22/08/2023

Blog da Cris Política

Experiência, cálculo político e respostas que ficaram pelo caminho

Na estreia da rodada da RPC, Curi mostrou segurança nas propostas, mas adotou cautela diante de temas delicados da trajetória política

Candidato ao Senado, deputado estadual Alexandre Curi (Foto: reprodução/ Yotube)

Alexandre Curi abriu nesta segunda (31) a rodada de sabatinas da RPC com os candidatos ao Senado. E fez uma entrevista muito mais de consolidação do que de confronto. Curi conhece o ambiente político, domina a linguagem institucional e parece saber exatamente o tamanho de cada palavra. O candidato mostrou segurança ao falar de propostas. No entanto, a conversa mudou de tom quando entrou em temas ligados à trajetória na Assembleia.

A mudança da candidatura ao Governo para o Senado foi tratada com habilidade. Curi disse que se preparou durante anos para disputar o Palácio Iguaçu, mas que o projeto não fracassou. Colocou o interesse do Paraná acima da ambição individual e negou ter se sentido traído por Ratinho Junior. Politicamente, é uma resposta bastante eficiente. Isso porque não rompe com o governador, não fecha portas e ainda preserva a possibilidade de disputar o governo em outra eleição.

O trecho mais delicado foi o dos Diários Secretos. Curi afirmou que não sabia das irregularidades quando era primeiro-secretário da Assembleia. É uma resposta objetiva sobre uma posição pessoal, mas não resolve inteiramente a questão política. Afinal, a pergunta mais incômoda não é apenas se ele sabia ou não. É qual era a responsabilidade institucional de alguém que ocupava uma das posições centrais da Assembleia naquele período. Nesse ponto, Curi explicou a versão dele, mas não conseguiu eliminar a dúvida.

MAIOR CAUTELA

Com Ademar Traiano, a cautela ficou ainda mais evidente. Curi respondeu pelo caminho jurídico: falou da legalidade do acordo com o Ministério Público e da homologação pela Justiça. Mas a pergunta havia avançado para o campo moral. E aí ele não entrou. Foi um dos momentos em que a entrevista mostrou a diferença entre responder a uma questão e responder exatamente ao que foi perguntado. Curi preferiu preservar a institucionalidade e não transformar um antigo aliado em alvo.

Nas placas secretas, novamente apareceu o Curi institucional. Explicou que a regra havia sido criada anteriormente, que acabou revogada. Disse também que a informação sobre os deputados que utilizavam as placas estava com a Casa Militar. A explicação é compreensível, mas não encerra a discussão sobre transparência e responsabilidade política. Já quando falou de STF, segurança e rodovias, o candidato pareceu mais confortável. Ele apresentou posições claras, embora algumas propostas ainda tenham ficado no campo das diretrizes gerais.

EXPERIÊNCIA

O saldo da primeira sabatina é interessante justamente por isso. Curi não saiu derrotado e tampouco se colocou em uma situação de risco desnecessário. Mostrou experiência, preparo e capacidade de articulação. Mas também deixou claro onde a campanha encontrará as perguntas mais difíceis.

Quando o assunto é futuro, ele fala como candidato. Quando o assunto é o passado da Assembleia e antigos aliados, fala como presidente de uma instituição. Essa diferença de tom talvez tenha sido a principal revelação política dos 34 minutos.

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Cristina Esteche

Jornalista

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