Bonotto é dono da área de onde saíram os tiros contra Lula, diz Carta Capital

Empresário rural é de Quedas do Iguaçu e nega envolvimento

Bonotto, de camisa preta (Foto: Reprodução/Carta Capital)

O fazendeiro Leandro Langwinski Bonotto, de Quedas do Iguaçu, está no centro de uma reportagem publicada pela revista Carta Capital, edição de quinta feira (12), por ser o dono da área de onde foram disparados os tiros contra a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ataque aconteceu no dia 27 de março último quando três ônibus da caravana se dirigiam a Laranjeiras do Sul, após terem saído de Quedas do Iguaçu. Os tiros foram disparados, segundo a perícia, possivelmente de um barranco, na rodovia PR-473, no trecho entre as duas cidades. Esse lugar está dentro da propriedade de Bonotto e ali mora o seu pai, o também fazendeiro Jocemino Bonotto.

“Uma das balas, disparada a menos de 20 metros do veículo movimento, atingiu e perfurou a fuselagem lateral. O segundo projétil ricocheteou num dos vidros das poltronas dos passageiros, sem quebrá-lo”, relata a Carta Capital. “O local de onde partiram os tiros fica na altura do quilômetro 29 da rodovia PR-473, um gramado verde e rasteiro que se estende por cerca de 100 metros ao longo do lado direito da estrada para quem segue de Quedas do Iguaçu para Laranjeiras. A pequena clareira contrasta com a vegetação fechada, as grandes plantações e as pastagens que preenchem os arredores”, continua a reportagem.

Tiro no ônibus de Lula (Divulgação)

De acordo com a matéria investigativa realizada pelos jornalistas Vinícius Segalla e Antônio Alonso Júnior, Bonotto , 45 anos, possui um histórico enfrentamento com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e é investigado por ameaças  de morte contra lideranças do Movimento. O proprietário rural, porém, segundo a Carta Capital, nega qualquer envolvimento com os disparos que atingiram dois dos três ônibus da caravana petista.

“Não sei, não ouvi nada, que eu saiba esses tiros foram a uns 15 ou 20 quilômetros daqui”, afirmou Jocemino em entrevista concedida aos jornalistas a poucos metros do local identificado.

“Não sei de nada disso. Eu estava em casa na hora dos tiros”, disse Leandro, sem abrir o portão para receber a reportagem. Sobre sua relação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que mantém acampamentos e assentamentos na região, e sobre o que achava de Lula e da caravana, disse não ter opinião formada nem nada contra o movimento rural ou o ex-presidente”, relata a reportagem.

Segundo a revista, processos judiciais em andamento, boletins de ocorrência, denúncias de ameaça de homicídio e testemunhos dos cidadãos do município de Quedas do Iguaçu contradizem, porém, o fazendeiro.

“A família Bonotto disputa desde a década de 1990 a posse e a propriedade de terras da região destinadas pelo Incra à reforma agrária. Um assentamento do MST prosperou durante 11 anos, até que os Bonotto, em 1999, obtiveram na Justiça uma ordem precária (provisória) de reintegração de posse, e mais de 300 famílias foram removidas da propriedade. Os tratores destruíram as casas, plantações e instalações de animais. Em 2003, no primeiro ano do governo Lula, o MST voltou a ocupar o terreno, beneficiado por uma decisão judicial em favor do Incra, que voltou a destinar a terra à reforma agrária”, diz parte da reportagem.

O delegado-chefe da 2ª Subdivisão Policial, Helder Lauria, que está á frente da investigação disse ao Portal RSN que ainda está ouvindo testemunhas e que soube desses dados pelos repórteres. “Eles fizeram a investigação e tudo isso fiquei sabendo por eles. Eu já ouvi 20 pessoas e tenho muitas outras ainda para ouvir”, afirmou. Segundo ele, qualquer informação sobre o caso será repassada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

DENÚNCIA DA CÂMARA

Na tribuna da Câmara Federal, durante a sessão de ontem, quinta (12), o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), disse que a polícia do Paraná informou ter identificado o dono do local de onde teriam partido os tiros que atingiram um dos ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná, no dia 27 de março.

“Hoje a polícia [do Estado do Paraná] informa que conseguiu identificar o local de onde partiram os tiros e sabe já quem é o dono desse estabelecimento de onde ocorreram os disparos de arma de fogo contra a caravana do presidente Lula”.

Embora não tenha citado o nome do suspeito, as informações do deputado coincidem com o que foi publicado pela Carta Capital.

“Há informações de que o homem teria envolvimento em conflitos com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e já responde por crimes semelhantes aos ocorridos contra a caravana”.

O deputado comunicou  que o PT acompanhando essa investigação e que o entendimento é de que deve ser tratada como um atentado.

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