22/08/2023
Brasil Luana Esteche

Cartão consignado do INSS: por que a dívida do aposentado não acaba?

Novas regras do INSS e discussão no STJ reacendem o alerta sobre descontos prolongados, contratos pouco claros e proteção financeira de aposentados


Luana Esteche (Foto: Divulgação)

Novas regras do INSS e discussão no STJ reacendem o alerta sobre descontos prolongados, contratos pouco claros e proteção financeira de aposentados.

O desconto aparece todo mês na aposentadoria. A pessoa acredita que está pagando um empréstimo comum, com parcelas certas e data para terminar, mas o tempo passa, a dívida continua e ninguém explica com clareza o que foi contratado. Essa é a preocupação envolvendo o *cartão consignado do INSS*, modalidade que pode ser confundida com empréstimo tradicional.

## *Novas regras do INSS acenderam o alerta*

Desde *19 de maio de 2026, novas regras de segurança passaram a valer para o consignado do INSS: a contratação deve ser validada por **biometria facial no Meu INSS*, e a contratação por telefone ou por procuração de terceiros foi proibida. A mudança mostra que o tema exige atenção, especialmente porque o desconto ocorre diretamente no benefício de aposentados e pensionistas.

## *Cartão consignado não é empréstimo comum*

O problema é que o *cartão de crédito consignado* pode envolver fatura, encargos, saque e *reserva de margem consignável*, conhecida como RMC. Na prática, parte da renda do aposentado fica comprometida, mas o consumidor nem sempre entende que contratou uma operação com lógica de cartão, e não um empréstimo simples. Por isso, em muitos casos, a sensação é de que a dívida “nunca acaba”.

## *O STJ ainda vai definir os critérios*

O assunto também está no Superior Tribunal de Justiça. No *Tema 1.414*, o STJ vai definir critérios para avaliar a validade e eventual abusividade dos contratos de cartão consignado, especialmente quando houver dúvida sobre informação clara, compreensão do consumidor e prolongamento da dívida. Ainda não há decisão final, portanto não se deve prometer cancelamento, indenização ou resultado automático.

## *O primeiro passo é conferir os documentos*

A primeira providência para quem tem desconto no benefício é consultar o *extrato de empréstimo consignado no Meu INSS* e reunir contrato, faturas, comprovantes, extratos e histórico dos descontos. É importante verificar se a operação foi empréstimo comum, cartão consignado, refinanciamento, seguro, associação ou outra cobrança vinculada ao benefício.

## *Quando o caso merece atenção jurídica*

Nem todo desconto é ilegal, mas todo consumidor tem direito de entender o que está pagando. Quando a dívida se prolonga por anos, quando não há faturas, quando o banco não explica o contrato ou quando a aposentadoria fica comprometida, a análise individual dos documentos pode indicar se houve falha de informação, cobrança abusiva ou contratação inadequada.

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Cristina Esteche

Jornalista

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