Deficientes, mulheres e negros são vítimas de discriminação nos bancos

São Paulo – Os bancos que atuam no Brasil são preconceituosos, contratam poucos negros, as mulheres têm menos chances de subir na carreira que os homens e o número de bancários com deficiência é tão pequeno que não atinge nem a cota mínima de 5% exigida pela lei. Esse é o resultado da pesquisa do Mapa da Diversidade nos bancos, divulgado nesta quinta (2), pela federação dos bancos (Fenaban), durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Elaborada e aplicada pelos próprios bancos a pedido dos sindicatos, a pesquisa confirma o que o movimento dos trabalhadores denuncia há mais de duas décadas: as instituições financeiras discriminam as pessoas na hora de contratar e as oportunidades dentro das empresas são desiguais.
“É um dia histórico, pois essa é a primeira vez que as instituições financeiras reconhecem que há discriminação no mercado de trabalho bancário. O Mapa da Diversidade confirma o que a gente já sabia e é de extrema importância porque, com ele, poderemos elaborar um plano de ação para negociarmos com os bancos na tentativa de resolver o problema”, explica a diretora do Sindicato Neiva Ribeiro dos Santos, que participou da audiência pública. Os representantes dos bancários, aliás, participaram em peso da reunião, lotando o recinto. “Aproveitamos e fizemos diversas críticas e reivindicações sobre a igualdade de oportunidades nos bancos”, diz Neiva.

Dados assustadores
Segundo a pesquisa, as mulheres recebem em média 78% dos salários dos homens. Como a lei brasileira proíbe que as empresas paguem salários diferentes para trabalhadores que exercem a mesma função, o resultado revela que as mulheres encontram muito mais dificuldades que os homens para fazer carreira nos bancos e ocupar os postos mais altos.
Com os negros, a discriminação é maior, já que até para serem contratados é mais difícil. Embora no Brasil metade da população seja composta de negros e pardos, segundo o IBGE, nos bancos eles são somente 19%. A situação da mulher negra é ainda mais crítica, sendo que elas ocupam apenas 8% dos postos de trabalho bancário.
A pesquisa foi realizada no ano passado e foi respondida por mais de 200 mil bancários, a metade da categoria. Durante a apresentação dos resultados, os bancos tentaram minimizar o impacto dos números relatando uma série de ações que as empresas estariam tomando para resolver o problema. “Dissemos que se os bancos querem, de fato, oferecer igualdade de oportunidades para os bancários eles precisam incluir esse compromisso na nossa Convenção Coletiva de Trabalho. Também exigimos que a Fenaban nos dê uma cópia do resultado da pesquisa o quanto antes, já que ela é uma reivindicação nossa e os sindicatos foram fundamentais para que a consulta atingisse metade da categoria”, diz Neiva.
Dia Nacional de Lutas
No próximo dia 14 de julho, os bancários do Brasil inteiro realizam um Dia Nacional de Lutas pela igualdade de oportunidades nos bancos. O objetivo é denunciar a discriminação das instituições financeiras e esquentar a mobilização dos trabalhadores para o tema, que deverá ser uma das principais reivindicações da campanha salarial que está começando.

Sindicato dos Bancários de São Paulo

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