma ficha de apostas; é a expressão do nosso caráter e da nossa visão de mundo. Evite que pesquisas de opinião decidam o destino da sua consciência. Avalie, debata, exercite seu senso crítico e, no 1º turno, vote com a cabeça erguida e o coração seguro do que é o melhor para a nossa Pátria. O Brasil que queremos não surgirá do cálculo do “menos pior”, mas da coragem de escolhermos, com firme convicção, o que é genuinamente correto.

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Cristina Esteche

Jornalista

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