Academias de judô se reinventam para enfrentar a pandemia

Com aulas-vídeo, porém, academias de judô perdem alunos e uma das maiores pode encerrar a atividade em Guarapuava, lamenta sensei

Academias de judô se reinventam para enfrentar a pandemia (Foto: Academia Randori/Guairacá)

Embora o último decreto assinado pelo prefeito Cesar Silvestri Filho permita o retorno de atividades em academias de Guarapuava, a situação ainda preocupa parte desse setor. De acordo com o parágrafo 6º do decreto 790420, academias, estúdios e centros de ginástica, devem aderir ao Programa Empresarial de Prevenção e Cuidado.

Esse programa responsabiliza empresários ao cumprimento dos protocolos de prevenção à covid-19. Porém, é a restrição de uma pessoa a cada nove metros quadrados de distância que pode inviabilizar a atividade.

Conforme o sensei Fernando Felipe de Lima Santos, as aulas da academia de judô estão sendo por vídeo. Porém, dos mais de 300 alunos, menos de um terço está participando.

Tive uma queda de 30% no total das mensalidades em abril e agora em maio vai ser mais complicado ainda. Além disso, o tatame da academia é de 300 metros quadrados, o que caberia apenas 26 alunos por causa das restrições. Isso inviabiliza a academia.

Segundo Fernando, ele paga R$ 7 mil de aluguel por mês e mesmo que haja uma redução nesse valor, ele não sabe se o número de alunos será suficiente para pagar essa despesa. O sensei observa que os colégios estão com aulas on-line e com muitas atividades absorvendo o tempo dos alunos.

Todavia, ainda nesta semana uma decisão será tomada. “Estamos bem preocupados porque tem possível rescisão de contrato, pois corremos o risco de fechar as portas”.

O TEMPO É DE REINVENÇÃO

Por ser uma atividade que requer o contato físico, o judô – a exemplo de outras artes marciais -, vai ter que se reinventar. Essa é a opinião do sensei Lucas, diretor da Federação Paranaense de Judô e coordenador técnico regional.

“Algumas modalidades de artes marciais podem treinar sozinhas, outras não. Então o momento é de reinvenção, de readequação de modelos . No judô já temos esse modelo sem o contato físico, mas precisamos intensificar”.

(Imagem: Reprodução/Facebook)

É justamente isso que o sensei Milton Roseira Junior está fazendo. Com a maioria dos alunos entre 0 e 12 anos, faixa etária que não pode participar de atividade coletiva, conforme o decreto municipal, Miltinho investe na criatividade.

Criamos atividades domésticas que ajudam o aluno a não ficar parado e ainda aumenta a interação com os pais. E tudo conta ponto para a troca de faixas. São coisas simples desde ajudar a mãe a arrumar a cama, a lavar louças.

De acordo com o sensei, a confecção de um boneco para auxiliar nos treinos em casa também motivou os alunos. “Ensinamos a cada um fazer o seu com o auxílio do pai. Está sendo muito bacana porque muitos pais nem sabiam como era a saudação do judô”.

Segundo o sensei, as atividades são um princípio do judô, o ‘Jita Kyoei’, que é o benefício mútuo.

Alunos e os bonecos feitos por eles para o treinamento em casa (Foto: Judô Nippon Guarapuava)

Eu pedi para os pais que solicitassem um desafio. Após terem feito mandavam a prova. Também estamos participando de uma gincana virtual que tem até academias da Grécia. As aulas são on-line para que os alunos não percam o contato com o judô e a filosofia neste momento tão difícil.

Conforme o sensei, uma das provas era desenhar o professor. “Olha só, ficou bem igualzinho”, diz Miltinho referindo-se a si mesmo.

Desenho de um aluno numa das atividades solicitadas (Foto: Milton Roseira)

Entretanto, Miltinho ainda não decidiu quando reabrirá as portas da academia.

“Estamos pensamos em maio, mas somente para alunos com idade superior a 12 anos. Para os pequenos as aulas continuarão sendo em vídeo. Vamos nos reinventando com o passar dos dias”.

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